O lucro do Nubank já equivale a 98% do resultado do varejo do Itaú, e o banco digital pode ultrapassar o concorrente ainda em 2026, segundo o J.P. Morgan. No segundo trimestre, a diferença entre os dois ficou em US$ 33 milhões, sobre uma base de ativos bem menor.
Excluindo o México, o Nubank reportou lucro líquido de US$ 1,054 bilhão no segundo trimestre, ante US$ 1,087 bilhão do varejo do Itaú. “Mas em vez de discutir erros de arredondamento, o que vemos é o gap de lucro se fechando”, afirmaram os analistas do J.P. Morgan, em relatório da equipe liderada por Yuri Fernandes.
Nubank x varejo do Itaú no 2º trimestre de 2026
Indicador
Nubank
Varejo do Itaú
Lucro líquido (ex-México)
US$ 1,054 bi
US$ 1,087 bi
Índice de eficiência
cerca de 17%
41%
ROE
42%
29%
ROA
5% a 6%
cerca de 2%
Carteira de crédito
R$ 137 bi
R$ 614 bi
Clientes com crédito ativo
65 mi
47 mi
Participação em cartão
17%
21%
Estimativas do J.P. Morgan para o segundo trimestre de 2026. Fonte: Brazil Journal
Onde o varejo do Itaú ainda é maior que o Nubank
O relatório reconhece que o incumbente segue à frente em vários recortes. O Itaú é líder no segmento de alta renda e tem participação maior em cartão de crédito, com 21% contra 17% do Nubank, segundo as estimativas do próprio J.P. Morgan. A divisão de varejo do banco reúne ainda linhas de receita que o rival digital não tem ou nas quais é muito pequeno, como financiamento imobiliário, crédito para veículos, adquirência e PMEs.
A diferença de tamanho aparece no crédito. O J.P. Morgan estima que a carteira do Nubank tenha ficado em R$ 137 bilhões no trimestre, contra R$ 614 bilhões do varejo do Itaú. Na base de clientes, a relação se inverte: 65 milhões com exposição ativa a crédito no banco digital, ante 47 milhões no Itaú. Em julho, o Nubank lançou o Croma, segmento posicionado entre o Nubank e o Ultravioleta, mirando a faixa de renda onde o incumbente é mais forte.
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O que sustenta a diferença de rentabilidade
A explicação central está no custo de operar. O índice de eficiência, que divide despesas por receitas, é de cerca de 17% no Nubank Brasil, contra 41% no varejo do Itaú. Isso permite ao banco digital extrair um retorno sobre ativos de 5% a 6%, ante cerca de 2% do concorrente, e chegar a um ROE de 42% no Brasil, contra 29% do varejo do Itaú. Os analistas apontam ainda que o Desenrola contribuiu com cerca de US$ 60 milhões para o resultado do trimestre, enquanto a Colômbia fechou o período com prejuízo de US$ 9 milhões.
Para os próximos trimestres, o relatório aponta como desafio do Nubank trazer mais ativos para o balanço em segmentos hoje pouco explorados, com clientes de renda média, crédito consignado e PMEs classificados como fundamentais. “Não temos certeza de que o ROA possa aumentar muito além dos níveis já bastante elevados em que se encontra, especialmente porque clientes de renda mais alta tendem a gerar um retorno menor, apesar de movimentarem volumes maiores”, disseram os analistas.
O que observar
O ponto em aberto é se a vantagem de custo se mantém quando um banco digital avança sobre linhas mais caras de operar. Crédito imobiliário, veículos e crédito para pequenas empresas exigem análise de garantia, cobrança especializada e capital regulatório mais pesado, estruturas que empurram o índice de eficiência para cima.
Vale acompanhar também o consignado, apontado como avenida de crescimento em um momento em que a concessão do consignado privado recuou após o novo teto de juros. Se o teto seguir comprimindo a margem, entrar nesse produto significa comprar volume com retorno menor. A pergunta para o próximo balanço é qual segmento cresce sem levar o índice de eficiência junto.