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Kanastra compra Tercon e mira liderança em FIDCs com 323 fundos

Aquisição eleva ativos sob serviços de R$ 36 bi para R$ 60 bi. Empresa mira liderança em número de FIDCs geridos no Brasil, com 323 fundos.

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· 2 min

Atualizado em

Manuel Netto, Foto: Flávio Moret/Divulgação

A fintech Kanastra fechou a aquisição de 100% da gestora Tercon, especializada em FIDCs multicedentes-multisacados. Com a operação, a empresa salta de R$ 36 bilhões para cerca de R$ 60 bilhões em ativos sob serviços e mira a liderança em número de FIDCs geridos no Brasil, com 323 fundos e 8,1% de market share.

Kanastra + Tercon: o novo perfil

Indicador Valor
Ativos sob serviços ~R$ 60 bi (antes: R$ 36 bi)
Operações 470
Funcionários 285
FIDCs geridos 323 (8,1% mkt share)

Fonte: Valor Econômico

O que a Tercon agrega

A Tercon opera há 20 anos no mercado de FIDCs e tem presença em 18 estados brasileiros, com foco em fundos multicedentes-multisacados. Manuel Netto, cofundador da Kanastra, disse que a gestora complementa a vertical de gestão do grupo. “Temos uma estrutura de serviços e tecnologia para fundos e securitização. Já tínhamos gestão, administração, emissão de securitização e banking as a service”, afirmou.

Lucas Campos, sócio e diretor de receita, disse que a operação da Tercon será mantida: estrutura de time, política comercial e relação com prestadores de serviços seguem como estão. O diferencial, segundo ele, será a camada de tecnologia inserida na operação. Luiz Fernando Vasconcelos, sócio-fundador da Tercon, confirmou que a transação é a evolução de uma parceria construída ao longo dos anos.

O contexto do mercado de FIDCs

O mercado de FIDCs cresceu 122% em 2025 e vem mantendo ritmo de expansão de 30% ao ano, segundo a própria Kanastra. A Resolução CVM 175 trouxe governança mais clara para gestores e a obrigatoriedade do registro de ativos, junto com a novidade da duplicata escritural, amplia o universo de oportunidades.

A Kanastra captou R$ 170 milhões em rodada série B em outubro de 2025, liderada por Fidelity e IFC. Meses antes, em fevereiro, já havia recebido investimentos de Citi e Itaú. A empresa praticamente dobra de tamanho a cada ano e espera manter esse ritmo.

O que observar

A consolidação de infraestrutura para FIDCs acontece num momento em que o setor atrai capital em velocidade inédita. Em entrevista ao podcast Let’s Money, especialistas do setor alertaram que a alta liquidez obriga gestoras a girar carteira mesmo quando não há ativos bons disponíveis. A tese de que tecnologia resolve o backoffice é válida, mas vale acompanhar se plataformas integradas verticalmente conseguem manter controles de risco proporcionais ao ritmo de crescimento.

A pergunta que fica é operacional: com centenas de FIDCs sob gestão, plataformas que centralizam administração, custódia e banking precisam entregar automação real de compliance e monitoramento de ativos. Se a tecnologia escalar junto com o volume, consolida-se a tese de infraestrutura integrada. Se o ganho ficar restrito a eficiência administrativa, o risco de concentração de operações sem ganho proporcional de governança aumenta.

Fontes: Valor EconômicoBrazil JournalLet’s MoneyLet’s Money Podcast

Correção (06/04/2026 às 11h22): título e texto alterados de “lidera mercado” para “mira liderança”, refletindo com precisão a fonte original.

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