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Mambu lança 3 camadas de IA agêntica para o core bancário

A Mambu anunciou em Amsterdã o Intelligent Core, que junta core bancário, pagamentos e IA agêntica, e abriu três camadas novas dentro do Mambu Agentic.

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Atualizado em

Foto: Divulgação

A Mambu anunciou nesta quarta-feira (2), em Amsterdã, o Intelligent Core, arquitetura que reúne core bancário, pagamentos e IA agêntica em uma plataforma única e componível. Junto dela, a empresa abriu três camadas novas dentro do Mambu Agentic, que descreve como camada nativa de inteligência ligada diretamente ao core.

IA agêntica é o nome dado a sistemas que executam tarefas por conta própria, dentro de limites definidos pela instituição, e não apenas devolvem respostas a quem pergunta. O diagnóstico que sustenta o movimento é da própria empresa: no comunicado, a Mambu afirma que a maior parte dos bancos ainda empilha IA sobre cores legados que não foram construídos para inteligência em tempo real nem para ação autônoma.

As camadas novas dentro do Mambu Agentic

Camada O que a Mambu diz que ela faz
Model Context Protocol Conecta agentes de IA corporativos direto ao core e a pagamentos, sem integrações complexas
AI Insights Camada de dados curada para o raciocínio dos agentes, apontando oportunidades, risco e anomalias em carteiras e operações
Agents Agentes de ação pré-construídos que coletam dados, decidem dentro de guardrails configuráveis, agem onde estão autorizados e explicam cada decisão

As três camadas anunciadas dentro da oferta agêntica da Mambu. Fonte: Mambu

As três camadas de IA agêntica no core bancário

A primeira delas é o Model Context Protocol (MCP), padrão aberto que define como um agente de IA acessa dados e executa operações em um sistema externo. Na versão da Mambu, ele liga agentes corporativos ao core e ao módulo de pagamentos sem a camada de integração que costuma ficar no meio. A segunda, AI Insights, organiza os dados que alimentam o raciocínio do agente. A terceira entrega agentes prontos, que agem só onde a política do banco permite e registram o motivo de cada decisão.

“O Intelligent Core é a nossa visão para o futuro dos serviços financeiros: core, pagamentos e IA agêntica funcionando como um só”, disse Fernando Zandona, CEO da Mambu. Segundo ele, o Mambu Agentic dá vida a isso com agentes que se conectam diretamente ao razão contábil, decidem dentro de guardrails estritos, agem onde estão autorizados e explicam cada decisão.

O que a Mambu montou antes do anúncio

A arquitetura chega sobre uma base que a empresa vem juntando peça a peça. O braço de pagamentos nasceu da compra da francesa Numeral, anunciada em dezembro de 2024, e em julho de 2026 a Mambu passou a conectar clientes à rede de mensagens da Swift como Enabler certificado do Swift Business Connect.

No Brasil, a empresa oferece core bancário para conta corrente e para empréstimos, segundo Luciano Longo, country manager da Mambu no país, em entrevista ao podcast Let’s Money. Em junho de 2026, o mesmo executivo defendeu que o core moderno é a base dos agentes de IA, pelo argumento de que sem API limpa e rastreabilidade o agente erra mais rápido. O protocolo também já circula no mercado brasileiro de dados: a Belvo lançou um MCP que conecta agentes de IA ao Open Finance na América Latina. E a rota oposta tem defensor de peso no país: o Bradesco mantém o mainframe no core bancário e integra IA por cima.

O que observar

A fronteira sensível é a que separa autonomia de responsabilidade. Quando o agente deixa de sugerir e passa a lançar no razão contábil, a discussão sai da camada de modelo e cai na governança: quem define o limite, quem audita a decisão e quem responde pelo erro. Fornecedores de core bancário que prometem trilha de auditoria automática vão precisar mostrar como esse registro se sustenta diante da contestação de um cliente ou da inspeção de um supervisor.

Vale acompanhar se instituições que rodam core legado optam por trocar a base ou por seguir empilhando camadas de inteligência sobre ela, e a que custo operacional. Para bancos de médio porte, a pergunta prática é se a promessa de menos integração se mantém quando o agente precisa cruzar dados de crédito, pagamento e cadastro em tempo real. Se reguladores passarem a enquadrar agente autônomo como serviço relevante de terceiro, o desenho contratual entre banco e fornecedor de tecnologia entra na conta antes do ganho de produtividade.

Fontes: MambuLet’s Money Podcast

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