A Mastercard fechou uma parceria com a queniana Flowcart para embutir pagamentos por cartão dentro do social commerce, o comércio feito por redes sociais e aplicativos de conversa como o WhatsApp. A colaboração começa no Quênia e prevê expansão para a África Oriental e para mercados como África do Sul, Nigéria e Costa do Marfim.
Como o Quênia compra online
| Canal |
Participação nos pedidos online (meados de 2025) |
| WhatsApp |
mais de 20% |
| Sites tradicionais de e-commerce |
12% |
Participação de canais nos pedidos de compra online no Quênia, meados de 2025. Fonte: Communications Authority of Kenya
Do descobrir ao pagar na mesma conversa
A ideia é fechar um ciclo completo de chat-to-pay, o percurso do descobrir ao pagar dentro do próprio chat: o consumidor encontra o produto, faz o pedido e conclui o pagamento sem sair da conversa, sem ser redirecionado a sites ou aplicativos externos. A parceria combina a plataforma de orquestração de comércio da Flowcart, movida por inteligência artificial, à rede de pagamentos da Mastercard, com pagamentos concluídos por links, QR codes ou checkout nativo.
“Nossa colaboração com a Flowcart nos permite embutir pagamentos seguros e fluidos diretamente nessas experiências, abrindo novas oportunidades de crescimento para os lojistas e ampliando a aceitação de pagamento digital em uma das economias digitais que mais crescem na África”, disse Shehryar Ali, vice-presidente sênior e country manager para África Oriental e Ilhas do Oceano Índico na Mastercard, no comunicado. O movimento segue a estratégia da bandeira de firmar acordos com plataformas em outros mercados.
Um mercado que já compra pelo chat
O contexto local ajuda a explicar a aposta. Dados da Communications Authority of Kenya mostram que o WhatsApp respondeu por mais de 20% dos pedidos de compra online no Quênia em meados de 2025, à frente dos sites tradicionais de e-commerce, que ficaram em 12%. O Mastercard SME Confidence Index 2026 aponta ainda que 80% das pequenas e médias empresas quenianas citam métodos de pagamento simples e fáceis de usar como requisito para crescer.
A solução mira também a economia de criadores e os vendedores sociais, além de segmentos subatendidos e informais do comércio, segundo as empresas. A movimentação se soma à corrida das bandeiras por padrões de pagamento em novos fluxos, como a aliança de pagamento por agentes de IA anunciada por Visa e Mastercard. Fora da África, o peso do digital nas vendas também cresce: nos EUA, os canais digitais responderam por 57% das vendas de pequenas empresas em 2025, ante 41% dos canais físicos, segundo relatório da PYMNTS Intelligence.
O que observar
A aposta desloca o ponto de venda para dentro do aplicativo de mensagem, o que muda quem captura a transação. Vale acompanhar como adquirentes e provedores de checkout tradicionais reagem quando o fluxo de compra migra do site para a conversa, e se as bandeiras conseguem transformar o alcance da mensageria em aceitação recorrente entre vendedores informais.
A pergunta operacional é se o “chat-to-pay” reduz de fato o atrito a ponto de elevar a taxa de conversão que o comércio por rede social ainda perde no redirecionamento. Se o modelo escalar do Quênia para os demais mercados anunciados, o teste será a capacidade de integrar milhares de microlojistas sem exigir site nem maquininha, o gargalo que a própria parceria diz querer resolver.
Fontes: PYMNTS • Connecting Africa • Let’s Money • Let’s Money