A dona da carteira digital GCash protocolou nas Filipinas o pedido para o que seria o maior IPO da história do país. A Mynt mira captação de até US$ 1,5 bi na bolsa de Manila, com listagem prevista para o quarto trimestre de 2026, sujeita a aprovações regulatórias.
GCash em 2025: a escala que sustenta o IPO
| Métrica |
Valor |
| Usuários ativos mensais |
39,1 milhões |
| Usuários registrados |
90 milhões |
| Volume transacionado (2025) |
P17 trilhões (pesos filipinos) |
| Usuários fora de Metro Manila |
78% |
| Usuários em faixa de menor renda |
92% |
Métricas de GCash em 2025. Fonte: Finextra
Quem está por trás da Mynt
A Mynt é uma joint venture entre o conglomerado de telecom Globe Telecom, a Ayala Corporation e o Ant Group, mesma controladora do Alipay e afiliada do Alibaba. O GCash nasceu em outubro de 2004 como serviço de transferência por SMS dentro do Globe e só ganhou tração massiva na última década. Em 2021, a Mynt foi a primeira unicórnio das Filipinas, após rodada de US$ 300 milhões que avaliou a empresa em US$ 2 bi. Em agosto de 2024, aporte da Ayala e do banco japonês MUFG elevou a avaliação para US$ 5 bi.
O recorde anterior é da Monde Nissin, fabricante de alimentos que captou P55,89 bi (cerca de US$ 1 bi) em junho de 2021. A oferta da Mynt representará ao menos 12% do capital pós-IPO, podendo chegar a 13,8% com o lote suplementar. Jefferies Singapore atua como bookrunner internacional, com Morgan Stanley, J.P. Morgan Securities e UBS Singapore como coordenadores globais.
Por que o filing acontece agora
Três janelas se sobrepõem no cronograma. A primeira é demográfica: as Filipinas têm cerca de 117 milhões de habitantes e parcela relevante da população adulta ainda sem conta bancária formal. “Dos 90 milhões de usuários registrados, hoje cerca de 40 milhões usam ativamente a plataforma todos os meses, o equivalente a quase metade da população adulta do país”, disse Martha Sazon, presidente e CEO da Mynt (em tradução livre).
A segunda é a base popular: 78% dos usuários moram fora de Metro Manila e 92% pertencem a faixas de menor renda, sustentando uma tese de inclusão financeira que costuma atrair gestoras globais. A terceira é externa: o Ant Group, sob pressão regulatória chinesa desde o IPO interrompido em Xangai em 2020, encontra na liquidez do GCash uma via para reciclar capital fora do eixo China, enquanto o Alipay corre com WeChat por agentes de IA com 1 bilhão de usuários. O movimento ecoa um ciclo regional em que carteiras digitais sul-americanas, como o Mercado Pago, que reforçou sua financeira no Brasil com R$ 2 bi e aval do BC, capitalizam produto e regulação enquanto pares asiáticos vão à bolsa.
O que observar
Vale acompanhar como reguladores de mercados emergentes vão calibrar o equilíbrio entre carteiras digitais com bases populares (concentração em faixas de menor renda e em regiões fora dos grandes centros) e a estabilidade do sistema bancário tradicional, em especial quando esses agentes operam como super apps com crédito, investimento e seguros embutidos no mesmo aplicativo.
Outra pergunta em aberto é como bancos de investimento e gestoras globais vão precificar fintechs de inclusão a partir de métricas operacionais (usuários ativos, volume transacionado) versus métricas financeiras clássicas. O resultado da listagem prevista para o quarto trimestre será um termômetro para a próxima onda de IPOs em mercados emergentes.
Fontes: Finextra • GCash (Wikipedia) • Philippine Stock Exchange