O Nubank estreou a operação nos Estados Unidos e lançou o Nu Global, conta que guarda saldo em várias moedas e alcança dezenas de países. O banco chega ao maior mercado financeiro do planeta com mais de 140 milhões de usuários latino-americanos, mas o fundador David Vélez pediu paciência: consolidar a operação deve levar mais de uma década.
O lançamento do Nu nos Estados Unidos
| Item |
Detalhe |
| Conta Nu Account |
Rendimento de 3,50% ao ano em dólar |
| Cartão de crédito |
1,5% de cashback, sem anuidade |
| Nu Global |
Conta multimoeda para mais de 35 países |
| Banco parceiro |
Lead Bank (membro do FDIC) |
| Base na América Latina |
Mais de 140 milhões de clientes |
Pacote de produtos anunciado em 10 de setembro de 2026. Fonte: Nu
Um lançamento antes da licença própria
Para atender clientes antes de ter uma licença bancária própria, o Nu se apoiou em um banco parceiro, o Lead Bank, membro do FDIC (o fundo que garante depósitos bancários nos EUA). A conta em dólar, a Nu Account, paga 3,50% ao ano, e o cartão de crédito, emitido com a Mastercard, devolve 1,5% em cashback sem cobrar anuidade. Já o Nu Global converte os depósitos em dólares e euros digitais, as stablecoins USDC e EURC.
O caminho para a licença própria já estava em curso: a fintech pediu ao OCC, o regulador que autoriza bancos nos EUA, uma autorização nacional em setembro de 2025 e obteve aval condicional em janeiro de 2026. Em entrevista à Bloomberg Línea, Vélez contou que a empresa chegou a projetar o início das operações apenas para 2027, mas decidiu antecipar. Os produtos ficaram disponíveis em 10 de setembro.
Da liderança na América Latina para uma aposta global
A entrada nos EUA vem no melhor momento financeiro do grupo. No trimestre mais recente, o Nu passou de US$ 1 bilhão de lucro líquido e reportou retorno sobre o patrimônio (ROE) acima de 32%. Na região, onde já superou 140 milhões de clientes, a fintech se apresenta como o maior banco digital latino-americano e, no Brasil, disputa com o Itaú a liderança do varejo bancário. Fora de casa, a marca ainda é pouco conhecida e enfrenta um mercado bem mais competitivo.
Há quem enxergue espaço para escalar. O mercado americano de varejo bancário movimentou cerca de US$ 1,2 trilhão em receita em 2024, segundo o BCG, e o Citigroup projetou em março que o Nu poderia formar uma carteira de crédito de US$ 10 bilhões nos EUA até 2030, caso conquiste 1% de algumas linhas de crédito na Flórida, Califórnia e Texas. Cristina Junqueira, cofundadora e CEO do Nu US, afirmou que “capturar mesmo que uma pequena fatia do mercado americano será transformador para o nosso negócio”. O próprio Vélez preferiu segurar as expectativas: disse à Bloomberg Línea que a operação “vai exigir mais de uma década; isso não é algo que vá acontecer da noite para o dia”.
O que observar
O movimento testa se um banco digital latino-americano consegue repetir fora de casa um modelo construído em mercados de tarifa alta e baixa bancarização. Nos Estados Unidos, a disputa por depósitos é mais acirrada e o rendimento pago ao cliente vira arma competitiva, o que costuma pressionar margens. Vale acompanhar dois pontos: por quanto tempo o modelo de banco parceiro sustenta a operação até que uma licença própria seja concedida, e se a aposta em contas multimoeda lastreadas em stablecoins encontra demanda além do público de imigrantes latino-americanos. A resposta não se mede em um ou dois trimestres, e sim ao longo de anos.
Fontes: Bloomberg Línea • Nu • Let’s Money • Let’s Money