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M&AFintech · David Vélez

Nubank corre contra prazo do BC e disputa CGD Brasil

Nubank protocolou proposta vinculante pela CGD Brasil, buscando licença bancária antes do prazo do BC para uso de ‘banco’ e ‘bank’ no nome.

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Alf Ribeiro / Shutterstock.com

Nubank entrou com oferta vinculante pela CGD Brasil, filial da portuguesa Caixa Geral de Depósitos, e agora disputa o ativo com MD Capital e Garantia Capital. A pressa tem endereço regulatório: uma resolução do BC e do CMN em vigor desde 2025 impede o uso dos termos “banco” e “bank” por instituições sem licença bancária, com prazo de adequação apertando até o fim deste ano.

Processo de venda da CGD Brasil: os números

Item Valor
Ativos totais da CGD Brasil R$ 1,9 bi
“Outras operações com características de concessão de crédito” R$ 860,6 mi
Valor estimado pelo governo português ~R$ 250 mi (parte em assunção de dívida)
Encerramento das propostas vinculantes Semana passada (junho de 2026)

Dados do processo de desestatização da CGD Brasil segundo apuração do Valor. Fonte: Valor

Como o processo chegou até aqui

O processo de desestatização da CGD Brasil, conduzido por Lisboa, passou à etapa de ofertas vinculantes (cujo prazo se encerrou na semana passada) com quatro grupos ainda em jogo. Além da própria fintech, as candidatas em jogo são MD Capital e Garantia Capital, segundo apurou o Valor; a participação do grupo Sputnik permanece incerta. Em março de 2026, o Let’s Money já havia reportado a seleção dos quatro concorrentes pelo braço brasileiro da instituição portuguesa.

Em nota, a companhia disse que já comunicou ao mercado o plano de obter licença bancária no Brasil ainda em 2026 e que segue avaliando alternativas. “Essas análises não significam uma definição sobre qualquer operação específica. Como companhia aberta, temos compromisso com a transparência e comunicaremos ao mercado quando qualquer decisão relevante for tomada”, afirmou o Nubank. Entre as concorrentes, a MD Capital foi montada por Mario da Silveira Teixeira Junior, ex-executivo do Bradesco, ao lado de Dorival Antonio Bianchi, também com longa trajetória no mesmo banco. Já a Garantia Capital reúne André Perfeito e Marcelo Bragaglia ao lado de Luiz Cesar Fernandes, nome que fundou tanto o Garantia quanto o Pactual.

Por que Nubank quer a CGD Brasil

Para a fintech de David Vélez, o interesse é a licença, não o balanço. Ainda em 2025, o CEO global sinalizou essa lógica ao mercado ao dizer que uma eventual compra teria porte pequeno e seria motivada “principalmente pela licença”. A companhia vinha ponderando duas rotas: aquisição de uma instituição pequena com licença própria ou pedido de autorização nova ao BC. A janela de adequação da resolução (que veta “banco” e “bank” no nome de instituições sem licença bancária) tornou o pedido novo inviável no calendário disponível, dado o tempo médio de análise dessas autorizações.

A carteira que vem no pacote não é trivial. Segundo apuração do Valor, os ativos totais da filial brasileira somam R$ 1,9 bilhão. Desse montante, R$ 860,6 milhões aparecem sob a rubrica de “outras operações com características de concessão de crédito”. Fontes de mercado ouvidas pelo jornal descrevem o portfólio como complexo, com posições delicadas, incluindo uma fiança de dezenas de milhões concedida à operadora Oi. Perfis como o da MD Capital, ancorada em investment banking, ou o da Garantia Capital, com trilha em produtos complexos de crédito, encontram nesse tipo de carteira uma casa mais natural.

O que observar

A janela regulatória é curta. Empresas com marca ancorada em “banco” ou “bank” que ainda não têm licença bancária vão precisar decidir entre três caminhos até o fim de 2026: comprar uma instituição pequena para herdar a licença, pedir autorização nova ao regulador ou trocar a marca. Cada opção tem custo, prazo e implicação de portfólio distintos, e a rota via M&A vai depender da liquidez de ativos como o da CGD Brasil no mercado. Vale acompanhar como fintechs com base ampla de usuários e adquirentes de médio porte vão se posicionar nas próximas ondas de leilão de instituições bancárias em desestatização ou reestruturação.

Fontes: ValorCNN BrasilLet’s MoneyLet’s Money

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