O brasileiro está prestes a ganhar um novo aliado na busca por taxas de juros mais baixas e melhores condições de crédito. Em fevereiro de 2026, entrou em operação a portabilidade de crédito digital via Open Finance, conforme Resolução Conjunta nº 15/2025, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e regulamentada pelo Banco Central (BC). A medida promete transformar o processo burocrático atual em uma experiência rápida e digital, reduzindo o prazo de conclusão das operações de cinco para três dias úteis.
Atualmente, transferir um empréstimo de um banco para outro é um processo manual que exige deslocamento até agências, apresentação de documentos e espera de dias pela resposta. Com o Open Finance, esse processo será substituído por APIs padronizadas que conectam as instituições de forma automática e segura, permitindo que o consumidor migre seus contratos pelo celular, sem contato presencial.
“A portabilidade via Open Finance representa uma revolução na autonomia financeira do brasileiro. Estamos eliminando as barreiras que historicamente favoreceram apenas o banco original e devolvendo ao consumidor o poder real de escolha. Quando o cliente pode comparar ofertas e migrar seu crédito em poucos cliques, toda a dinâmica do mercado muda”, afirma o CEO da Lina Open X, Alan Mareines.
Open Finance no Brasil atinge 143 milhões de consentimentos ativos
O Brasil já se consolidou como a principal potência mundial do Open Finance. Dados do dashboard do Open Finance Brasil indicam que o sistema acumulava, em novembro de 2025, cerca de 143 milhões de consentimentos ativos para compartilhamento de dados entre instituições participantes.
Além disso, o crédito originado via Open Finance alcançou R$ 31 bilhões totais em setembro de 2025, sendo R$ 12 bilhões no primeiro semestre de 2025. Diante desse cenário promissor, a entrada da portabilidade de crédito via Open Finance tende a aprofundar os efeitos do ecossistema no dia a dia do consumidor. “Na prática, o novo modelo reduz o custo e a complexidade de trocar de instituição financeira, permitindo que o cliente busque taxas menores, prazos mais adequados e condições alinhadas ao seu perfil sem precisar renegociar do zero ou enfrentar processos presenciais”, explica Alan.
Para o consumidor, o principal benefício está na ampliação do poder de barganha. “Ao autorizar o compartilhamento de dados, o histórico financeiro passa a ser utilizado como ativo competitivo, permitindo ofertas mais personalizadas e diminuindo a dependência do relacionamento exclusivo com o banco de origem. Já para as instituições financeiras e fintechs, a portabilidade digital cria oportunidades de ampliar a base de clientes com menor custo de aquisição, além de estimular ganhos de eficiência operacional”, completa Mareines .
Segundo o Banco Central, a nova portabilidade digital deve ampliar o alcance do Open Finance e aprofundar a integração entre instituições financeiras, eliminando assimetrias de informação e barreiras operacionais que historicamente reduziram a mobilidade no mercado de crédito.
Com a troca padronizada de informações, bancos e fintechs passam a disputar o mesmo cliente com acesso equivalente aos dados autorizados, reduzindo a vantagem competitiva do banco original e pressionando o mercado por taxas mais atrativas. A expectativa é que esse ambiente aumente a concorrência e gere impactos diretos na economia real, especialmente em linhas de crédito pessoal e consignado.
“Quando falamos em portabilidade de crédito, estamos falando de dinheiro real na conta do brasileiro. A diferença entre uma taxa de 3% e 5% ao mês em um empréstimo de R$ 10 mil pode significar economia de centenas de reais ao longo do contrato. Com o processo digitalizado, essa comparação passa a ser simples e acessível”, afirma o CEO.
Como e quando acontecerá a implementação dessa ferramenta?
A portabilidade digital será implementada de forma gradual pelo Banco Central:
- Fevereiro de 2026: lançamento para crédito pessoal sem garantia ao público em geral
- Agosto de 2026: início dos testes de portabilidade para crédito consignado do setor público federal
- Novembro de 2026: lançamento ao público da portabilidade de crédito consignado
- Etapas posteriores: inclusão de outras modalidades de empréstimo






