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Febraban TechIA · Agentes de IA

Escalar IA nos bancos exige governança e revisão de processo

Painel no Febraban Tech mostrou cobrança com IA batendo o NPS humano no BV e cerca de 90% de resolução na BIA do Bradesco, sem passar para pessoas.

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Executivos de BTG Pactual, Banco BV, Bradesco e da consultoria Act Digital descreveram, em painel no Febraban Tech, a mesma passagem: a inteligência artificial que ajudava o funcionário a escrever mais rápido está virando agente que executa tarefa dentro do processo, com hora marcada para prestar contas. O debate se chamou “Do piloto ao resultado: o caminho para IA em escala nos bancos”, e a conclusão comum foi que escalar a tecnologia depende menos de ferramenta e mais de como o trabalho é organizado.

Segundo os participantes, três estágios de adoção convivem dentro da mesma instituição. A tecnologia aparece como ferramenta de produtividade individual, em assistentes e copilotos; incorporada aos processos de negócio, com agentes trabalhando ao lado de pessoas; e na própria proposta de valor, dentro dos produtos oferecidos ao cliente.

O que cada banco levou ao painel

Instituição Caso apresentado
Bradesco Cerca de 90% dos clientes resolvem a demanda na BIA sem passar para atendimento humano
Banco BV Cobrança com IA em atrasos de cerca de 15 a 20 dias, com NPS superior ao atendimento por pessoas
BTG Pactual Assistente no WhatsApp sobre camada de integrações que limita a autonomia do agente
Act Digital Maturidade medida por processo e por jornada, não pela organização inteira

Casos relatados pelos executivos no painel do Febraban Tech, em agosto de 2026.

Cobrança e atendimento saem na frente

No Banco BV, a adoção vai de agentes pessoais de produtividade a agentes departamentais e frentes de relacionamento com cliente. O caso citado por Alberto Wagner Teixeira foi a cobrança de curto prazo, para quem está com cerca de 15 a 20 dias de atraso: segundo ele, esse tipo de interação já registra NPS superior ao do atendimento feito por pessoas. O banco montou uma trilha para levar a iniciativa da prova de valor à produção, com marcos de governança e segurança, e trata os agentes como software, com versões que evoluem conforme os indicadores. O mesmo banco reduziu em 49% o tempo de proposta de financiamento.

No Bradesco, Rafael Fernandes apontou que a experiência acumulada com a BIA virou base para uma adoção mais ampla, incluindo prevenção a fraudes e desenvolvimento de produtos digitais. Cerca de 90% dos clientes que usam a assistente resolvem a demanda sem migrar para o atendimento humano. O banco também dobrou as respostas a avaliações de app com IA.

Quando a IA para de responder e começa a fazer

Para Fellipe Marques, do BTG Pactual, o ponto de virada é quando a tecnologia deixa de responder perguntas e passa a executar ações para o cliente. O banco já tem assistente no WhatsApp, mas a camada de conversa é a parte visível de uma infraestrutura maior. Para que uma conversa termine em movimentação financeira, é preciso um arcabouço de integrações e controles que garanta segurança e limite a autonomia do agente. A recomendação dele é começar pelo problema de negócio e só então definir onde a IA entra.

Frédéric Martineau, sócio e CTO da Act Digital, acrescentou um ponto operacional que costuma passar batido: jornada humana tem hora para acabar, agente não. Redesenhar processos para aproveitar as horas em que a equipe não está trabalhando muda a conta, desde que os mecanismos de controle acompanhem.

A escolha do modelo importa menos do que parece

Entre as recomendações do painel está evitar gastar tempo demais elegendo um modelo de IA definitivo. Marques defendeu arquitetura preparada para substituir modelos conforme a tecnologia evolui, e squads híbridas que juntem tecnologia, negócio e as áreas de risco e controle. O BV puxou a tecla da colaboração em ecossistema. O Bradesco apontou dois pilares: gente treinada e arquitetura flexível o bastante para conectar soluções novas e descartar as que perderem sentido. Os bancos miram R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026.

O que observar

Quando o agente deixa de sugerir e passa a executar, a pergunta muda de eficiência para responsabilidade. Cobrança automatizada e movimentação financeira iniciada em conversa são justamente os pontos em que erro de máquina vira dano ao cliente, e a régua de supervisão ainda está sendo escrita caso a caso dentro de cada instituição. Vale acompanhar se os marcos de governança citados nesse tipo de painel viram exigência formal do regulador ou seguem como boa prática interna.

Fontes: Let’s MoneyLet’s MoneyFebraban

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