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Venture CapitalRodadas e M&A · América Latina

Pátria capta R$ 550 mi e prioriza fintechs no novo fundo

Pátria conclui captação do quarto fundo de venture capital com R$ 550 milhões e prioriza fintechs, infraestrutura financeira e América Latina.

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· 4 min

Atualizado em

O Pátria concluiu a captação do quarto fundo de venture capital, com R$ 550 milhões, e colocou fintechs e infraestrutura financeira no topo da fila. Seis investimentos já saíram, e o plano é ter entre 12 e 20 empresas na carteira, com cheque médio de R$ 20 milhões a R$ 25 milhões, podendo chegar a R$ 100 milhões.

O quarto fundo do Pátria em números

Parâmetro Valor
Tamanho do fundo R$ 550 milhões
Empresas investidas previstas 12 a 20
Cheque médio R$ 20 mi a R$ 25 mi
Cheque máximo Até R$ 100 mi
Investimentos já feitos 6

Parâmetros do quarto fundo de venture capital do Pátria High Growth. Fonte: NeoFeed

A tese: tecnologia com componente financeiro

O Pátria High Growth nasceu da união entre Kamaroopin e Igah Ventures e reúne mais de US$ 500 milhões em ativos sob gestão na frente de venture capital e growth equity. A captação do novo fundo contou com um veículo estruturado para clientes da XP Investimentos e com estruturas de coinvestimento. “Entendendo as mudanças do mercado e as necessidades dos investidores, mantemos a estratégia de investir em empresas que utilizam a tecnologia para impulsionar ganhos de eficiência em seus respectivos setores”, disse Pedro Melzer, sócio do Pátria e responsável pela estratégia de high growth, ao NeoFeed.

Os seis investimentos já feitos com o fundo IV incluem a Spott, plataforma de gestão de carregadores para veículos elétricos, a Benup, de gestão de benefícios corporativos, e a Liqi, especializada em tokenização de ativos financeiros. O fio condutor, segundo Melzer, é o uso de tecnologia para resolver problemas ligados a crédito, pagamentos, infraestrutura financeira ou tokenização. A leitura da gestora é que, apesar da sofisticação que o sistema financeiro brasileiro ganhou, ainda sobra espaço para startups criarem soluções que os grandes bancos têm dificuldade de desenvolver internamente, um terreno em que fintechs de crédito com tecnologia própria vêm atraindo capital, como no caso da Credix, que captou R$ 500 milhões para escalar crédito com IA.

“Estamos avaliando oportunidades em saúde e em diversos outros setores nos quais tradicionalmente investimos, mas, neste momento, temos uma atenção especial para empresas que oferecem serviços financeiros ou infraestrutura financeira aplicados a diferentes segmentos da economia”, afirmou Melzer. A alocação segue construção gradual de portfólio: cheques iniciais menores e concentração posterior de capital nas empresas que mostram execução ao longo do tempo.

América Latina e captação em pedaços

A outra prioridade é a região. Em julho de 2026, o Pátria liderou uma rodada de US$ 60 milhões na colombiana Duppla, que opera um modelo de rent to own, no qual famílias sem entrada para financiar um imóvel pagam aluguel acrescido de uma parcela que vira participação no bem. Melzer diz que não há meta de alocação regional, e sim crescimento onde a casa já tem presença, como Colômbia, Chile e Argentina, apoiada nos mais de US$ 62 bilhões em ativos sob gestão do grupo.

O pano de fundo é um mercado mais seletivo. As startups brasileiras captaram US$ 428,6 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda anual de 36%, segundo o Venture Pulse da KPMG, enquanto o ecossistema local segue movimentando volumes relevantes, caso das startups do Cubo Itaú, que captaram R$ 1,6 bilhão em 2025. Nesse ambiente, mudou também o formato: em vez de concentrar tudo em fundos fechados, os investidores passaram a pedir veículos dedicados a oportunidades específicas. “Hoje você compõe a oferta para os investidores com fundos fechados e veículos específicos. Isso permite construir portfólios com maior afinidade e participar de oportunidades de coinvestimento”, afirmou Melzer.

O que observar

O desenho que gestoras de venture capital vêm adotando, fundo fechado somado a veículos por oportunidade, transfere parte da decisão de alocação do gestor para o investidor final. Vale acompanhar o efeito disso na disciplina de portfólio: se os cheques maiores tendem a migrar para os veículos específicos, o fundo principal fica com a diversificação e os coinvestimentos ficam com a concentração, o que muda o perfil de risco que cada investidor carrega sem que a estratégia declarada mude.

Do lado das investidas, fundos que declaram foco em infraestrutura financeira aplicada a outros setores sugerem uma próxima leva de cheques indo menos para aplicativos de consumo e mais para quem vende trilho, crédito embutido e tokenização a terceiros. A pergunta é sobre saída: com janelas de liquidez ainda estreitas, o teste dessa safra não vai ser a velocidade de alocação, e sim se existe comprador estratégico ou mercado secundário para esse tipo de ativo daqui a alguns anos.

Fontes: NeoFeedMonitor do Mercado

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