O conselho do PayPal rejeitou os US$ 60,50 por ação oferecidos por Stripe e Advent em julho de 2026, preço que avaliava a companhia em US$ 53 bilhões. As conversas não pararam. Segundo o Wall Street Journal, um acordo pode sair nas próximas semanas e criar uma das maiores plataformas de pagamentos online do mundo.
A conta da oferta pelo PayPal
| Item |
Valor |
| Oferta de Stripe e Advent |
US$ 60,50 por ação |
| Avaliação implícita do PayPal |
US$ 53 bilhões |
| Valor justo estimado pela Morningstar |
US$ 80 por ação (32% acima) |
| Avaliação da Stripe |
US$ 159 bilhões |
| Contas de consumidor do PayPal |
cerca de 430 milhões |
Oferta inicial de julho de 2026 e estimativas de valor das duas empresas. Fonte: Brazil Journal
O que trava a negociação entre PayPal e Stripe
A proposta chegou em julho, quando o Let’s Money noticiou que a Stripe fez oferta de US$ 53 bi para comprar a PayPal ao lado da gestora Advent International. O conselho considerou o preço insuficiente porque, segundo o Brazil Journal, “o preço não captura o potencial de recuperação da empresa” sob o novo comando. A Morningstar calcula valor justo de US$ 80 por ação, 32% acima do que foi colocado na mesa. O Morgan Stanley enxerga na venda “uma saída atrativa” para os acionistas.
O mercado já precificou parte disso: a ação do PayPal subiu 32,5% em julho de 2026 e fechou o mês como a terceira melhor do S&P 500. Procurada, a PayPal não comentou. Um porta-voz da Stripe afirmou que a companhia não comenta “rumores ou especulação”.
A reestruturação que Lores começou em abril de 2026
Enrique Lores assumiu o comando do PayPal em março de 2026, depois de anos na HP. Em abril de 2026, promoveu uma troca de executivos e dividiu a empresa em três unidades operacionais: soluções de checkout e PayPal, serviços financeiros ao consumidor e Venmo, e serviços de pagamento e cripto. Em maio de 2026, disse a investidores que a companhia voltaria aos fundamentos, o que passava por voltar a ser uma empresa de tecnologia, em tradução livre. O plano de corte de custos prevê reduzir o quadro de funcionários em 20% nos próximos dois a três anos.
O que observar
O ponto de atenção é a sobreposição. Uma plataforma de infraestrutura voltada a lojistas somada a uma carteira com centenas de milhões de contas de consumidor concentra as duas pontas do checkout online, e operações desse porte costumam atrair análise antitruste nos Estados Unidos e na Europa antes de fechar. Vale acompanhar se o preço final sobe o bastante para o conselho aceitar, e quanto tempo o exame regulatório adiciona ao calendário.
Do lado operacional, a pergunta é o que acontece com um plano de reestruturação no meio de uma negociação de venda. Cortar um quinto do quadro em dois a três anos é exercício de longo prazo, e trocar de dono no caminho tende a redefinir prioridades. Para lojistas que vendem para o exterior e dependem de carteiras globais no checkout, o que pesa menos é quem compra, e mais se as taxas e a taxa de aprovação mudam depois.
Fontes: TechCrunch • Brazil Journal • Yahoo Finance • Payments Dive