A Polymarket está em negociação para levantar mais US$ 400 milhões em nova rodada a uma valuation de US$ 15 bilhões, pouco mais de um mês depois de fechar aporte de US$ 600 milhões com a Intercontinental Exchange, dona da Bolsa de Nova York. A startup de mercados de predição agora vale menos do que a rival Kalshi, que alcançou US$ 22 bilhões em rodada recente de US$ 1 bilhão.
Rodadas recentes no mercado de predição
| Evento |
Valor |
Valuation |
| Aporte inicial da ICE na Polymarket |
US$ 1 bilhão |
US$ 9 bilhões |
| Aporte complementar da ICE em março de 2026 |
US$ 600 milhões |
US$ 15 bilhões |
| Rodada atual em negociação da Polymarket |
US$ 400 milhões |
US$ 15 bilhões |
| Rival Kalshi em rodada recente |
US$ 1 bilhão |
US$ 22 bilhões |
Rodadas e valuations no mercado de predição. Fonte: Bloomberg Línea
O que a Polymarket quer fazer com mais US$ 400 milhões
A Polymarket busca o novo aporte logo após assegurar US$ 600 milhões da ICE em março, quando a operadora da Bolsa de Nova York completou o compromisso anunciado no ano passado. A Intercontinental Exchange já acumula participação de aproximadamente US$ 1,6 bilhão na startup, dentro do plano original de investir até US$ 2 bilhões. A informação foi antecipada pelo The Information.
Segundo pessoas familiarizadas com as negociações, a empresa avalia fechar a rodada de US$ 400 milhões mantendo a valuation de US$ 15 bilhões, que já inclui o novo dinheiro, ou esperar por uma janela mais favorável com múltiplo maior. Polymarket e ICE declinaram comentar.
Kalshi sai na frente em valuation
Ao mesmo tempo em que a Polymarket negocia o novo aporte, a Kalshi captou US$ 1 bilhão a uma valuation de US$ 22 bilhões. As duas empresas disputam o mesmo mercado, mas operam em universos distintos: a Kalshi é regulada pela Commodity Futures Trading Commission e aberta a clientes nos Estados Unidos, enquanto a Polymarket tem como negócio principal uma bolsa internacional que hoje não aceita clientes americanos e testa um aplicativo próprio para o país.
O volume de operações da Polymarket chegou a US$ 10,6 bilhões em março, cerca de seis vezes o registrado seis meses antes. Ao anunciar a parceria da ICE com a Polymarket em outubro de 2025, o CEO da Intercontinental Exchange, Jeffrey Sprecher, afirmou que “Shayne Coplan has assembled a team at Polymarket to create a user-driven company relentlessly focused on product, building usage and distribution”.
O reflexo no Brasil
A Polymarket já é totalmente acessível a partir de IPs brasileiros e hospeda mercados dedicados ao Brasil, de eleições ao Campeonato Brasileiro. O uso pelos brasileiros cresceu a ponto de entidades do setor de bets pedirem à Secretaria de Prêmios e Apostas o bloqueio da plataforma, sob o argumento de que mercados de predição deveriam seguir a mesma regulação das casas de apostas licenciadas.
Do lado das instituições financeiras nacionais, o movimento já começou. A XP lançou mercados preditivos em parceria com a Kalshi no fim do ano passado, e o BTG levou derivativos com perfil preditivo para sua plataforma no Brasil. A aposta é de que prediction markets virem mais uma prateleira dentro de bancos e corretoras brasileiras, e não apenas um app estrangeiro.
O que observar
Três sinais valem acompanhamento. Primeiro, a arbitragem de valuation entre os principais players do setor. Com diferença atual de US$ 7 bilhões entre os dois maiores, fundos globais que precisam de exposição ao tema tendem a alocar no mais barato e esperar convergência. Se a rodada atual fechar na valuation anunciada, o spread interno sinaliza se o mercado aposta no player americano regulado ou na bolsa internacional como o ganhador estrutural.
Segundo, a arbitragem regulatória no Brasil. Plataformas internacionais seguem acessíveis via Pix e stablecoins, enquanto corretoras e bancos locais já embarcam o produto em formato regulado. Se o Ministério da Fazenda e a SPA definirem um enquadramento no médio prazo, o recado para o investidor brasileiro passa a depender de quem fica em qual lado da linha: casas de apostas, corretoras ou plataformas estrangeiras.
Terceiro, a monetização do dado. Grandes operadoras de bolsa já pagam para distribuir feeds de sentimento gerados pelas plataformas de predição a clientes institucionais, num movimento que posiciona o setor menos como aposta e mais como fonte alternativa de research. Esse vetor é o que separa o segmento de mesa de apostas esportivas, e o avanço da monetização de dados define se a tese institucional se sustenta sem depender de picos eleitorais.
Fontes: Bloomberg Línea • ICE press release • Bloomberg • Let’s Money: aporte da ICE em março • Let’s Money: Kalshi a US$ 22 bilhões • Let’s Money: XP e Kalshi no Brasil • Let’s Money: BTG mercados preditivos