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Qive atinge breakeven e pede licença de instituição de pagamento

Qive, fintech que processa quase 20% das notas fiscais do Brasil, alcança equilíbrio financeiro na virada do ano e pede licença de IP ao Banco Central.

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· 3 min

Atualizado em

Isis Abbud, cofundadora e co-CEO da Qive | Foto: Divulgação

A Qive, fintech que processa quase 20% das notas fiscais e de transporte do Brasil, atingiu o breakeven na virada de 2025 para 2026 e agora avança para serviços financeiros, com pedido de licença de instituição de pagamento já protocolado.

Qive em números

Indicador Dado
Documentos processados 8 bilhões
CNPJs na base 220 mil+
Share de NFs do Brasil ~20%
Volume movimentado/ano R$ 3 trilhões
Aporte Series B (2021) R$ 260 milhões
Meta de crescimento 2026 35%

Dados operacionais. Fontes: Valor Econômico e Brazil Economy

Como a Qive saiu de notas fiscais para pagamentos

Fundada em 2013 em São Carlos (SP) como Arquivei, a Qive nasceu quando o cofundador Christian de Cico, então diretor financeiro na construtora do pai, percebeu que a nota fiscal de um carregamento de pedra poderia ser usada para cobrar eficiência dos motoristas. “A gestão de notas é uma bagunça, e a gente viu que dava pra inverter isso, fazer a nota trabalhar para a empresa, e não a empresa trabalhar para a nota”, disse Isis Abbud, cofundadora e co-CEO.

Hoje a fintech gerencia 8 bilhões de documentos fiscais de mais de 220 mil CNPJs, movimentando cerca de R$ 3 trilhões por ano. Entre os clientes estão Arcos Dourados, Natura, C&A e iFood. Conforme reportou o Let’s Money, a empresa vem migrando do back-office documental para uma plataforma de pagamentos integrada. A companhia já executa pagamentos via provedor de banking as a service e protocolou pedido de licença de instituição de pagamento, embora ainda não tenha decidido se vai utilizá-la. A próxima frente deve ser gestão de fornecedores.

Breakeven após aporte de R$ 260 milhões

A Qive captou R$ 260 milhões em rodada Series B em 2021, liderada pela Riverwood Capital, com participação de Constellation, NXTP, Endeavor Catalyst e IFC (braço privado do Banco Mundial). Parte do capital ainda está no caixa. A empresa não prevê nova rodada, mas não descarta a possibilidade caso surja oportunidade de aquisição para acelerar a vertical de pagamentos.

Para 2026, a expectativa é crescer 35% em receita. Pequenas empresas respondem por mais de 90% do volume de transações, mas 60% da receita, e a meta é inverter esse mix nos próximos anos com maior participação de grandes clientes. A Distrito incluiu a Qive entre as fintechs com maior potencial de se tornarem unicórnio, segundo a companhia. “A nossa regrinha é sempre desenhar tudo para fazer um bom IPO. Se tiver uma saída de estratégia no meio do caminho, em um valuation que faça sentido, está bom”, disse Abbud.

O que observar

A trajetória ilustra um padrão entre fintechs B2B que usam dados transacionais acumulados como rampa para serviços financeiros. Quem processa fatia expressiva das notas fiscais de um país acumula inteligência sobre fluxos de caixa, fornecedores e prazos, e transforma gestão documental em infraestrutura de pagamentos. A decisão sobre a licença de IP será um termômetro: se ativada, sinaliza apetite para verticalizar a cadeia; se descartada, indica preferência pelo modelo de distribuição via BaaS.

Vale acompanhar como plataformas de contas a pagar que nasceram de dados fiscais vão competir com fintechs de pagamento nativas. A vantagem competitiva está no volume de documentos e na relação existente com centenas de milhares de empresas, mas a execução financeira exige competências distintas de compliance, tesouraria e risco que ainda precisam ser construídas.

Fontes: Valor EconômicoBrazil EconomyBagueteLet’s MoneyLet’s Money BaaS

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