A Quadra Capital, gestora especializada em ativos ilíquidos que fechou memorando de entendimento com o BRB para gerir um fundo de R$ 15 bilhões com ativos oriundos do banco Master, administra hoje 44 fundos com R$ 3,9 bilhões de 336 investidores qualificados, mais de R$ 1,25 bilhão deles de não residentes.
Quadra Capital: principais investidores (2025)
| Tipo de investidor |
Capital alocado |
| Não residentes |
> R$ 1,25 bilhão |
| Outros fundos de investimento |
R$ 1,36 bilhão |
| Empresas |
R$ 407,4 milhões |
| Outras instituições financeiras |
R$ 116,2 milhões |
| Pessoas físicas (Brasil) |
R$ 98,1 milhões |
Principais investidores da Quadra Capital. Fonte: UOL Economia
Especialista em ilíquidos desde 2017
A gestora opera há nove anos com uma estratégia única: comprar ativos que não podem ser vendidos ou convertidos em dinheiro rapidamente, ou que só encontram compradores com desconto, burocracia ou prazos longos. Precatórios, direitos creditórios de ações judiciais e créditos não pagos são a matéria-prima do negócio. “A estratégia é fazer a alocação de recursos de longo prazo em ativos de baixa liquidez. O objetivo é lucrar ao monetizar ativos ilíquidos. Para isso, a Quadra usa a flexibilidade do capital para criação de valor para as contrapartes”, afirma o Formulário de Referência 2025, apresentado à CVM.
A gestora já aplicou essa lógica em infraestrutura: adquiriu concessões portuárias no Espírito Santo e no Paraná. Agora, vai estruturar um FIDC com carteiras de crédito da Credcesta, participações em Oncoclínicas e Ambipar e outros ativos que o BRB recebeu do banco Master. O BC havia identificado 36 empresas ligadas a desvios de R$ 11,5 bilhões no Master, o que dá a dimensão da complexidade do portfólio que a gestora vai herdar.
De onde vem o capital da Quadra
Dos R$ 3,9 bilhões sob gestão ao fim de 2025, mais de R$ 2,5 bilhões estão concentrados em não residentes (acima de R$ 1,25 bilhão) e em outros fundos de investimento (R$ 1,36 bilhão). Pessoas físicas brasileiras respondem por R$ 98,1 milhões, com empresas e outras instituições financeiras somando R$ 523,6 milhões. Todos os 336 investidores são qualificados: ao menos profissionais ou pessoas físicas com mais de R$ 1 milhão disponível para investir.
A concentração de capital estrangeiro na Quadra é um sinal de mercado relevante: dinheiro internacional não residente no Brasil está apostando que ativos ilíquidos e estressados do sistema financeiro brasileiro podem ser monetizados com retorno. O portfólio ao fim de 2025 dividia-se entre ações (R$ 1,6 bilhão) e “outros ativos” (R$ 1,97 bilhão), categoria que concentra a especialidade ilíquida da casa.
O que observar
O principal teste da operação é de escala: a gestora vai assumir uma carteira de R$ 15 bilhões, quatro vezes o total que administra hoje. Ativos ilíquidos exigem estrutura operacional para monetização, e o histórico relevante é em portfólios muito menores. Se a capacidade de execução não acompanhar o tamanho, o cronograma de recuperação, e o valor das cotas subordinadas que o banco público vai reter, sofre impacto direto.
O interesse de capital estrangeiro em um fundo desse tipo abre uma questão de precificação: a que taxa de desconto os não residentes estão dispostos a entrar, e se essa expectativa está alinhada com o valor implícito no acordo de R$ 15 bilhões sobre ativos com valor de face de R$ 20 bilhões a R$ 21 bilhões. Acompanhar também se outras gestoras que demonstraram interesse no processo vão entrar como cotistas sênior ou se a estrutura manterá gestora exclusiva.
Fontes: UOL Economia • Agência Brasil • Let’s Money • Let’s Money