A Relay, plataforma bancária para pequenas e médias empresas com 150 mil clientes e US$ 1,3 bilhão em depósitos, captou US$ 50 milhões em financiamento não dilutivo do Customer Value Fund da General Catalyst para acelerar a aquisição de clientes nos Estados Unidos em 2026.
Relay em números (maio 2026)
| Indicador |
Valor |
| Clientes PMEs |
150 mil |
| Depósitos gerenciados |
US$ 1,3 bi |
| Banco parceiro |
Thread Bank |
| Cobertura FDIC por empresa |
até US$ 3 mi |
| Projeção de receita (2026 vs 2024) |
3x |
Fonte: Finextra
Um fundo não dilutivo como alavanca de crescimento
O financiamento vem do Customer Value Fund (CVF) da General Catalyst, um veículo que disponibiliza capital de forma não dilutiva via compartilhamento de receita com teto definido, estruturado especificamente para aquisição de clientes. O modelo difere de rodadas tradicionais de equity: a empresa escala sua base sem abrir participação acionária adicional. O investimento anterior, a Série B de US$ 32,2 milhões de maio de 2024, será direcionado para inovação de produto.
Yoseph West, CEO da Relay, afirmou: “Este investimento é a faísca que impulsionará nossa marca e presença no mercado, para que possamos levar clareza no fluxo de caixa a ainda mais pequenas empresas americanas.” A plataforma conecta contas, cartões, contas a pagar, faturas e capital em um único ambiente, com integrações ao QuickBooks e Xero. Os depósitos são custodiados pelo Thread Bank, que usa a rede IntraFi para distribuir valores acima de US$ 250 mil, estendendo a cobertura da FDIC para até US$ 3 milhões por empresa.
Disputa pelo banco das PMEs nos EUA
O segmento bancário para PMEs americanas concentra apostas de escala. A Mercury, com mais de 300 mil clientes e receita anualizada acima de US$ 650 milhões, pediu autorização para se tornar banco nacional perante o OCC em dezembro de 2025. A Brex está sendo adquirida pela Capital One por US$ 5,15 bilhões. A Ramp, com receita anualizada superior a US$ 1 bilhão, avança sobre tesouraria e depósitos depois de consolidar gestão de despesas. PMEs americanas têm trocado software por finanças integradas, favorecendo plataformas que combinam conta, crédito e gestão em um único ambiente.
A Relay se posiciona em um recorte específico: o pequeno empresário que precisa de visibilidade sobre fluxo de caixa, não apenas de cartões corporativos ou crédito. O diferencial declarado é a integração entre contas, pagamentos a fornecedores, cobrança e poupança, com até 20 contas correntes e 50 cartões com limites por função. A construção de infraestrutura para ampliar crédito às PMEs tem sido a aposta de diferentes modelos de negócio no setor.
O que observar
O modelo de financiamento não dilutivo via compartilhamento de receita com teto definido introduce uma variável diferente na lógica de capital para fintechs em fase de escala: retorno atrelado à receita operacional, não a evento de saída por IPO ou aquisição. Para plataformas com unit economics já positivos, o custo pode ser mais barato que equity no longo prazo. Vale acompanhar se gestoras de venture capital replicam o modelo para fintechs de serviços financeiros a PMEs, dada a previsibilidade de receita nesse segmento.
A tração de 150 mil clientes e US$ 1,3 bilhão em depósitos é expressiva para uma plataforma focada em PMEs, mas os concorrentes diretos operam em escala significativamente maior e têm marcas mais consolidadas. O capital de aquisição liberado vai ser testado em um mercado onde os principais players também têm acesso a capital abundante. O indicador a observar é a eficiência de aquisição: se o custo por cliente cair com o novo aporte, o modelo se valida. Se não, o compartilhamento de receita com a gestora pode se tornar um peso antes que a escala chegue.
Fontes: Finextra • Relay Blog • Let’s Money • Let’s Money