O Santander Brasil informou ter alcançado 76,2 milhões de clientes ao fim do primeiro semestre, alta de 6% em 12 meses e de 1% no trimestre. Os ativos subiram a 34,4 milhões. O avanço da base veio num trimestre de lucro menor e de estrutura mais enxuta, com o banco reforçando a aposta na principalidade.
Santander Brasil no 2º trimestre de 2026
| Indicador |
2T26 |
Variação anual |
| Clientes totais |
76,2 milhões |
+6% |
| Clientes ativos |
34,4 milhões |
+3% |
| Receita de serviços e tarifas |
R$ 5,334 bi |
+2,5% |
Indicadores do Santander Brasil no 2º trimestre de 2026. Fonte: Valor Econômico
A base cresce, o lucro recua
A leitura do banco separa o crescimento da base do resultado do período. O lucro líquido gerencial ficou em R$ 3,014 bilhões, 20,4% menor que no primeiro trimestre e 17,6% abaixo do apurado um ano antes, aquém dos R$ 3,671 bilhões projetados pelos analistas ouvidos pelo Valor. Mesmo assim, o discurso é de continuidade estratégica.
“Seguiremos concentrados nos três pilares da principalidade: transacionalidade, crédito e investimentos”, diz o Santander em nota, ao descrever a evolução do modelo de negócios em torno de jornadas mais integradas e ofertas por perfil de cliente. É a mesma tese que sustenta o reforço no atendimento a pequenas empresas anunciado no mês.
Onde entra a receita, e onde a estrutura encolhe
A arrecadação com serviços e tarifas ficou em R$ 5,334 bilhões, 1,9% menor na margem e 2,5% maior que um ano antes. A maior fatia vem de cartões, R$ 1,638 bilhão, com ganho de 5% no trimestre. Seguros renderam R$ 1,063 bilhão (4,8% a menos) e a conta corrente, R$ 825 milhões (3,5% a menos). No crédito, que é um dos pilares da principalidade, o banco também disputa espaço com novos entrantes no financiamento de veículos.
Do outro lado, a estrutura ficou mais leve. Ao fim de junho, o quadro somava 47.327 pessoas, 6.591 a menos que um ano antes, e a rede física recuou a 1.589 unidades de atendimento, 357 abaixo do registrado 12 meses atrás. A folha de pessoal caiu 1,8% na margem, enquanto a eficiência (onde um número menor é melhor) subiu a 39,3%, ante 36,8% um ano antes.
O que observar
O contraste do trimestre está entre uma base que cresce e uma estrutura que encolhe. Quando um banco de varejo ganha clientes ao mesmo tempo em que reduz quadro e pontos físicos, a aposta implícita é que o digital e a automação sustentam o atendimento de uma base maior com menos gente. O teste, nos próximos trimestres, será se a eficiência volta a melhorar sem que satisfação e principalidade parem de avançar. Para os incumbentes de varejo, a pergunta de fundo é quanto do crescimento de clientes vira receita recorrente, e não apenas cadastro na base.
Fontes: Valor Econômico • InfoMoney • Let’s Money