O lucro do Santander Brasil encolheu no segundo trimestre: o resultado gerencial recuou 20,4% em três meses e 17,6% em um ano, abaixo do que o mercado projetava e pressionado pela disparada das provisões para calotes. Os valores completos estão no quadro abaixo.
Santander Brasil no 2º trimestre de 2026
| Indicador |
2T26 |
Variação no trimestre |
| Lucro líquido gerencial |
R$ 3,014 bi |
-20,4% |
| Margem financeira bruta |
R$ 15,341 bi |
-3,0% |
| Provisões (PDD) |
R$ 7,654 bi |
+20,6% |
| ROE (excluído ágio) |
12,5% |
-3,5 p.p. |
Resultados do Santander Brasil no 2º trimestre de 2026. Fonte: Valor Econômico
Provisões pressionam o resultado
O principal peso veio das provisões. A conta com devedores duvidosos saltou mais de um quinto em três meses e comeu boa parte do resultado, enquanto a margem financeira encolheu no período (os números completos estão no quadro acima). Diante do quadro, o banco assumiu abertamente uma postura mais cautelosa. “Eu gostaria de ter receitas ‘bombando’, mas a realidade é que, com as dúvidas que temos no macro, prefiro jogar um pouco mais seguro, mesmo que isso esteja custando no curto prazo”, afirmou Carlos Muñiz, vice-presidente financeiro que chegou ao cargo em abril de 2026 e comandou a teleconferência de resultados.
O J.P. Morgan calculou que o lucro antes de impostos ficou 43% aquém do previsto, com efeito negativo esperado adiante. Muñiz indicou que a carteira deve crescer pouco no curto prazo, sem apostas que possam gerar “uma conta a pagar no futuro”.
Primeiro balanço do novo CEO
Foi o primeiro resultado divulgado desde a chegada de Gilson Finkelsztain ao comando, no início de julho de 2026, no lugar de Mario Leão. O novo executivo não participou da teleconferência e ainda não apresentou suas prioridades estratégicas. Enquanto isso, o retorno sobre o patrimônio (ROE), excluído o ágio, despencou para 12,5%, o menor patamar em pelo menos um ano, o que deixa a meta de 20% cada vez mais distante.
Muñiz não se mostrou otimista com uma virada rápida e projetou que as provisões devem seguir pressionadas, com eventual inflexão apenas no início de 2027. Para reforçar a rentabilidade, o banco vem deslocando a carteira para linhas mais rentáveis, como cartões e o crédito a pequenas empresas. A carteira de crédito ampliada seguiu em leve expansão, com avanço de 1,3% no trimestre, enquanto a inadimplência de pessoa física subiu para 5,1%.
O que observar
O movimento expõe um dilema comum aos grandes bancos de varejo em um ciclo de juros altos e crédito mais arriscado: sacrificar receita no curto prazo para blindar o balanço, ou perseguir crescimento e conviver com provisões maiores. Vale acompanhar se a postura defensiva se espalha entre os incumbentes ou se fica restrita a quem já vê a inadimplência subir em segmentos como pequenas empresas e pessoas físicas de baixa renda. O teste será o calendário: executivos do setor têm sinalizado que uma virada nas provisões só viria no início de 2027, o que, se confirmado, mantém a rentabilidade pressionada por vários trimestres e adia metas de retorno mais ambiciosas.
Fontes: Valor Econômico • InfoMoney • Let’s Money • Let’s Money