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SegurançaInternacional · Fraudes

Starling trava app bancário quando o celular é roubado

Starling passou a usar o sensor de movimento do celular para congelar o app quando o aparelho é roubado, tentando barrar a fraude na origem.

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· 3 min

Atualizado em

Credit: T. Schneider / Shutterstock.com

O Starling Bank passou a usar o sensor de movimento do celular para congelar o próprio app assim que o aparelho é arrancado da mão do cliente. É a primeira vez que um banco no Reino Unido aplica esse tipo de defesa, batizada de “Snatch-theft detector”, numa tentativa de cortar o roubo de celular antes que ele vire fraude bancária.

Como o sensor de movimento trava o app

A tecnologia lê a aceleração captada pelo próprio smartphone. Quando identifica um puxão brusco, típico de quem arranca o aparelho a pé, de bicicleta, de moto ou de dentro de um carro, o app da Starling é bloqueado na hora. Para reabrir, o cliente precisa confirmar a identidade com rosto, digital ou senha, o que impede o criminoso de acessar dados da conta ou esvaziar o saldo sem passar pela biometria.

O recurso saiu junto com o “Safe locations”, que passa a exigir uma verificação biométrica para sacar valores guardados quando o cliente está fora de endereços marcados como seguros. Se o saque parte do endereço de casa, cadastrado como local seguro, a operação segue sem atrito.

Roubo de celular vira problema de banco

O lançamento responde a uma escalada de crimes. Dados da própria Starling apontam alta de 64% nos valores perdidos com roubo por arranco e “shoulder surfing” em junho, julho e agosto de 2025, via faster payments. No pano de fundo, a Office for National Statistics registrou cerca de 272 mil roubos de celular reportados no Reino Unido no ano encerrado em março de 2025.

Roubo de celular no Reino Unido em números

Indicador Número
Roubos de celular reportados (ano até março de 2025) 272 mil
Alta nas perdas por arranco e shoulder surfing (jun a ago de 2025) +64%
Clientes cobertos pelas novas ferramentas da Starling 5 milhões

Indicadores de roubo de celular no Reino Unido e base de clientes da Starling. Fonte: Financial IT

“Estamos vendo que os consumidores estão sendo impactados, porque eles nos ligam e dizem: meu celular foi roubado”, disse Harriet Rees, chief information officer da Starling (em tradução livre). Segundo ela, mesmo quando o criminoso não consegue entrar no app, o cliente ainda enfrenta o transtorno de ter o aparelho levado.

A aposta no sensor do aparelho amplia uma frente que os bancos já vinham reforçando no software. A própria Starling havia levado ao app uma IA que identifica 11 tipos de golpe, e a biometria virou padrão do setor: o reconhecimento facial já chega a 84% dos bancos, segundo a EY. No Brasil, o vetor é conhecido: entidades do setor apontam a engenharia social como frente crítica no Pix, combinação frequente com o roubo do celular já desbloqueado.

O que observar

A mudança desloca parte da defesa do login para o próprio hardware do aparelho, um terreno em que fabricantes de smartphone, bancos digitais e fintechs passam a disputar sinais como movimento e localização. A pergunta é se a leitura de sensor e a trava por biometria viram padrão de mercado ou ficam restritas a poucos players, e como os reguladores vão tratar a responsabilidade quando a fraude começa com um aparelho desbloqueado na rua.

No Brasil, onde o Pix é o trilho dominante, o desafio é o mesmo: barrar a transação no intervalo entre o roubo do celular e o primeiro pagamento. Se as defesas migram para o nível do dispositivo, a corrida passa a ser por ler o gesto do crime antes que o dinheiro saia da conta.

Fontes: FinextraFinancial IT

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