A Stripe e a casa de private equity Advent International fizeram uma oferta conjunta de cerca de US$ 53,4 bilhões para comprar a PayPal. As duas processam pagamentos no mercado brasileiro de compras online, e a união criaria um gigante capaz de redesenhar a disputa global do setor.
PayPal e Stripe em números (2025)
| Empresa |
Volume de pagamentos (2025) |
Escala |
| PayPal |
US$ 1,8 trilhão |
~440 milhões de contas ativas |
| Stripe |
US$ 1,9 trilhão |
Avaliação de US$ 159 bilhões (início de 2026) |
Dados de 2025 de PayPal e Stripe. Fonte: TechCrunch
Uma oferta bilionária, mas ainda sem resposta
A proposta foi apresentada no início do mês e noticiada primeiro pela Reuters. Pelos termos, a Stripe e a Advent teriam participação igual na PayPal, com cerca de US$ 50 bilhões em financiamento bancário comprometido. O preço oferecido é de US$ 60,50 por ação, um prêmio de 28% sobre o fechamento anterior da PayPal. A operação entraria entre as maiores da história das fintechs.
A PayPal ainda não se pronunciou publicamente sobre a oferta. Não é a primeira aproximação: em fevereiro de 2026, relatos já apontavam conversas preliminares da Stripe pela dona do PayPal, sem proposta formal na ocasião. Para analistas, o valor pode ser apenas o ponto de partida. “Se a oferta atual for uma investida inicial, podemos ver a Stripe e a Advent chegarem a até US$ 70 por ação“, disse Andrew Jeffrey, analista do William Blair, em relatório (em tradução livre).
O que a fusão juntaria
Somadas, as duas empresas formam uma das maiores bases de pagamento do mundo. A PayPal movimentou US$ 1,8 trilhão em 2025 e serve cerca de 440 milhões de contas ativas, e vem expandindo sua stablecoin para pagamentos entre empresas. A Stripe processou US$ 1,9 trilhão no mesmo ano e chegou a uma avaliação de US$ 159 bilhões no início de 2026.
As duas seguem apostando em novas frentes para além da maquininha e do checkout tradicional. A Stripe, por exemplo, liberou US$ 150 milhões em crédito para contadores e vem ampliando serviços financeiros ligados a IA. Uma junção das duas concentraria em um só grupo a infraestrutura de cobrança de milhões de lojistas e a base de consumidores de uma das carteiras digitais mais conhecidas.
O que observar
Operações desse porte no setor de pagamentos costumam atrair escrutínio de reguladores de concorrência em vários países, e a pergunta é quanto isso alonga ou condiciona um eventual fechamento. Vale acompanhar se uma oferta inicial evolui em preço, como sugerem análises de mercado, e se o conselho da empresa-alvo abre negociação ou resiste.
Há também a leitura de consolidação: quando duas grandes processadoras se juntam, lojistas e adquirentes menores passam a negociar com um fornecedor de escala ainda maior, o que pode mexer em condições de tarifa e na disputa com carteiras digitais e esquemas de bandeira. Para o mercado brasileiro, onde ambas atuam em compras online, o desenho final define com quem os lojistas locais vão negociar integração e custo.
Fontes: TechCrunch • CoinDesk • Tech Startups • Let’s Money