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UBS tem prejuízo de R$ 500 mi no Brasil após fusão

Integração com Credit Suisse enfrenta choques culturais, perda de clientes e queda na captação líquida no mercado brasileiro

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· 2 min

Atualizado em

REUTERS/Arnd Wiegmann

A operação de wealth management do UBS no Brasil registrou prejuízo de cerca de R$ 500 milhões em 2024, segundo apuração do NeoFeed. O resultado negativo expõe as dificuldades enfrentadas pelo banco suíço na integração com o Credit Suisse, adquirido em 2023, e levou a uma reestruturação completa da liderança na América Latina.

Choques culturais entre profissionais das duas instituições, alta rotatividade de clientes e queda na captação líquida marcaram o primeiro ano da fusão no país. Fontes próximas à operação atribuem parte das perdas aos investimentos em tecnologia e integração, mas reconhecem que apenas as contas offshore de brasileiros administradas na Suíça têm gerado retorno consistente.

Reestruturação concentra poder em ex-executivos do Credit Suisse

A reorganização anunciada pelo UBS centralizou o comando regional em Marcello Chilov, executivo vindo do Credit Suisse. Rafael Gross assumiu a responsabilidade pelo mercado brasileiro, enquanto Luiz Alberto Borges, fundador da Consenso, passou a diretor de desenvolvimento de negócios. A mudança evidencia o que profissionais do mercado chamam de “reverse takeover” – executivos do banco comprado assumindo posições-chave no comprador.

Segundo o NeoFeed, grandes lideranças do UBS original já deixaram a operação, incluindo Bruno Barino, ex-co-CEO da UBS Consenso e atual CEO da BlackRock no Brasil.

Private banking perde um terço da custódia

O segmento de private banking, que veio do Credit Suisse com aproximadamente R$ 250 bilhões sob custódia, encolheu significativamente. Estimativas de mercado apontam que a operação mantém hoje cerca de R$ 160 bilhões, com boa parte concentrada em caixas corporativos que pagam taxas reduzidas.

A UBS Consenso, family office do banco, também enfrenta dificuldades. A cobrança de taxas abaixo do mercado, entre 0,3% e 0,5% ao ano, compromete a rentabilidade sem escala suficiente. O cenário lembra o caso do Julius Baer, que vendeu sua operação brasileira de R$ 61 bilhões ao BTG Pactual por R$ 615 milhões em 2024.

Em nota, o UBS afirmou que a reorganização faz parte de uma evolução do modelo de wealth management na região, visando aproximar decisões dos mercados locais. O banco não comentou os resultados financeiros e não quis dar entrevista sobre o tema.

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