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Visa fecha cerco a golpes com US$ 2,6 bi rastreados

Unidade antigolpe da Visa identificou US$ 2,6 bi em tentativas de fraude desde a criação e mapeou 22% mais golpes no 2º semestre de 2025 no mundo.

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· 3 min

Atualizado em

Melinda Nagy / Shutterstock.com

A unidade antigolpe da Visa, batizada de Visa Scam Disruption (VSD), identificou mais de US$ 2,6 bilhões em tentativas de fraude desde sua criação, há pouco mais de dois anos. No segundo semestre de 2025, o time mapeou 22% mais golpes que no mesmo período do ano anterior, num cenário em que o Brasil já contabiliza R$ 10,1 bilhões em perdas com golpes.

Visa Scam Disruption em números

Indicador Valor
Tentativas de fraude identificadas desde a criação US$ 2,6 bilhões
Alta nos golpes mapeados no 2º semestre de 2025 +22%
Comerciantes ligados à rede de golpe de “pesquisa” ~1.000
Adquirentes europeus envolvidos 21
Ganhos fraudulentos da rede desarticulada US$ 100 mi (€ 85 mi)

Números globais da prática Visa Scam Disruption desde sua criação. Fonte: Finextra

Como a Visa rastreia golpes antes do pagamento

A VSD é um time especializado em detectar e interromper golpes antes que cheguem ao consumidor. A operação cruza dados e inteligência de toda a rede da Visa para apontar atividade suspeita que sinaliza fraudes organizadas, mesmo quando a transação parece legítima. A partir desses padrões, o grupo investiga as redes criminosas por trás dos golpes e atua com bancos, parceiros e autoridades para desarticulá-las.

Um dos casos recentes foi um golpe de “pesquisa” que circulava em redes sociais, prometendo produtos como caixas de beleza, câmeras digitais e kits de ferramentas a preços de oferta. Após a compra inicial, o cliente era inscrito sem saber em cobranças recorrentes de valores bem mais altos. O time da Visa identificou cerca de 1.000 comerciantes diferentes em 21 adquirentes europeus e desarticulou uma rede responsável por aproximadamente US$ 100 milhões (€ 85 milhões) em ganhos fraudulentos.

“Golpes são globais, adaptáveis e velozes, e combatê-los exige o mesmo […] Os US$ 2,6 bilhões em atividade de golpe que identificamos mostram tanto a escala do desafio quanto o valor de interrompê-lo na origem”, disse Michael Jabarra, vice-presidente sênior de Risco e Controle do Ecossistema de Pagamentos da Visa (em tradução livre). A lógica de barrar fraudes em tempo real ganhou tração no setor: outros bancos também acionam agentes de inteligência artificial contra golpes em tempo real, e instituições brasileiras já alertam empresas sobre golpes enquanto eles acontecem.

O peso dos golpes no Brasil

O movimento global encontra eco em um dos maiores mercados da rede. A Visa opera no Brasil, onde recentemente estreou uma plataforma de pagamentos corporativos sem cartão físico. No país, os golpes financeiros somaram R$ 10,1 bilhões em 2024, alta de 17% ante os R$ 8,6 bilhões de 2023, segundo a Febraban. Só nas fraudes que passam pelo Pix, o prejuízo cresceu 43% e chegou a R$ 2,7 bilhões.

A maior parte dessas perdas vem de engenharia social, quando o criminoso manipula a vítima para obter dados ou autorizar transferências, e não de invasão dos aplicativos bancários. É o mesmo padrão que a VSD descreve em escala global: transações que parecem legítimas porque foram autorizadas pelo próprio cliente, sob pressão ou engano.

O que observar

Se a detecção na origem amadurecer, o ponto de atenção passa das redes de cartão para os adquirentes e bancos que ficam na ponta do fluxo. Quando uma bandeira identifica um anel de comerciantes fraudulentos, são os credenciadores que precisam encerrar contratos, devolver valores e revisar processos de cadastro. Vale acompanhar se o custo de compliance dessa limpeza recai mais sobre adquirentes de médio porte, que concentram carteiras heterogêneas de lojistas.

A pergunta operacional é se a inteligência compartilhada entre redes globais e instituições locais reduz o intervalo entre a primeira cobrança fraudulenta e o bloqueio, hoje o principal gargalo em golpes baseados em engenharia social. Reguladores e o ecossistema de pagamentos terão de definir quem responde quando o pagamento foi tecnicamente autorizado pela vítima, um ponto ainda sem desenho claro de responsabilidade.

Fontes: FinextraVisaPoder360Convergência Digital

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