Ir para o conteúdo

Banco Masterbanco central · Banco Central

Vorcaro tentou comprar Máxima com dinheiro do próprio banco

Votos do BC obtidos via LAI mostram triangulação de recursos do próprio Máxima. Vorcaro foi aprovado 8 meses depois pelo mesmo órgão em 2019.

por

· 4 min

Atualizado em

Um voto do BC obtido pelo Valor via Lei de Acesso à Informação apontou em 2019 uso de recursos do próprio Banco Máxima para financiar sua compra por Daniel Vorcaro. O mesmo órgão aprovou a operação oito meses depois, na gestão Roberto Campos Neto.

Os valores que aparecem nos dois votos do BC

Operação Valor
Aporte do FGC (dez/2017) R$ 15,447 milhões
Reavaliação de imóvel da WWS Holding de R$ 1,9 milhão para R$ 92,3 milhões
Reavaliação de imóvel da Superávit Participações de R$ 10,6 milhões para R$ 67,3 milhões
Aportes de capital aprovados (mar-jun/2019) R$ 100 milhões

Dados dos votos BCB 20/2019 e 218/2019. Fonte: Valor

Os dois votos do BC sobre o Máxima

O voto BCB nº 20/2019, de 13 de janeiro daquele ano, assinado pelo então diretor de Organização do Sistema Financeiro, Sidnei Corrêa Marques, rejeitou a compra do Banco Máxima. Dois argumentos sustentaram a negativa: falta de comprovação da origem dos recursos e falta de capacidade financeira para assumir o controle. “A fiscalização deste Banco Central apurou que expressiva parcela de recursos para realizar a aquisição das ações do atual controlador foi originada no próprio Banco Máxima, mediante transferências em sequência de recursos entre a instituição, empresas de propriedade de Daniel Vorcaro e fundos de investimentos”, afirma o voto.

Oito meses depois, o voto BCB nº 218/2019, de 14 de outubro, assinado por João Manoel Pinho de Mello já sob Roberto Campos Neto, aprovou a operação. Pinho de Mello citou aportes de capital deliberados entre março e junho de 2019 que somaram R$ 100 milhões. “A origem dos recursos foi regularmente demonstrada por todos os novos acionistas”, afirmou o voto aprovatório. O diretor também justificou a revisão com base em fluxo de caixa futuro e laudos de avaliação a valor de mercado dos investimentos, que antes não haviam sido considerados. O Let’s Money detalhou como o BC passou do veto ao aval na compra do Máxima.

O caminho do dinheiro até o Máxima

Os recursos tinham origem na Viking Participações, empresa do banqueiro que recentemente se tornou conhecida por ser proprietária de jatinhos usados por Vorcaro. A Viking teve valorização patrimonial rápida a partir de laudos de reavaliação de imóveis detidos por duas controladas. O valor de uma propriedade da WWS Holding S/A passou de R$ 1,9 milhão para R$ 92,3 milhões, um ganho de 4.800% segundo o voto. Outra propriedade, da Superávit Participações S/A, foi de R$ 10,6 milhões para R$ 67,3 milhões, uma valorização de mais de 600%, também segundo o voto.

Com esses ganhos, a Viking fez um aporte no fundo Brazil Realty, que por sua vez comprou a participação do antigo controlador do Máxima, Saul Dutra Sabbá. O voto de 2019 traz indícios de que o Brazil Realty teria recebido recursos do próprio Banco Máxima, mas os trechos que descreviam essa operação foram cobertos por tarjas antes de o documento ser liberado via LAI. Em dezembro de 2017, Vorcaro também recebeu aporte de R$ 15,447 milhões do Fundo Garantidor de Crédito para comprar participação no banco, segundo os votos. Reportagem do Poder360 mostrou que quatro ex-diretores do BC mudaram de posição sobre a operação entre fevereiro e outubro daquele ano. Segundo o Let’s Money, a delação de Vorcaro prevê ressarcimento bilionário no caso Master.

O que observar

Reavaliações patrimoniais rápidas via laudos usadas como prova de capacidade financeira são ponto sensível da avaliação de candidatos a controladores de bancos médios. Quando o mesmo dossiê patrimonial é rejeitado e depois aceito em menos de um ano, a pergunta que fica é se a trilha documental entre Deorf, colegiado e supervisão deixa claro qual critério adicional mudou, e se isso é auditável fora dos trechos cobertos por tarjas.

Vale acompanhar como o Banco Central está recalibrando exigências para autorização de controle acionário: uso de fundos imobiliários fechados como veículo de integralização, tratamento dado a laudos de reavaliação com saltos de múltiplos dígitos e critérios para dispensa de análise reputacional por economia processual. O próximo teste prático serão as novas regras de depósitos garantidos do FGC, em tramitação, e o desenho de supervisão prudencial que saia das apurações parlamentares e das delações em curso.

Fontes: ValorPoder360Let’s Money – Como o BC passou do veto ao aval na compra do MáximaLet’s Money – Delação de Vorcaro prevê ressarcimento bilionário

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.