A XP fechou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado recorde de R$ 1,384 bilhão, alta de 5% tanto sobre o trimestre anterior quanto sobre o mesmo período de 2025. A captação líquida somou R$ 28 bilhões, quase o triplo dos R$ 10 bilhões registrados 12 meses antes.
XP no 2º trimestre de 2026
| Indicador |
2T26 |
Variação |
| Lucro líquido ajustado |
R$ 1,384 bi |
+5% no trimestre e em 12 meses |
| Receita bruta |
R$ 5,056 bi |
+2,8% no trimestre, +8% em 12 meses |
| Captação líquida |
R$ 28 bi |
R$ 10 bi no 2T25 |
| Ativos sob custódia |
R$ 1,535 tri |
Estável no trimestre, +12% em 12 meses |
| Carteira de crédito |
R$ 77,9 bi |
R$ 29,1 bi com garantia |
Resultados do segundo trimestre de 2026. Fonte: Valor Econômico
O que sustentou o lucro recorde da XP
A receita bruta cresceu 2,8% no trimestre, para R$ 5,056 bilhões, com alta de 8% em 12 meses. O banco de atacado respondeu por R$ 1,175 bilhão do total, avanço de 32% na comparação anual, enquanto o varejo manteve o ritmo de captação que a administração trata como meta informal, de R$ 20 bilhões a cada trimestre. O retorno sobre o patrimônio ficou em 22,5%, expansão de 80 pontos-base ante o trimestre anterior, e os ativos totais de clientes chegaram a R$ 2,2 trilhões, com crescimento de 17% em 12 meses.
Os ativos sob custódia somaram R$ 1,535 trilhão, estáveis no trimestre e 12% acima de um ano atrás. O mix de produtos já migrou majoritariamente para renda fixa, em opções atreladas à Selic e com liquidez, e a leitura da companhia é de que não há espaço para piora adicional nessa composição. “Independentemente do cenário que venha pela frente, nos próximos trimestres, meses, ou ano, deveria começar a haver um ponto de inflexão das pessoas realmente diversificando de novo a carteira, alongando, se expondo mais”, disse Thiago Maffra, CEO da XP, em conferência com a imprensa.
Crédito conservador e plano de banco nos Estados Unidos
Enquanto os grandes bancos sinalizaram cautela com o comportamento do crédito no segundo semestre, Maffra afirmou que a exposição da XP a operações sem garantia é menor e praticamente zero no varejo. A carteira somava R$ 77,9 bilhões ao fim do semestre, sendo R$ 29,1 bilhões com garantia e R$ 38,1 bilhões em títulos corporativos. Segundo o executivo, não há no estoque ativos de companhias em recuperação judicial ou extrajudicial. O contraste aparece no mesmo trimestre em que o BTG reportou lucro recorde com expansão da carteira de crédito.
Maffra também disse haver planos para ter um banco nos Estados Unidos como complemento da estratégia de internacionalização dos investimentos dos clientes, sem formalização até agora e com dois caminhos possíveis, licença bancária ou aquisição. Ao NeoFeed, o CEO afirmou: “Temos estudado alternativas entre pedir uma licença e comprar uma instituição já constituída”. A recomendação de alocação para clientes pessoa física hoje é de pelo menos 15% do patrimônio no exterior. É um caminho que outras instituições brasileiras já percorreram: o Inter conseguiu licença para operar banco nos Estados Unidos e o Itaú pediu licença para operar como banco no país, enquanto a Wise teve o pedido negado pelo regulador americano.
Na gestão de capital, a companhia concluiu o programa de recompra de R$ 1 bilhão, iniciou a execução de um novo programa do mesmo valor e pagou aproximadamente R$ 500 milhões em dividendos no período.
O que observar
O trimestre coloca em teste uma tese que atravessa todas as plataformas de investimento no Brasil: se a concentração em renda fixa pós-fixada, construída ao longo do ciclo de juros altos, começa a se desfazer. A composição da carteira dos clientes define margem, porque produtos de maior duração e maior risco pagam taxas diferentes de instrumentos atrelados à Selic com liquidez diária. Vale acompanhar se a captação líquida se sustenta nesse patamar nos próximos trimestres ou se foi movimento pontual de migração entre instituições.
No crédito, a diferença de exposição entre plataformas de investimento e bancos de balanço tende a aparecer nos indicadores de inadimplência dos próximos dois trimestres, com efeito assimétrico entre quem carrega risco sem garantia no varejo e quem opera via mercado de capitais. E a busca por licença bancária nos Estados Unidos por instituições brasileiras esbarra em prazo e custo regulatório: pedidos recentes mostram que a aprovação não é automática, o que torna a via da aquisição uma alternativa com cronograma mais previsível.
Fontes: Valor Econômico • InfoMoney • NeoFeed