A XP, que nasceu vendendo só investimentos, entrou no mercado de maquininhas e colocou na rua o primeiro cartão de crédito da casa para empresas. A dupla estreia em pagamentos mira as pequenas e médias, com um cartão Visa sem anuidade que devolve até 1,2% dos gastos em um fundo, o chamado “investback”.
O que a XP colocou na mesa das empresas
| Recurso |
Detalhe |
| Cartão |
Bandeira Visa, sem anuidade, até 6 adicionais |
| Investback |
Até 1,2% dos gastos aplicados em um fundo DI |
| Limite |
Flutuante, atrelado ao volume investido; opção clean sem garantia |
| Maquininha |
XP Pay, em parceria com a Fiserv (marca Clover) |
| Público |
Cerca de 100 mil PMEs ativas (até R$ 30 mi), mais o middle até R$ 500 mi |
Detalhes da oferta XP Empresas para PMEs. Fonte: Valor Econômico
Do investimento à maquininha
No credenciamento de lojistas, a XP começa com uma parceria com a Fiserv, a empresa global de pagamentos que abriu fábrica em Betim (MG). A maquininha, batizada de XP Pay, chega sob a marca Clover nas versões móvel, mini e terminal de balcão, com funções de gestão de caixa. A licença de adquirência é da Fiserv, mas os preços na ponta são definidos pela XP, que pode “virar a chave” no futuro para operar a própria empresa de pagamentos. O valor do aluguel ainda está em finalização e será “competitivo” ante os terminais inteligentes, que hoje rondam R$ 50 a R$ 60 por mês.
O movimento não é isolado no setor: no fim de 2026, a Cora também entrou em adquirência com maquininha. “A XP segue o plano iniciado em 2024, com o lançamento da conta digital”, disse Felipe França, gerente de produtos de gestão de caixa da XP.
Aposta na fidelidade do cliente PJ
O foco inicial são os cerca de 100 mil clientes ativos de PME, com faturamento de até R$ 30 milhões, além do “middle”, que vai até R$ 500 milhões. Para quem ainda não tem investimentos na casa como colateral, a XP oferece um limite “clean”, sem garantia. A distribuição conta com o digital e com a proximidade de 20 mil assessores de investimentos, que passam a atender também demandas de empresários.
A aposta é que o investback fidelize um cliente que costuma rodar entre vários bancos e fintechs. “O lançamento do cartão junto com adquirência é um golaço, porque o empresário não acorda todo dia pensando em milhas, mas em como ganhar dinheiro para o seu negócio”, disse Marcela Pinori, vice-presidente de soluções comerciais da Visa. Segundo ela, só 8% das empresas usam cartão nas compras do dia a dia, contra 60% de penetração na pessoa física. Casas de análise já enxergam nesse avanço em crédito e serviços bancários uma possível guinada no modelo de negócios da corretora, num cenário de juros altos por mais tempo.
O que observar
O teste é se o retorno em fundo consegue prender um cliente PJ que historicamente distribui suas contas entre várias instituições. Plataformas de investimento que migram para serviços bancários chegam com um trunfo que adquirentes puros não têm, a base de recursos investidos como colateral e um canal humano de distribuição, mas entram numa disputa de preço em que a margem da maquininha é fina e o incumbente já opera em escala.
Vale acompanhar dois pontos. O primeiro é o risco do limite sem garantia, que cresce quando a oferta de crédito se estende a empresas sem colateral aplicado. O segundo é se a leitura do fluxo de recebíveis nas maquininhas vira, de fato, porta de entrada para antecipação de crédito, o elo que costuma transformar adquirência em relacionamento bancário completo.
Fontes: Valor Econômico • InfoMoney • Seu Dinheiro