Ir para o conteúdo

CréditoFintech · Asaas

Asaas cria vertical de crédito e traz VP ex-iFood Pago

Asaas cria vertical de crédito, contrata VP ex-iFood Pago e usa licença SCFI do BC para captar além do FIDC. Fintech tem R$ 5 bi em TPV mensal.

por

· 3 min

Atualizado em

Paulo Augusto Forattini, VP de Política e Estratégia de Crédito do Asaas | Foto: divulgação

O Asaas criou uma vertical dedicada de crédito, contratou Paulo Augusto Forattini, ex-iFood Pago, para liderá-la e tem licença do Banco Central que amplia as ferramentas de captação além do FIDC. A fintech processa R$ 5 bilhões em TPV mensal e usa esse histórico de recebíveis como base para modelar crédito para PMEs.

A construção do braço de crédito do Asaas

Período Movimento
Core original Cobranças e recebimentos para PMEs
2024 Lançamento do cartão de crédito PJ
2025 Antecipação de recebíveis e FIDC de R$ 100 mi
Jan 2026 Licença SCFI do Banco Central
Mai 2026 Vertical dedicada de crédito e VP de Política e Estratégia

Trajetória de produtos de crédito. Fonte: Startups

A lógica de quem cobrava antes de emprestar

Forattini chega com 20 anos de mercado financeiro e a passagem mais recente pelo iFood Pago, onde crédito para pequenos negócios foi desenvolvido a partir de dados transacionais da plataforma de delivery. No Asaas, a premissa é a mesma: dados proprietários de pagamentos como substituto do score convencional para PMEs que historicamente não têm acesso a crédito bancário. “É muito mais fácil conceder crédito quando você tem o histórico dos recebíveis do cliente do que quando não o conhece bem”, diz Paulo Augusto Forattini, VP de Política e Estratégia de Crédito do Asaas.

Os primeiros produtos foram o cartão de crédito PJ, lançado em 2024, e a antecipação de recebíveis, em 2025, financiados com um FIDC de R$ 100 milhões captado no ano passado. O cartão ocupa papel estratégico: “é aquele com o qual o cliente se relaciona quase todos os dias”, permitindo entender o comportamento de consumo e abrir espaço para cross-sell. A fintech, que atraiu investimentos como o aporte de R$ 35 milhões da Vivo Ventures em 2025, tem como metas R$ 1 bilhão em receita até o fim de 2026 e R$ 2 bilhões em 2027.

Da SCD para SCFI: como o Asaas amplia fontes de funding

No início do ano, o Banco Central autorizou o Asaas a operar como financeira (SCFI), migrando da Sociedade de Crédito Direto (SCD). A mudança amplia os instrumentos de captação disponíveis além do FIDC. “A licença SCFI é uma parte do quebra-cabeça, porque permite que a gente capte recursos por meio de outras ferramentas de captação que o mercado oferece, além do FIDC.

Na medida em que consigo captar recursos de forma mais barata, consequentemente consigo oferecer crédito com condições melhores para os nossos clientes”, afirma Forattini. Apesar da aceleração em crédito, o VP posiciona esses produtos como aceleradores do ecossistema de pagamentos, não como motor principal. “Não estamos criando produtos de crédito para que eles sejam maiores que o nosso core business”, diz.

O que observar

Fintechs B2B de pagamentos que acumulam dados transacionais de PMEs estão redefinindo a modelagem de crédito para esse segmento: o histórico de recebíveis substitui o score convencional para empresas sem colateral robusto. O teste prático é a inadimplência em escala, porque o perfil de risco de PMEs é heterogêneo, e o comportamento de consumo captado pelo cartão não garante o de pagamento em momentos de estresse de caixa.

A migração de SCD para SCFI é um caminho que outros intermediadores de pagamentos com base de dados transacional suficiente têm incentivo de replicar para reduzir custo de funding e competir em crédito. Vale acompanhar se o portfólio de crédito, ao crescer, mantém o perfil de complemento ao negócio de cobranças ou passa a gerar pressão por volume que altera a dinâmica de risco.

Fontes: StartupsTI InsideFinsiders BrasilLet’s MoneyLet’s Money

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasFintech
Ver a editoria

Mais artigos de Fintech

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.