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Nubank investirá R$ 45 bilhões no Brasil em 2026

Nubank anuncia R$ 45 bilhões em investimentos no Brasil em 2026, quase o dobro de dois anos atrás, com 113 milhões de clientes no país.

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· 4 min

Atualizado em

Foto: Divulgação

O Nubank anuncia investimentos de R$ 45 bilhões no Brasil em 2026, volume que quase dobrou nos últimos dois anos, distribuídos por quatro frentes: desenvolvimento de plataformas e modelos de crédito com IA, lançamento de produtos, expansão de times e escritórios, e fortalecimento da base financeira para crescer a carteira de crédito em escala.

Nubank: investimento e resultados 2025-2026

Indicador Valor
Investimento no Brasil em 2026 R$ 45 bi (quase dobro vs. 2 anos)
Clientes no Brasil 113 milhões (60%+ da pop. adulta)
Receita total 2025 (Nu Holdings) R$ 91 bi (+45% FX-neutro)
Lucro líquido 2025 R$ 16,2 bi, ROE de 33% (máximos históricos)
Carteira de crédito 2025 R$ 179,7 bi (+40% a/a)

Dados do comunicado da empresa em abril de 2026. Fonte: Nubank

Licença bancária e Febraban

A empresa avança para obter uma licença bancária no Brasil em 2026 e, como parte desse processo, associou-se à Federação Brasileira de Bancos (Febraban) no último mês. Operar como banco exige capital mínimo mais elevado e supervisão mais intensa do Banco Central, mas viabiliza produtos que não estão disponíveis às sociedades de crédito direto, como captação por depósito a prazo e câmbio.

Livia Chanes, CEO do Nubank Brasil, destacou a posição atual: “Estamos chegando aos 13 anos de operação no Brasil como a maior instituição financeira privada em número de clientes, com escala para continuar transformando o mercado e responsabilidade para fazê-lo de forma sustentável.”

O R$ 2,5 bilhões destinados a infraestrutura ao longo dos próximos cinco anos inclui a ampliação de escritórios pelo país. O anúncio vem na sequência dos melhores números da história da Nu Holdings: a holding encerrou 2025 com lucro de US$ 894 milhões no último trimestre de 2025, antes do fechamento anual com R$ 16,2 bilhões de lucro líquido e ROE de 33%.

Carteira de crédito e resultado histórico

A carteira de crédito atingiu R$ 179,7 bilhões em 2025, alta de 40% sobre 2024, com os depósitos chegando a R$ 230,3 bilhões (+29%). A receita total da Nu Holdings foi de R$ 91 bilhões, crescimento de 45% em base neutra de câmbio. A taxa de atividade mensal de 86% é apresentada como máximo histórico e diferencial em engajamento no setor. Para o crescimento da carteira, a empresa aposta em modelos de crédito com inteligência artificial, que compõem a primeira das quatro frentes estratégicas do investimento de 2026.

Para sustentar a expansão, a empresa reforça a base financeira incluindo capital próprio e capacidade de crédito. O desafio do setor é relevante: a inadimplência de pessoas físicas atingiu recorde histórico em janeiro, e os maiores bancos do país acumulam provisões para casos corporativos. A ampliação de limites de produtos como o Pix Crédito, que chegou a R$ 15 mil no início do ano, faz parte da estratégia de aprofundar a relação com a base existente.

Inclusão como escala de mercado

Cerca de 37 milhões de pessoas entraram no sistema financeiro formal pela plataforma na América Latina: 31,5 milhões no Brasil, 4,7 milhões no México e cerca de 1 milhão na Colômbia. Do total de clientes, 28,4 milhões tiveram seu primeiro cartão de crédito pela plataforma, sendo 18,4 milhões no Brasil. Os clientes acumularam economia estimada em US$ 28,1 bilhões em tarifas que teriam sido cobradas por instituições tradicionais, segundo a empresa.

David Vélez, CEO e fundador, contextualiza o modelo: “Ao remover as barreiras que, por décadas, mantiveram milhões de pessoas fora do sistema formal, o Nubank impulsionou uma competição real que amplia o acesso a serviços antes reservados a poucos.”

O que observar

O anúncio de R$ 45 bilhões usa definição ampla de investimento: inclui reinvestimento do resultado da operação brasileira, despesas operacionais e tributos recolhidos, além de capex e infraestrutura tecnológica. Isso é prática comum em comunicados de expansão, mas o número não corresponde a capex contábil nem a injeção de capital externo, o que importa para comparações com planos de investimento de outras instituições.

A obtenção de licença bancária plena cria novas obrigações de capital mínimo e supervisão pelo BC, que exigirão alocação de recursos adicionais. O processo coincide com um ambiente de crédito mais desafiador: expandir carteiras de 40% ao ano em período de inadimplência elevada levanta a questão sobre como os modelos de IA da plataforma performam quando o ciclo se reverte, especialmente em produtos de baixa renda e PME. O histórico de qualidade de carteira nesse contexto será o termômetro mais relevante dos próximos dois trimestres.

Fontes: NubankLet’s Money

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