O Nubank fechou o primeiro trimestre de 2026 com lucro de US$ 871 milhões, recuo de 5% frente ao quarto trimestre de 2025 e abaixo do consenso de analistas de US$ 918 milhões, após provisões para crédito subirem 33%, para R$ 1,79 bilhão. As ações da Nu Holdings caíram mais de 10% no after market em Nova York.
Nubank 1T26: principais indicadores
Indicador
1T26
Variação
Lucro líquido
US$ 871 mi
+41% a/a, -5% tri
Receita
US$ 5,3 bi
1º tri acima de US$ 5 bi
ROE anualizado
29%
vs 33% no 4T25 / +2pp a/a
Provisões crédito
R$ 1,79 bi
+33% no tri
Inadimplência 90+
6,5%
-10 bps no tri
Carteira de crédito
US$ 37,2 bi
+7% tri, +40% a/a
Clientes
135,2 mi
+14% a/a
Resultados financeiros do 1T26 da Nu Holdings. Fonte: Nu Holdings
Crescimento acima do esperado puxou as provisões
A carteira de crédito avançou 7% no trimestre e 40% em 12 meses, para US$ 37,2 bilhões, acima do consenso dos analistas de US$ 35,2 bilhões, segundo o BTG Pactual. O crescimento maior que o esperado exigiu reconhecimento antecipado de provisões, especialmente no segmento de empréstimo pessoal sem garantia, de maior risco. Entre as fintechs listadas, o resultado do trimestre acompanha uma tendência de expansão acelerada da carteira de crédito no setor.
“É um desvio bom porque o Nu cresceu muito mais do que o mercado esperava na carteira de crédito”, disse Guilherme Lago, CFO da Nu Holdings. “Nada desse provisionamento adicional veio da deterioração da carteira de crédito.” A inadimplência acima de 90 dias cedeu 10 pontos-base no trimestre, para 6,5%, distante do pico de 7% registrado no terceiro trimestre de 2024. O índice entre 15 e 90 dias subiu de 4,11% para 5%, dentro da sazonalidade esperada para o início do ano.
Analistas do Citi apontaram que “o aumento na formação de créditos nos estágios 2 e 3 levantou questões sobre como as provisões futuras podem pressionar os resultados.” Lago destacou que a duração média do portfólio é de três meses no Brasil e dois meses no México, o que permite ajuste rápido em caso de piora na qualidade do crédito.
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México confirma modelo e atinge equilíbrio
O Nu ultrapassou 15 milhões de clientes no México e se posiciona, segundo a administração, como a terceira maior instituição financeira do país. O negócio, iniciado em 2021, atingiu o equilíbrio financeiro pela primeira vez no primeiro trimestre de 2026, com a receita média mensal por cliente ativo quase dobrando em quatro anos. No Brasil, a trajetória de crescimento de clientes manteve o ritmo: 115 milhões no país, tornando o Nu a maior instituição financeira privada do Brasil por número de clientes.
“A oportunidade do México, do ponto de vista relativo, talvez seja maior do que no Brasil”, afirmou Lago. A bancarização no México está em torno de 50%, contra 90% no Brasil, e o alcance do crédito formal está entre 15% e 18% no México, ante acima de 50% no Brasil. Segundo Lago, o Nu detém cerca de 7% do pool de lucro potencial do sistema financeiro brasileiro, estimado em mais de US$ 100 bilhões por ano.
O que observar
A questão central é a trajetória das provisões em relação ao mix de crédito. Fintechs com carteiras concentradas em empréstimo pessoal sem garantia enfrentam um dilema estrutural: crescer em ritmo acelerado exige reconhecer perdas antecipadas que comprimem o resultado de curto prazo. Vale acompanhar se o custo marginal de crescer nesse segmento justifica o retorno e se níveis de rentabilidade acima de 25% se sustentam conforme o mix migra para crédito de maior risco.
A formação de crédito nos estágios iniciais de atraso é o principal indicador a monitorar. Se a inadimplência de curto prazo (15-90 dias) arrefecer nos próximos trimestres, o argumento da sazonalidade se confirma. Se persistir, sinaliza custo estrutural crescente para instituições que priorizam empréstimo pessoal sem garantia como motor de crescimento. O México funciona como laboratório paralelo: o break-even no 1T26 valida o modelo de expansão, mas o ritmo de alavancagem sobre depósitos, de 49,1% para 58,3% em um trimestre, merece acompanhamento.