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Sol Agora levanta R$ 600 mi em FIDC para crédito solar

Sol Agora, da Brookfield, levanta R$ 600 mi no 4° FIDC com custo de CDI+1,85%, inferior ao fundo anterior. Total: R$ 3 bi captados desde 2021.

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Atualizado em

Foto: Pixabay

A Sol Agora, fintech de crédito para energia solar controlada pela Brookfield, concluiu a captação de R$ 600 milhões no quarto FIDC da companhia, com cotas sêniores precificadas a CDI+1,85%: custo inferior aos CDI+2,70% do fundo anterior e meta de financiar até 30 mil projetos de painel solar. Com a nova captação, a empresa chega a R$ 3 bilhões levantados desde o início da operação, há quatro anos.

4° FIDC da Sol Agora: indicadores-chave

Indicador 4° FIDC Fundo anterior
Custo cotas sêniores CDI+1,85% CDI+2,70%
Carência da amortização 18 meses 12 meses
Meta de projetos financiados 30 mil n/d
Perda esperada da carteira ~10% n/d

Fonte: NeoFeed

Como o FIDC financia projetos de energia solar

A captação foi coordenada pelo Itaú e contou com outros seis investidores institucionais, cinco deles já cotistas dos FIDCs anteriores da Sol Agora, totalizando 29 investidores na operação de crédito. A empresa aportou R$ 75 milhões no próprio fundo: metade nas cotas mezanino e metade nas júniors, nas quais assumiu 100% das cotas. Os três FIDCs anteriores receberam upgrade de rating pela Moody’s, com as cotas sêniores classificadas como AAA.

Os R$ 600 milhões não serão desembolsados de uma vez: a primeira chamada de capital é de R$ 200 milhões, com expectativa de consumir todo o compromisso até meados de novembro. Os clientes iniciam o pagamento cerca de quatro meses após o empréstimo, tempo necessário para que os painéis solares entrem em operação. “Assim que o equipamento entra em operação, ele começa a gerar economia na conta de luz. É essa economia que permite ao cliente começar a pagar o financiamento”, disse Eduardo Solamone, diretor da Sol Agora. O financiamento prevê entre 60 e 86 parcelas e tem os equipamentos como garantia. Dos clientes atuais, 96% são pessoas físicas, e a demanda por crédito solar chega a R$ 1,5 bilhão por mês em pedidos.

O mecanismo por trás do custo menor

A diferença de 85 pontos-base no custo das cotas sêniores resultou da combinação entre o histórico de performance dos fundos anteriores e a decisão de criar um veículo separado. Segundo Solamone, incluir investidores remunerados a taxas diferentes em um mesmo fundo criaria distorções no mercado secundário e na marcação a mercado das cotas. A amortização começa somente após 18 meses do aporte, seis meses a mais do que no fundo anterior, com parcelas projetadas em cerca de R$ 15 milhões mensais. O prazo do FIDC é de nove anos, com expectativa de devolver todo o capital das cotas sêniores e mezanino por volta do sexto ano.

A captação ocorre em um cenário de pressão sobre o crédito privado: até o fim de março, a classe de FIDCs acumulava saída líquida superior a R$ 6 bilhões, segundo dados da Anbima. O Let’s Money reportou como o fechamento para resgates atingiu outros FIDCs no mesmo período. “Tivemos que navegar nessas águas turbulentas. Mas o interesse dos investidores traduz um pouco da credibilidade e da performance dos fundos predecessores”, afirmou Solamone.

O que observar

A janela entre o início dos pagamentos dos tomadores (quatro meses) e o começo da amortização aos cotistas (18 meses) permite reinvestir os recebíveis em novos financiamentos, aumentando o giro da carteira antes de devolver capital. Se a perda realizada ficar próxima dos 10% projetados, o modelo pode servir de referência para outras plataformas de crédito setorial que buscam funding em mercado de capitais durante períodos de abertura de spreads.

A demanda declarada de R$ 1,5 bilhão por mês em pedidos de crédito, contra R$ 600 milhões captados neste ciclo, indica que o gargalo ainda é de oferta. Plataformas de crédito com ativos de garantia físicos e receita atrelada à geração de utilidade (economia na conta de luz) tendem a ter estrutura de risco distinta do crédito sem colateral. Vale acompanhar se o custo de CDI+1,85% nas cotas sêniores representa um novo piso de referência para emissões similares ao longo de 2026.

Fontes: NeoFeed

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