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Bancos digitais do UK crescem metade, mas margens melhoram

Empréstimos dos bancos digitais britânicos cresceram 4,5% em 2025, metade do ritmo anterior. EY vê maturidade com margens e eficiência maiores.

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· 3 min

Atualizado em

Foto de Marcin Nowak na Unsplash

Os bancos digitais britânicos cresceram à metade do ritmo de 2024: empréstimos avançaram 4,5% e depósitos 6,7% em 2025, ante 8,9% e 12,3%, segundo análise da EY sobre o setor. O setor ganhou em eficiência, com custo sobre receita caindo de 65% para 58,2%, e o lucro pré-impostos voltou ao positivo após queda de 1,5% no ano anterior.

Bancos digitais do Reino Unido: 2024 vs 2025

Indicador 2024 2025
Crescimento de empréstimos 8,9% 4,5%
Crescimento de depósitos 12,3% 6,7%
Lucro pré-impostos (variação) -1,5% +0,5%

Dados da análise EY sobre bancos digitais, especializados e desafiadores do Reino Unido. Fonte: Finextra

A fase de expansão acelerada chega ao fim

O freio no crescimento reflete uma mudança de comportamento dos clientes britânicos: diante da incerteza macroeconômica de 2025, priorizaram quitar dívidas existentes em vez de contrair novos empréstimos e reduziram depósitos iniciais. O financiamento para desenvolvimento imobiliário registrou desempenho fraco no primeiro semestre, com recuperação cautelosa no segundo. Os segmentos de crédito para compra-e-locação e para PMEs permaneceram praticamente estáveis.

A análise da EY aponta que o setor chegou a um ponto de inflexão: após anos de rápida expansão de balanço, bancos mais jovens buscam novas rotas de escala por M&A direcionado, diversificação e consolidação. O ecossistema britânico já sinalizava essa transição: o Open Banking do Reino Unido deixou o estágio experimental para se tornar infraestrutura central do sistema financeiro, abrindo frentes competitivas além do volume de crédito.

“Embora o crescimento do crédito tenha sido mais difícil em 2025, esses bancos claramente continuam apresentando bom desempenho, e há sinais de que o setor está atingindo um novo nível de maturidade, com margens de lucro mais robustas e maior eficiência”, disse Dan Cooper, chefe de serviços bancários e mercados de capitais da EY no Reino Unido e Irlanda.

Rentabilidade como diferencial competitivo

A margem líquida de juros avançou para 2,9%, ante 2,7% em 2024, e o índice custo-receita recuou de 65% para 58,2%, segundo dados do relatório da EY reportados pela CityAM. O retorno sobre patrimônio variou por segmento: 7,8% para bancos estritamente digitais, 6,9% para desafiadores e 5,5% para especializados. A Revolut, que obteve licença bancária no Reino Unido após anos de espera regulatória, opera nesse mercado em fase de transição entre crescimento acelerado e rentabilidade sustentada.

O que observar

O movimento de M&A no setor tende a acelerar: bancos de menor porte sob pressão de margem se tornam alvos atrativos para desafiadores maiores e para incumbentes com apetite para crescimento inorgânico. A pergunta para os próximos 12 a 18 meses é se bancos de modelo generalista conseguem manter custo competitivo sem o combustível do crescimento acelerado de carteira. Especialistas de nicho, voltados para PMEs, compra-e-locação ou remessas internacionais, tendem a ter posição mais defensável: operam em segmentos onde a especialização cria barreiras que o volume sozinho não replica.

O cenário britânico tem relevância além do mercado local: as dinâmicas de saturação, eficiência de custos e consolidação que aparecem no Reino Unido costumam antecipar movimentos em outros mercados onde esses modelos operam, incluindo fintechs de expansão global com presença no Brasil.

Fontes: FinextraCityAMLet’s MoneyLet’s Money

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