O Nubank perdeu nesta segunda-feira (15/06) a recomendação de compra do Citi. O banco-analista jogou o rating para “neutra” e baixou o preço-alvo para US$ 13, ante US$ 18 anteriores, apontando alta exposição da fintech a cartão, empréstimo pessoal e clientes de baixa renda, em meio à expansão do consignado privado que joga essas dívidas para o fim da fila de pagamento.
O argumento central da nota está no peso do crédito sem garantia. Para o Citi, o Nubank “se destaca por sua exposição desproporcionalmente alta a cartões de crédito, empréstimos pessoais e clientes de baixa renda, enquanto ainda enfrenta dificuldades para ganhar força no consignado privado”. Os analistas argumentam que dívidas de cartão ficam “subordinadas” ao consignado: o raciocínio ecoa o framework de prioridade de fluxo de caixa do tomador, no qual produtos com débito direto na folha entram antes na fila do que linhas declarativas como cartão e empréstimo pessoal.
O movimento ao redor do produto vem ganhando densidade no mercado brasileiro. O Itaú lidera o consignado privado com mais de R$ 100 bi em carteira, o Banco do Brasil acumula R$ 18,2 bi no Crédito do Trabalhador em 14 meses, o Bradesco automatiza decisão de crédito da modalidade com IA e o Inter recua no sem garantia e aposta na linha. Conforme dados citados na nota, cerca de 9% dos clientes do Nubank têm exposição a consignado, o crédito responde por aproximadamente 60% da receita média por cliente da fintech, e cerca de 96% do portfólio estendido é composto por linhas sem garantia.
Dois cortes de Wall Street em 15 dias
| Casa | Mudança de rating | Preço-alvo |
|---|---|---|
| Citi (15/06/2026) | Compra para Neutra | US$ 18 para US$ 13 |
| Bank of America (02/06/2026) | Neutra para Venda | US$ 16 para US$ 10 |
Movimentos de Wall Street sobre Nu Holdings em junho de 2026. Fonte: Valor.
As ações do Nubank na Bolsa de Nova York fecharam em alta de 1,97% nesta segunda, a US$ 12,43, mesmo após o rebaixamento; no acumulado de 2026, o papel cai cerca de 25%. Na mesma nota, o Citi reduziu a projeção de lucro líquido em 9% para 2026 (US$ 3,7 bilhões) e em 15% para 2027 (US$ 4,4 bilhões), e baixou a expectativa de retorno sobre patrimônio (ROE) de longo prazo de 30% para 25%.








