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FintechCrédito · Cartão de crédito

Citi tira recomendação de compra do Nubank por crédito

Citi cortou a recomendação do Nubank de ‘compra’ para ‘neutra’ e baixou o preço-alvo de US$ 18 para US$ 13, citando risco em cartão e baixa renda.

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Atualizado em

Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O Nubank perdeu nesta segunda-feira (15/06) a recomendação de compra do Citi. O banco-analista jogou o rating para “neutra” e baixou o preço-alvo para US$ 13, ante US$ 18 anteriores, apontando alta exposição da fintech a cartão, empréstimo pessoal e clientes de baixa renda, em meio à expansão do consignado privado que joga essas dívidas para o fim da fila de pagamento.

O argumento central da nota está no peso do crédito sem garantia. Para o Citi, o Nubank “se destaca por sua exposição desproporcionalmente alta a cartões de crédito, empréstimos pessoais e clientes de baixa renda, enquanto ainda enfrenta dificuldades para ganhar força no consignado privado”. Os analistas argumentam que dívidas de cartão ficam “subordinadas” ao consignado: o raciocínio ecoa o framework de prioridade de fluxo de caixa do tomador, no qual produtos com débito direto na folha entram antes na fila do que linhas declarativas como cartão e empréstimo pessoal.

O movimento ao redor do produto vem ganhando densidade no mercado brasileiro. O Itaú lidera o consignado privado com mais de R$ 100 bi em carteira, o Banco do Brasil acumula R$ 18,2 bi no Crédito do Trabalhador em 14 meses, o Bradesco automatiza decisão de crédito da modalidade com IA e o Inter recua no sem garantia e aposta na linha. Conforme dados citados na nota, cerca de 9% dos clientes do Nubank têm exposição a consignado, o crédito responde por aproximadamente 60% da receita média por cliente da fintech, e cerca de 96% do portfólio estendido é composto por linhas sem garantia.

Dois cortes de Wall Street em 15 dias

Casa Mudança de rating Preço-alvo
Citi (15/06/2026) Compra para Neutra US$ 18 para US$ 13
Bank of America (02/06/2026) Neutra para Venda US$ 16 para US$ 10

Movimentos de Wall Street sobre Nu Holdings em junho de 2026. Fonte: Valor.

As ações do Nubank na Bolsa de Nova York fecharam em alta de 1,97% nesta segunda, a US$ 12,43, mesmo após o rebaixamento; no acumulado de 2026, o papel cai cerca de 25%. Na mesma nota, o Citi reduziu a projeção de lucro líquido em 9% para 2026 (US$ 3,7 bilhões) e em 15% para 2027 (US$ 4,4 bilhões), e baixou a expectativa de retorno sobre patrimônio (ROE) de longo prazo de 30% para 25%.

A revisão da casa marca o segundo rebaixamento público de Wall Street sobre a fintech em 15 dias. No começo de junho, o Bank of America cortou a recomendação de “neutra” para “venda” e reduziu o preço-alvo de US$ 16 para US$ 10, citando incertezas sobre a carteira e a saída do então CFO Guilherme Lago, que foi substituído pelo ex-Visa Rob Livingston. Apesar dos cortes, o consenso médio do sell-side em Wall Street ainda aponta preço-alvo perto de US$ 18,53, com a maioria das casas mantendo recomendação de compra, conforme dados compilados pelo TipRanks.

O que observar

O comportamento das fintechs com carteira concentrada em crédito sem garantia, em meio ao avanço do consignado privado, tende a ser variável central nos próximos trimestres. Casas focadas em baixa renda dependem fortemente de cartão e empréstimo pessoal para sustentar receita por cliente, e a leitura sobre “subordinação” de dívidas pesa nesse perfil quando o tomador prioriza o consignado no caixa do mês. O descompasso entre tese do sell-side e cotação também merece atenção: dois rebaixamentos consecutivos não impediram a ação de fechar em alta no dia, sugerindo que o buy-side pode estar precificando alternativas de execução que o sell-side ainda não enxerga.

Fontes: ValorNeoFeedStreetInsiderTipRanks

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