Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, alertou nesta terça-feira (28), em conferência da Norges Bank Investment Management, que uma recessão no crédito privado global de US$ 1,8 trilhão resultará em perdas maiores do que o mercado prevê, impulsionadas por padrões de subscrição deteriorados e mais de 1.000 gestoras de qualidade heterogênea.
Crédito privado em perspectiva
| Mercado de dívida |
Tamanho estimado |
| Títulos grau de investimento |
~US$ 13 tri |
| Títulos e hipotecas residenciais |
~US$ 13 tri |
| Crédito privado |
~US$ 1,8 tri |
| Empréstimos bancários a não-depositárias* |
~US$ 1,14 tri |
*Inclui fundos de crédito privado. Fonte: PYMNTS
O crédito privado e seus 1.000 fundos
Os comentários foram feitos na conferência da Norges Bank Investment Management e reportados pela Bloomberg News. Para Dimon, o crescimento acelerado do setor nos últimos anos criou uma dispersão de qualidade que o mercado ainda não precificou. “Alguns deles podem ser brilhantes, mas garanto que nem todos os 1.000 são”, disse o CEO do JPMorgan. O tema já vinha ganhando tração: o novo ciclo do crédito privado foi objeto de debate no Let’s Money em novembro de 2025, quando gestoras especializadas avaliavam o cenário prospectivo do segmento.
Não é a primeira vez que Dimon levanta o alerta. Em sua carta anual aos acionistas, divulgada no início de abril, ele escreveu que as perdas em empréstimos alavancados serão maiores do que o esperado e que “os padrões de crédito têm se enfraquecido ligeiramente em praticamente todos os setores”. Em março, o Let’s Money já havia reportado que a crise no crédito privado dos EUA atingia grandes gestoras.
Risco real, mas não sistêmico
Dimon calibrou o alerta ao contextualizar o tamanho do segmento. O crédito privado, a US$ 1,8 trilhão, é “insignificante” comparado a mercados de US$ 13 trilhões cada, como títulos de grau de investimento e hipotecas residenciais. “Não será terrível, apenas será pior do que as pessoas pensam no crédito privado. Aliás, isso pode ser verdade também para alguns bancos”, disse ele.
A exposição bancária é indireta, mas mensurável. Dados do Federal Reserve de St. Louis, citados pela PYMNTS, mostram que empréstimos bancários a instituições financeiras não depositárias, categoria que inclui fundos de crédito privado, atingiram US$ 1,14 trilhão. Na última teleconferência de resultados do JPMorgan, Dimon havia reiterado: “É preciso haver perdas muito grandes no crédito privado para que os bancos sejam afetados.”
O que observar
A questão operacional central é a capacidade de provisionamento das gestoras menores. Com mais de 1.000 players no segmento, a dispersão de qualidade nos portfólios é alta, e as avaliações são feitas internamente pelos próprios fundos que originam os empréstimos, o que pode mascarar deterioração até que o estresse se torne inevitável. Vale acompanhar se reguladores de mercados de capitais e bancos centrais passarão a exigir maior transparência de precificação do segmento à medida que as perdas se materializem.
O risco secundário a monitorar é a transmissão para outros ativos. Se gestoras de crédito privado de menor porte precisarem liquidar posições em outros mercados para cobrir resgates, o contágio pode superar o que os modelos de risco sistêmico calculam hoje, mesmo que o canal direto para bancos seja, por ora, limitado.
Fontes: PYMNTS • Let’s Money • Let’s Money