Como um fundo brasileiro está ganhando dinheiro com IPOs nos EUA
Gestora sediada no Vale do Silício colhe ganhos com IPOs e aquisições bilionárias ao apostar em startups como Circle, Anthropic e Databricks no mercado americano
Uma gestora brasileira de venture capital, sediada em Palo Alto, no coração do Vale do Silício, está colhendo os frutos da reabertura da janela de IPOs nos Estados Unidos. A Fabrica Ventures apostou em uma estratégia pouco comum entre fundos brasileiros: investir majoritariamente no mercado secundário de startups late stage e agora começa a realizar ganhos com ofertas públicas e aquisições bilionárias.
Depois de um longo período de retração no mercado de capitais, os IPOs voltaram a ganhar tração nos EUA. E a Fabrica aparece bem posicionada nesse movimento, com participações em empresas que já abriram capital ou caminham para isso, como Circle, Databricks e Anthropic.
A volta da janela de IPOs
Após anos de “inverno” no mercado de ofertas públicas, 2025 marcou a retomada dos IPOs de tecnologia nos Estados Unidos. A Circle, investida da Fabrica e uma das maiores emissoras de stablecoins do mundo, abriu capital em junho do ano passado. Outras empresas do portfólio também chegaram ao mercado recentemente, como Netskope (cibersegurança) e CoreWeave (infraestrutura de data centers).
Para este ano, o pipeline segue aquecido. A Anthropic, uma das principais concorrentes da OpenAI, é apontada como uma das próximas candidatas a IPO. Já a corretora de criptomoedas Kraken também chegou a protocolar pedido de abertura de capital.
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A estratégia fora do padrão do VC brasileiro
O diferencial da Fabrica está na forma de investir. Em vez de liderar grandes rodadas primárias, a gestora concentra boa parte dos aportes no mercado secundário, comprando participações de executivos, ex-executivos e outros fundos, muitas vezes com desconto relevante em relação à última avaliação.
“Nosso fundo é pequeno, com investimentos médios entre US$ 700 mil e US$ 1 milhão. Não conseguiríamos competir em mega rodadas. O mercado secundário nos permite acessar empresas excepcionais em condições melhores”, explica Alvaro Filpo, cofundador da Fabrica Ventures, segundo o “Startups“.
De acordo com o investidor, essa estratégia já gerou oportunidades expressivas. Em alguns casos, a gestora adquiriu participações com descontos superiores a 50% sobre a última rodada, elevando o potencial de retorno na saída, seja via IPO ou M&A.
Embora a reabertura do mercado de capitais seja positiva, a Fabrica não depende exclusivamente de IPOs para realizar ganhos. Em dezembro, uma de suas investidas, a Groq, startup de chips de IA, foi adquirida pela Nvidia em uma operação estimada em cerca de US$ 20 bilhões.
“O IPO é a coroação para o fundador, mas uma proposta de aquisição nesse nível não se recusa”, resume Filpo. Para o fundo, a lógica é pragmática: maximizar retorno para os cotistas, independentemente do tipo de saída.
Um fundo brasileiro surfando uma onda global
Atualmente, a Fabrica conta com cerca de 135 investidores (LPs), majoritariamente brasileiros, e mantém foco em startups B2B, late stage, sediadas nos Estados Unidos. A carteira tem cerca de 25 empresas, com participação média de 4% em cada uma.
Com o mercado americano voltando a respirar IPOs e grandes aquisições, a gestora entra em um período de colheita, exatamente o momento em que fundos bem posicionados transformam tese em dinheiro. Para um fundo brasileiro operando no epicentro da tecnologia global, o timing parece difícil de ser melhor.