A SUNRATE e a Mastercard publicaram nesta segunda-feira (20) um white paper conjunto que define como agentes de inteligência artificial devem executar pagamentos entre empresas, operações de câmbio e checagens de compliance sem intervenção humana em cada etapa. O documento, chamado “Beyond Automation: Defining Agentic Global Payments”, foi lançado na Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC), em Xangai.
A proposta cobre o pagamento corporativo internacional de ponta a ponta: cadastro de fornecedor, contas a pagar e a receber, roteamento da transação, gestão cambial, triagem de compliance e conciliação. A SUNRATE, fintech de pagamentos com operação em mais de 190 países e regiões, é membro principal de Mastercard e Visa.
O que o documento coloca no papel
O white paper mapeia 16 pontos de atrito no ciclo de pagamento B2B e lista 13 casos de uso considerados de alto valor para agentes de IA. A distinção que os dois lados tentam fixar é entre automação e autonomia: sistemas tradicionais seguem regras rígidas, enquanto os agentes descritos no documento usam raciocínio e planejamento para percorrer fluxos fragmentados sem um roteiro fixo.
Pontos de atrito mapeados no ciclo B2B
16
Casos de uso de alto valor para agentes de IA
13
Países e regiões de alcance da operação
190+
Dados do white paper “Beyond Automation: Defining Agentic Global Payments”, de julho de 2026. Fonte: SUNRATE
No lado da SUNRATE, o portfólio citado inclui agentes dedicados a onboarding, pagamento, câmbio, compliance e atendimento, apresentados em junho sob a marca Sunrate.AI. “À medida que as empresas seguem se expandindo internacionalmente, os agentes de IA vão reconfigurar de forma fundamental como as empresas gerenciam pagamentos globais”, afirmou Paul Meng, cofundador e CEO da SUNRATE.
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Identidade do agente é o gargalo
A contribuição da Mastercard no documento é de governança, não de execução. A bandeira aparece com três frentes: o Agent Pay, sua estrutura de pagamento para agentes verificados; o conceito de intenção verificável, que registra o que o agente foi autorizado a fazer; e o framework batizado de “Know Your Agent”, que estende ao software a lógica de identificação já aplicada a clientes e empresas.
“O comércio agêntico está mudando como as empresas tomam e executam decisões de pagamento, mas velocidade sem prestação de contas cria novas categorias de risco”, disse Anouska Ladds, vice-presidente executiva de Comercial e Novos Fluxos de Pagamento para Ásia-Pacífico da Mastercard. Segundo ela, decisões autônomas de pagamento precisam de “uma cadeia clara e auditável de identidade, intenção e ação”.
A disputa nos próximos trimestres não é sobre qual modelo raciocina melhor, e sim sobre quem consegue provar depois quem autorizou o quê. Enquanto padrões de identidade de agente não convergirem entre bandeiras, adquirentes e reguladores, as tesourarias devem manter aprovação humana nas faixas de valor mais altas, e os projetos tendem a ficar presos em piloto. No Brasil, o teste real passa por como esses padrões conversam com as regras do Banco Central para câmbio e com a arquitetura do Pix e do Open Finance.