A Monzo lançou no Reino Unido um cartão de crédito de metal que investe o cashback do cliente de forma automática a cada compra. Batizado de Aura, o cartão devolve 1% em compras de supermercado e 0,5% no restante, e deixa o cliente escolher entre aplicar esse valor em fundos da própria Monzo ou recebê-lo em dinheiro.
Cartão Aura: como funciona
| Item |
Detalhe |
| Cashback em supermercado |
1% |
| Cashback nas demais compras |
0,5% |
| Destino do cashback |
Auto-investido em fundos da Monzo ou pago em dinheiro |
| Mensalidade |
£15 por mês |
| Benefícios |
Apple TV, Google AI Plus (dois terabytes), dois passes de sala VIP e dois de fast-track por ano |
Cartão Aura, da Monzo. Fonte: Finextra
Como funciona o cashback investido
A proposta central do Aura é encurtar a distância entre gastar e aplicar. O cartão de metal calcula o cashback conforme o cliente usa o crédito, com 1% em compras de supermercado e 0,5% no restante. Em vez de acumular pontos ou receber o crédito de volta na fatura, o titular pode direcionar automaticamente cada devolução para uma seleção de fundos de investimento da própria Monzo. Quem preferir não investir mantém a alternativa de receber o valor em dinheiro.
Luke Enock, gerente-geral de crédito (general manager, borrowing) da Monzo, resume a lógica do produto. “O Aura transforma cada ida às compras em investimento para o futuro, seja para uma viagem, para a entrada de um primeiro imóvel ou outra meta financeira, ao mesmo tempo em que agrega valor à vida das pessoas desde hoje com uma variedade de benefícios de parceiros” (em tradução livre), disse o executivo.
Benefícios e mensalidade de £15
Além do cashback aplicado, o Aura embute um pacote de benefícios: assinatura da Apple TV, o Google AI Plus com dois terabytes de armazenamento em nuvem e, a cada ano, dois passes de sala VIP de aeroporto e dois passes de fast-track. A contrapartida é a mensalidade de £15. Segundo a Finextra, esse valor torna o cartão uma proposta cara diante de rivais de cashback como os oferecidos por American Express e Santander.
O movimento se soma a uma leva de cartões que tentam ir além do desconto na fatura. No mesmo terreno de recompensas, o Let’s Money já mostrou como a Klarna trocou a fidelidade do cartão por uma assinatura flexível e como a Kraken lançou um cartão cripto com cashback.
O que observar
Um cartão que investe o cashback muda a pergunta que o cliente costuma fazer sobre recompensas. Em vez de comparar apenas o percentual devolvido, o titular passa a avaliar o desempenho dos fundos onde esse dinheiro entra e o efeito de aplicar valores pequenos e recorrentes ao longo do tempo. Vale acompanhar como os emissores comunicam risco e rentabilidade de um cashback que deixa de ser saldo garantido e vira posição de investimento.
A outra questão é a mensalidade. Cartões premium com benefícios de viagem e streaming dependem de o cliente usar o suficiente para justificar a taxa fixa. O teste será se a combinação de cashback investido, salas VIP e assinaturas retém quem paga £15 por mês, num segmento onde concorrentes disputam o mesmo bolso com estruturas de recompensa diferentes.
Fontes: Finextra • Let’s Money • Let’s Money