O Paragon Bank lançou o Spring, app de poupança digital com 4,30% ao ano, construído do zero sobre a plataforma Mambu. O produto mira os 29 milhões de britânicos que deixam £526 bilhões em contas correntes com rendimento zero, perdendo £20 bilhões em juros a cada ano.
Poupança no Reino Unido: Spring vs. varejo
| Produto |
Taxa AER |
Restrições |
| Spring (Paragon Bank) |
4,30% |
Nenhuma |
| Principais bancos de varejo (média) |
1,25% |
75%+ com restrições |
Taxas de acesso fácil no mercado britânico em abril de 2025. Fonte: Paragon Banking Group
Como o Paragon Bank construiu o Spring do zero
O Paragon Bank, banco especializado listado no FTSE 250 com £16 bilhões em depósitos e 340 mil clientes, iniciou parceria com a Mambu em 2020 processando financiamentos para desenvolvimento imobiliário e produtos de poupança. À medida que a carteira crescia, o banco identificou a necessidade de um núcleo bancário nativo da nuvem para escalar a operação digital. A escolha foi construir greenfield: produto novo, em segmento novo, sem tocar em sistemas legados.
A equipe começou a desenvolver a marca Spring em fevereiro de 2023 e o produto foi ao ar em abril de 2025, após mais de dois anos de desenvolvimento. O stack técnico envolveu Mambu no núcleo bancário, Moneyhub para Open Banking e 26PMX no desenvolvimento do aplicativo. Nigel Terrington, CEO da Paragon Bank, afirmou no comunicado de lançamento que o produto foi criado para dar às pessoas uma forma simples e transparente de render mais com o dinheiro delas. A Mambu também atua em mercados emergentes, como na parceria com a Bankly para soluções financeiras no Brasil e na expansão do seu hub global de pagamentos.
O problema era a percepção, não as taxas
A pesquisa interna da Paragon revelou que os consumidores britânicos não resistiam a taxas mais altas em si. O que os impedia era a percepção de excesso de opções e a suposta dificuldade de mover dinheiro entre contas. Derek Sprawling, Diretor Geral de Poupança da Paragon Bank, apontou que eliminar essa fricção era o objetivo central do produto. O Spring foi projetado para abrir conta em minutos, sem limite de saques, sem tarifas e com integração direta à conta corrente via Open Banking.
Nos primeiros meses após o lançamento, o produto atraiu milhares de clientes e milhões de libras em depósitos, com nota 4,8 em 5 no Trustpilot. O contexto de mercado justifica a aposta: mais de 75% das contas de acesso fácil dos principais bancos britânicos têm restrições como taxas escalonadas ou limites de saques, com taxa média de 1,25% ao ano, ante os 4,30% oferecidos pelo Spring.
O que observar
Este caso de transformação coloca em teste uma hipótese relevante para bancos especializados: é possível criar um produto digital nativo fora do core principal, sem tocar em sistemas legados, e ainda manter velocidade de inovação. O modelo de parceria com múltiplos fornecedores de tecnologia funciona bem no lançamento, mas o teste de longo prazo está na capacidade de iterar sem fragmentar a governança técnica. Vale acompanhar se o volume de depósitos captados nos próximos trimestres representa carteira nova ou apenas migração de clientes já existentes, o que definiria o real incremento de negócio gerado pelo canal digital.
A narrativa central deste caso foi veiculada em formato de conteúdo patrocinado pelo fornecedor de tecnologia parceiro do banco, o que justifica atenção ao separar fatos verificáveis de posicionamentos comerciais. Os dados quantitativos foram confirmados no comunicado oficial de lançamento do banco de abril de 2025.
Fontes: FFNews FinTech TV • Paragon Banking Group • Let’s Money