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RegulaçãoInternacional · Índia

Paytm Payments Bank perde licença e vai à liquidação

O RBI cancelou a licença bancária do Paytm Payments Bank em 24 de abril e pedirá liquidação judicial. Fintech-mãe diz não ter impacto material.

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Atualizado em

Foto: Shutterstock

O Banco Central da Índia (RBI) cancelou a licença bancária do Paytm Payments Bank em 24 de abril de 2026 e anunciou que pedirá a liquidação judicial do banco, encerrando uma instituição que acumulou quatro anos de restrições regulatórias progressivas por descumprimento persistente das normas do setor.

Paytm Payments Bank: ações regulatórias do RBI

Data Ação
Março de 2022 Proibição de cadastro de novos clientes
Outubro de 2023 Multa por infrações de normas KYC
Janeiro de 2024 Proibição de depósitos, créditos e recargas em contas e carteiras
24 de abril de 2026 Cancelamento da licença bancária e pedido de liquidação judicial

Fonte: PYMNTS

Por que o RBI cancelou a licença

O RBI fundamentou o cancelamento no artigo 22(4) da Lei de Regulação Bancária da Índia, citando que “os negócios do banco foram conduzidos de maneira prejudicial aos interesses do banco e de seus depositantes” e que “o caráter geral da administração do banco é prejudicial aos interesses dos depositantes, bem como ao interesse público”. Em comunicado, o regulador afirmou que entrará com pedido de liquidação perante o Tribunal Superior.

O encerramento é a etapa final de um ciclo de deterioração regulatória que começou em março de 2022, quando o RBI proibiu o banco de admitir novos clientes. Em outubro de 2023, o banco foi multado por violações das normas de “conheça seu cliente” (KYC). Em janeiro de 2024, após auditoria que revelou “descumprimentos persistentes” e “preocupações de supervisão”, o regulador proibiu o banco de receber depósitos, aceitar transações de crédito e autorizar recargas em contas, carteiras digitais e instrumentos pré-pagos. A liquidação do Paytm Payments Bank segue o encerramento do neobanco indiano Fi, anunciado em março, sinalizando pressão regulatória crescente sobre bancos digitais de menor porte no país.

Depositantes protegidos, fintech-mãe desvinculada

O RBI informou que o Paytm Payments Bank tem liquidez suficiente para quitar integralmente seus depósitos após o encerramento das operações. Para os portadores de contas, carteiras digitais e instrumentos como FASTag e UPI vinculados ao banco, o regulador esclareceu que o dinheiro depositado será devolvido dentro da capacidade de liquidação da instituição.

A Paytm, empresa-mãe listada em bolsa (One 97 Communications), disse em comunicado que seu conselho e acionistas aprovaram resoluções para viabilizar a liquidação do banco. A companhia afirmou não ter “qualquer exposição ou negócio relevante com o banco” e que “a liquidação da PPBL e a consequente cessação da relação de associação não deverão ter qualquer impacto material nos negócios, operações ou situação financeira da empresa”. O aplicativo Paytm para pagamentos via UPI e QR permanece em operação, pois é operado diretamente pela One 97 Communications, sem dependência da licença bancária cancelada.

A Paytm iniciou os primeiros trimestres lucrativos no início de 2026 e, após aprovação do RBI, passou a operar como agregadora de pagamentos, o que lhe permite coletar e processar transações para comerciantes em sua rede. A PhonePe, rival direto da Paytm na Índia, está em processo de IPO avaliado em até US$ 10,5 bilhões, reforçando que o mercado de pagamentos indiano segue em expansão mesmo com o encerramento do Paytm Payments Bank.

O que observar

O caso evidencia como um modelo de banco de pagamentos com escopo limitado pode acumular passivos regulatórios que tornam inviável a continuidade da licença antes mesmo de um evento de insolvência. O banco foi esvaziado operacionalmente por restrições progressivas durante quatro anos antes do cancelamento formal da licença. A questão central para o mercado é se a separação entre a entidade bancária e a plataforma de pagamentos permitirá que a fintech-mãe preserve seus ganhos de rentabilidade recentes ou se a perda da licença bancária abre passivos jurídicos adicionais no processo de liquidação.

Vale acompanhar a trajetória de pagamento dos depositantes no processo de liquidação, especialmente de pequenos correntistas e portadores de instrumentos pré-pagos como FASTag, que dependem do banco para operação. Também é relevante observar se o regulador indiano vai alterar as condições de concessão de licença para bancos de pagamentos, um modelo com uso de caixa e captura de depósitos mais restrito que o de bancos comerciais, mas que historicamente atraiu fintechs por exigir menos capital mínimo.

Fontes: PYMNTSMedianamaOutlook Business

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