Quase metade das pequenas e médias empresas dos EUA afirma que pagaria por mais controle sobre os prazos de pagamento, mas a maioria ainda liquida contas com dinheiro em espécie e cheques. É a conclusão de pesquisa da PYMNTS Intelligence com a Mastercard, conduzida com 412 proprietários e gestores de PMEs americanas.
PMEs e pagamentos: o que a pesquisa revelou
| Indicador |
Resultado |
| Interesse em reduzir uso de dinheiro em espécie |
45% |
| Proprietários Gen Z que querem reduzir dinheiro |
68% |
| Pagamentos Gen Z a fornecedores feitos em dinheiro |
52% |
| Pagariam por controle de prazos de pagamento |
46% |
| Preferem cartão para contestar pagamentos |
63% |
| Canal preferido para gerenciar cartão: app digital |
23% |
Pesquisa com 412 proprietários e gestores de PMEs dos EUA. Fonte: PYMNTS Intelligence
O paradoxo dos pagamentos das PMEs
O dado mais revelador é o da Geração Z: 68% dos proprietários de PMEs dessa geração querem reduzir o uso de dinheiro em espécie nos negócios, mas 52% de seus pagamentos a fornecedores ainda são feitos em dinheiro. A lacuna não é de vontade, é de produto. “Colocar um cartão empresarial nas mãos de uma PME não significa que ela vai usá-lo”, disse Mark Barnett, chefe global de PMEs da Mastercard. Dinheiro em espécie permanece no fluxo diário por parecer imediato, familiar e fácil de conciliar.
Mais de um quarto das PMEs cita o custo como barreira à redução do uso de dinheiro, seguido da preferência de fornecedores por métodos tradicionais e da complexidade de reconciliação com sistemas contábeis. O cenário mostra que o jogo virou para as PMEs em disponibilidade de serviços financeiros digitais, mas não ainda em adoção comportamental.
O que as PMEs efetivamente demandam
A pesquisa identifica três demandas concretas: controle sobre prazos de pagamento (46% pagariam por isso), parcelamento de compras e condições de pagamento mais longas. São os atributos que cheques pré-datados e crédito comercial informal já entregam sem burocracia. Os cartões têm vantagem reconhecida em proteção: 63% das PMEs preferem o cartão para contestar cobranças e obter reembolsos, o que sinaliza valor percebido mas que ainda não substituiu a lógica operacional do dinheiro. O cartão com foco em gestão de fluxo de caixa para pequenas empresas é uma das apostas recentes para fechar essa lacuna.
O canal preferido para solicitar e gerenciar um cartão empresarial é o aplicativo digital de autoatendimento, citado por 23% das PMEs. Atendimento via chat ou telefone com atendentes humanos aparece logo atrás, com 18% cada. PMEs com maior volume de transações em dinheiro tendem a preferir suporte presencial ou por telefone, sinalizando que a migração digital não dispensa uma camada humana para os segmentos menos digitalizados.
O que observar
A demanda latente é expressiva: 46% das PMEs pagariam por um recurso que cartões empresariais ainda não entregam como padrão. O ponto central para emissores de cartões para pessoa jurídica é se conseguem reposicionar seus produtos como ferramentas de gestão de fluxo de caixa, e não apenas de controle de gastos. A oportunidade está na familiaridade: PMEs não pedem complexidade, querem que o digital funcione como o dinheiro em espécie, com mais controle e visibilidade sobre o capital disponível.
O dado da Geração Z aprofunda o diagnóstico: a coorte com maior intenção declarada de abandonar o dinheiro em espécie é a que mais o usa nas operações empresariais. Isso indica que as ferramentas financeiras digitais para PMEs ainda não atingiram maturidade suficiente para converter intenção em comportamento, mesmo no segmento com maior inclinação à mudança. Vale acompanhar se a integração de finanças em plataformas de gestão, que reduz a fricção de reconciliação, acelera essa transição sem exigir que a PME mude como opera.
Fontes: PYMNTS Intelligence • PYMNTS Intelligence • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money