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Rain rompe exclusividade com Visa e entra na Mastercard

Rain operava só com Visa; agora como membro principal da Mastercard, emite cartões de stablecoin em 210 países pelas duas maiores redes.

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A Rain, startup americana de infraestrutura para cartões lastreados em stablecoin, operava até agora com exclusividade na rede Visa. Com a adesão como membro principal da Mastercard, a empresa passa a operar nas duas maiores redes globais simultaneamente, podendo emitir cartões de crédito e pré-pagos aceitos por centenas de milhões de estabelecimentos em mais de 210 países.

Liquidação de cartões: do modelo fiat ao on-chain

Modelo Pré-financiamento Frequência de liquidação
Fiat tradicional Vários dias de gastos em reserva Dias úteis, horário de corte bancário
Rain (hoje) Volume reduzido Diária, incluindo fins de semana e feriados
Rain + on-chain (em exploração) Menor ainda Contínua

Modelos de liquidação conforme descrição da Rain. Fonte: Finextra

De exclusiva da Visa a membro principal da Mastercard

A Rain constrói a camada de infraestrutura que permite a fintechs, neobancos e empresas lançar programas de cartão cujos gastos são liquidados em stablecoin, sem que o portador perceba diferença na experiência. Avaliada em US$ 1,95 bilhão em rodada de janeiro, a startup captou US$ 250 milhões em Série C para acelerar exatamente esse tipo de expansão.

A Fortune reportou que, antes deste anúncio, a Rain trabalhava com exclusividade com a Visa para emissão de cartões, e que a estratégia para clientes corporativos exigia acomodar relacionamentos já existentes com outras redes. O status de membro principal elimina a necessidade de um emissor intermediário: a Rain pode agora criar e gerenciar programas de cartão diretamente na rede Mastercard.

O movimento acompanha a estratégia das duas maiores bandeiras de atrair infraestrutura nativa de stablecoin para dentro de suas redes. Em março, o Let’s Money reportou que a Mastercard lançou o Crypto Partner Program com 85 parceiros, do qual a Rain foi selecionada como parceira de lançamento. Em janeiro, a Visa acelerou aposta em stablecoins com infraestrutura da BVNK, em movimento análogo. “As stablecoins estão deixando de ser instrumentos de nicho para se tornarem infraestrutura essencial, e as maiores redes de pagamento do mundo estão acompanhando essa tendência”, afirma a Rain em comunicado.

A liquidação que muda o bastidor dos cartões

Além da emissão de cartões, Rain e Mastercard vão explorar a liquidação de fluxos selecionados diretamente na blockchain usando stablecoins regulamentadas. No modelo fiat tradicional, parceiros de programas de cartão precisam pré-financiar o volume de gastos de vários dias em reserva permanente, imobilizando liquidez. A infraestrutura da Rain já suporta liquidação diária, incluindo fins de semana e feriados, o que reduz essa exigência de garantia.

A liquidação on-chain, se implementada, levaria o modelo mais longe, com liquidações contínuas e mais frequentes. Para o portador do cartão, nenhuma dessas mudanças seria perceptível: a experiência de uso segue idêntica à de qualquer cartão Mastercard.

O que observar

A promessa de liquidação on-chain ainda está no estágio de “exploração”, e o caminho entre parceria de rede e liquidação em blockchain regulada é longo. Depende de clareza regulatória sobre stablecoins nos principais mercados, de acordos com bancos liquidantes e de testes operacionais em escala. Vale acompanhar se os primeiros programas com liquidação on-chain serão anunciados nos próximos trimestres, ou se a parceria permanece, por ora, restrita à emissão de cartões. O prazo de adoção real tende a ser mais longo do que comunicados de parceria sugerem.

O episódio também revela a dinâmica competitiva entre as grandes bandeiras globais para atrair infraestrutura nativa de ativos digitais. Quando um prestador estratégico rompe exclusividade com uma rede para adicionar a outra, o mercado sinaliza que operação multi-rede tende a se tornar padrão para provedores de infraestrutura de stablecoin. O impacto mais imediato é para programas de cartão corporativos que hoje operam em rede única e podem migrar para modelos com maior cobertura geográfica sem reconstruir a integração técnica mercado a mercado.

Fontes: FinextraLet’s MoneyLet’s Money

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