A Reap e a TerraPay anunciaram parceria para liquidar pagamentos corporativos internacionais por sistemas de clearing domésticos em quatro regiões, conectando a tesouraria nativa de stablecoin da Reap à rede de API única e licenciada da TerraPay sem intermediação de bancos correspondentes.
Banco correspondente vs. clearing local direto
| Critério |
SWIFT correspondente |
Reap + TerraPay |
| Prazo de liquidação |
Dias úteis |
Via clearing local (mais rápido) |
| Custo estimado |
1% a 1,5% ou mais |
Taxas fixas menores |
| Arquitetura |
Múltiplos intermediários |
API única, roteamento inteligente |
| Cobertura da parceria |
Rede global de correspondentes |
AMER N, Europa, APAC, Oriente Médio |
Comparativo entre modelos de liquidação internacional. Fonte: FFNews
US$ 120 bilhões em taxas e 62% dos tesoureiros insatisfeitos
Pagamentos internacionais via redes de bancos correspondentes acumulam coletivamente US$ 120 bilhões por ano em taxas de transação, incluindo spreads cambiais, tarifas bancárias e encargos de intermediários. Para quase 62% dos clientes corporativos de grandes bancos, o processamento lento é apontado como o principal problema nesse modelo, segundo relatório do JP Morgan de 2025.
A dependência de transferências com múltiplas etapas adiciona tempo e custo a cada banco na cadeia. Para empresas com tesouraria distribuída em diferentes mercados, a imprevisibilidade no prazo de liquidação gera ineficiência operacional direta. “O futuro dos pagamentos internacionais não se resume apenas à velocidade, mas também ao design da infraestrutura […] A plataforma da Reap permite que as empresas implementem liquidez com eficiência, enquanto a TerraPay fornece a conectividade ferroviária doméstica necessária para a liquidação local em conformidade com as regulamentações”, disse Daren Guo, cofundador da Reap.
Stablecoin na tesouraria, API local na liquidação
A arquitetura integrada combina o mecanismo de orquestração de pagamentos da Reap, que roteia transações de forma inteligente, com o acesso direto da TerraPay a sistemas de compensação nacionais via API única licenciada. O resultado é liquidação no clearing doméstico, com taxas fixas menores e maior eficiência de capital para gestores de tesouraria com operações globais.
“Para empresas globais, o verdadeiro desafio não é enviar um pagamento, mas sim gerenciar a liquidez em diferentes mercados quando a liquidação é lenta e imprevisível […] Nossa parceria com a Reap resolve esse problema ao combinar seus recursos programáveis de tesouraria com a rede global da TerraPay”, disse Ani Sane, diretor de negócios e cofundador da TerraPay.
O anúncio ocorre oito dias após a Payward revelar a aquisição da Reap por até US$ 600 milhões, negócio ainda sujeito a aprovações regulatórias. A operação combina as licenças da Payward na União Europeia e nos Estados Unidos com a presença da Reap na Ásia e na América Latina. A parceria com a TerraPay acrescenta conectividade de clearing local a essa base regulatória em expansão. O movimento reflete uma tendência mais ampla no mercado: infraestruturas que contornam bancos correspondentes via pagamentos cross-border com stablecoins ganham espaço ao lado de modelos como o novo trilho de pagamentos internacionais da Muevy.
O que observar
A combinação de tesouraria em stablecoin com acesso direto a sistemas de clearing domésticos contorna a cadeia de bancos correspondentes. A viabilidade em múltiplas jurisdições depende do escopo regulatório das licenças de cada operador local, que variam por país e tipo de sistema de compensação. O grau de harmonização entre as jurisdições cobertas determina a consistência dos prazos prometidos.
Os fatores operacionais mais relevantes são a performance dos SLAs de liquidação quando o volume cresce e a evolução do modelo de câmbio na interface entre tesouraria em stablecoin e clearing em moeda local. Intermediários financeiros cujas margens dependem de spreads cambiais em transferências internacionais são os atores mais diretamente impactados por infraestruturas desse tipo. Vale acompanhar o ritmo de expansão da cobertura de corredores além das quatro regiões iniciais e os padrões regulatórios emergentes para pagamentos baseados em stablecoin nas principais jurisdições.
Fontes: FFNews • BriefGlance • Let’s Money • Let’s Money