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ABBC: nova fase das fintechs cobra mais dos parceiros

Diretor da ABBC diz que terceirizar serviço no Banking as a Service não tira do banco a responsabilidade perante o Banco Central.

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· 3 min

Atualizado em

UIEuricion Murari, diretor de Inovação e Serviços da ABBC, em painel na Febraban Tech 2026 (Crédito: Mauro Silva)

O crescimento do Banking as a Service colocou uma pergunta incômoda na mesa dos bancos: quem responde quando o parceiro erra. Para Euricion Murari, diretor de Inovação e Serviços da ABBC, a resposta não muda com a terceirização. “O risco está compartilhado, diluído; a responsabilidade perante o regulador, não”, afirmou em painel do Febraban Tech na terça-feira, 25 de agosto.

Na prática, isso significa que uma instituição financeira não deixa de responder ao Banco Central porque determinada atividade foi executada por um parceiro ou por um Provedor de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI). A contratação de terceiros passa a exigir mecanismos de acompanhamento, controles de segurança, gestão de acessos, monitoramento e plano de resposta a incidentes.

Quem estava na mesa

Nome Entidade
Euricion Murari ABBC
Eduarda Davidovic Febraban
Regina Pedroso ABToken
Sergio Costantini ABFintechs
Bruno Diniz Spiralem Innovation Consulting

Composição do painel divulgada pela ABBC em agosto de 2026.

Da corrida do ouro para a conta dos controles

Murari descreveu um mercado que sai de um ciclo de expansão rápida, com muitos modelos novos surgindo ao mesmo tempo, para outro em que a prioridade é fazer a operação funcionar com controle proporcional ao risco que ela carrega. “Estamos passando por um momento em que a gente sai da corrida do ouro e vai para uma visão mais sustentável”, disse. Sobre a relação entre os bancos associados e as fintechs, ele foi direto: “Os associados da ABBC são um verdadeiro laboratório para as fintechs.”

O ponto de atenção é a extensão da cadeia. Quanto mais serviços são terceirizados, maior a necessidade de saber exatamente quais empresas estão nela, o que cada uma executa e quais controles adota. Uma falha em um fornecedor de tecnologia chega ao cliente final mesmo quando a instituição não desenvolveu aquela tecnologia. O setor já projeta que a regulação reduza o BaaS a até 40 provedores.

A porta encostada

A imagem que Murari usou para resumir o desequilíbrio de controles ficou como a frase do painel: “Não se pode colocar uma porta com milhares de travas e, do outro lado, ter uma porta só encostada e sem chave nenhuma.”

Daí a extensão do princípio de conhecer o cliente para conhecer o parceiro, principalmente os que têm acesso a sistemas, dados ou processos críticos. Gestão de terceiros, cibersegurança e continuidade de serviço deixam de ser assunto exclusivo de TI e entram na régua de compliance. A entidade já vinha atuando na camada de infraestrutura compartilhada, como quando lançou com a Núclea uma infraestrutura para CCB tokenizada.

Autorregulação como cadeia de confiança

Sobre autorregulação, a defesa não é por mais normas. “Autorregulação é muito menos sobre criar regras e mais sobre chegar a uma cadeia de confiança. As associações acabam fazendo muito esse papel”, afirmou. O desenho é o de entidades aproximando bancos, fintechs e demais participantes para fixar referências de boa prática que complementem a regulação oficial. Criada em 1983, a ABBC reúne hoje mais de 100 associados entre bancos, cooperativas de crédito, instituições de pagamento e financeiras.

O que observar

A distância entre responsabilidade regulatória e capacidade real de fiscalizar a cadeia é o que fica em aberto. Uma instituição pode responder por um elo que não contrata diretamente, dois ou três níveis abaixo na cadeia de fornecedores, e as ferramentas para auditar esse nível de profundidade ainda são caras e pouco padronizadas. Vale acompanhar se o regulador passa a exigir mapeamento formal de subcontratados e se a autorregulação produz um padrão comum de due diligence, ou se cada instituição continua montando o próprio checklist.

Fontes: Let’s MoneyLet’s MoneyABBC

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