Ir para o conteúdo

BancosFintech · Banco ABC Brasil

ABC Brasil mira salto de rentabilidade com middle market e novas verticais

Banco ABC Brasil projeta elevar ROE em até 3 pontos percentuais com expansão no middle market, que já representa 17% da carteira, e diversificação em agro, seguros e energia.

por

· 3 min

Atualizado em

Foto: Divulgação Banco ABC

O Banco ABC Brasil quer elevar seu retorno sobre patrimônio (ROE) em dois a três pontos percentuais no médio prazo, impulsionado pela expansão no middle market e pela diversificação de receitas de tarifas. Em 2025, o indicador fechou em 15,2%, com lucro líquido de R$ 1 bilhão e margem financeira recorde de R$ 2,5 bilhões.

ABC Brasil: 2025 vs. projeções 2026

Indicador 2025 Guidance 2026
Lucro líquido R$ 1,0 bi (+3,2%) n/d
ROE (ROAE) 15,2% Meta: +2 a 3 pp
Carteira expandida R$ 54,7 bi +6% a 10%
Middle market (carteira) 17% do crédito +10% a 18%
Inadimplência (>90d) 0,4% n/d
Índice de eficiência n/d 37,5% a 39,5%

Fonte: ABC Brasil RI

De 1,5 mil a 4,7 mil clientes: a aposta no middle market

“O atual patamar de rentabilidade não é algo que nos deixe supersatisfeitos, porque a gente tem consciência de que esta é uma franquia que tem capacidade de dar mais”, disse Sérgio Lulia, CEO do ABC Brasil, em entrevista ao Valor Econômico. A expansão para empresas de médio porte, retomada em 2019, multiplicou a base de clientes e forçou a automação de esteiras de produtos. Hoje, o middle market já responde por 17% da carteira de crédito.

O crescimento trouxe uma curva de aprendizado. Lulia reconhece que o banco ajustou modelos de crédito com maior uso de tecnologia e dados de terceiros, além de recalibrar oferta e timing de produtos. No ano passado, diante de um cenário mais adverso, a postura cautelosa no segmento ajudou a inadimplência total a cair de 1,1% para 0,4%. Em entrevista ao podcast Let’s Money em 2023, Pedro Begotti, Chief Innovation Officer do ABC, já apontava que a expansão para o middle market exigia uma mudança estrutural: o modelo tailor-made, com cada contrato customizado, começava a ser incompatível com a escala que o segmento demanda.

A estratégia de diversificação não se limita ao crédito. O banco criou verticais dedicadas para agro e mercado imobiliário, triplicou o banco de investimento e desenvolveu iniciativas em áreas que outros bancos de nicho também exploram, como corretagem de seguros, comercialização de energia e mesa de crédito de carbono. A corretora já opera com mais de 20 seguradoras, cobrindo de seguros performance a seguro de crédito.

Cenário de juros altos e aposta no agro

Lulia classifica 2026 como ano de cautela. “O juro alto por muito tempo vai tendo um efeito cumulativo no balanço das empresas”, afirmou. A vantagem, segundo ele, é que o perfil das dívidas corporativas está mais alongado do que em ciclos anteriores, reduzindo o risco de uma crise de crédito aguda. No contexto de bancos que enfrentam ciclos semelhantes, o último balanço do setor mostrou cenários distintos entre as instituições.

No agro, o ABC começou a atender produtores com mais de 10 mil hectares, inicialmente no Centro-Oeste. A entrada ocorre num momento de dificuldades, especialmente na soja, mas Lulia argumenta que o timing é estratégico. “É melhor entrar num momento onde está todo mundo com os olhos bem abertos, porque daí você consegue negociar condições de preço corretas”, disse. A vertical agrícola, criada em 2025, coordena equipes regionais pelo país, enquanto o crédito rural enfrenta inadimplência crescente no restante do mercado.

O que observar

A tese do ABC combina duas alavancas: escala no middle market e receita recorrente de tarifas via verticais especializadas. A pergunta é se essas iniciativas geram retorno incremental suficiente para compensar o custo de servir num ambiente de juros elevados. A receita de serviços recuou 5% no quarto trimestre de 2025, para R$ 125,9 milhões, sugerindo que a diversificação ainda não entregou tração consistente nessa linha.

Para bancos de atacado que migram para faixas mais amplas de clientes, o desafio operacional é escalar sem diluir a margem. A inadimplência de 0,4% é notavelmente baixa e reflete postura conservadora, mas também crescimento mais lento da carteira (3% no ano). O teste de 2026 será expandir o middle market na faixa de 10% a 18% projetada sem deteriorar a qualidade do crédito, num cenário em que empresas de serviços e indústria ainda crescem abaixo do PIB.

Fontes: Valor EconômicoABC Brasil RIADVFNLet’s Money Podcast – Pedro Begotti, CIO do ABC Brasil

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.