Os repasses dos pagamentos de cartões do Will Bank começaram a ser normalizados pelo liquidante Eduardo Félix Bianchini, da EFB Regimes Especiais de Empresas, confirmou o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Giancarlo Greco, em coletiva no 19º Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamentos. A fintech, liquidada pelo Banco Central em 21 de janeiro, pertencia ao conglomerado do Banco Master.
A linha do tempo do caso Will Bank
| Data |
Marco |
| 21 jan 2026 |
BC decreta liquidação extrajudicial do Will Bank após calote com a Mastercard |
| 26 fev 2026 |
Abecs reclama publicamente da falta de repasses pelo liquidante |
| 18 mar 2026 |
BC converte regime especial do Banco Master Múltiplo em liquidação extrajudicial |
| 8 abr 2026 |
FGC libera R$ 6,06 bilhões a cerca de 312 mil credores |
| 14 abr 2026 |
Abecs confirma que repasses começaram a ser normalizados |
Fonte: Valor e cobertura do Let’s Money.
A trava que afetou a cadeia
“No caso de cartões, tem que olhar o passado, e você tem que olhar o que está comprometido já para o futuro”, afirmou Greco. “O fluxo tem que obedecer a estas duas regras, do que é o passado, o que talvez entrou em ‘default’, e depois o que é o comprometimento futuro. O que a gente entende é que já existe um plano para que esse futuro já comece a caminhar de forma fluida”.
A reclamação original da Abecs, em fevereiro, expunha o nó que amarra qualquer liquidação de emissor de cartão: o liquidante precisa separar pagamentos que já estavam no fluxo antes do decreto de recursos comprometidos no período seguinte. Enquanto isso, credenciadoras, sub-adquirentes e emissores ficam expostos ao descasamento.
O rastro do Banco Master
O Will Bank tinha cerca de 12 milhões de clientes e movimentou aproximadamente R$ 7,5 bilhões no último ano antes da liquidação. A crise escalou quando a Mastercard executou dívidas do emissor, exigindo honras que a tesouraria da fintech não suportou. A bandeira absorveu cerca de R$ 2,5 bilhões em transações não liquidadas, metade do passivo estimado de R$ 5 bilhões nos primeiros 30 dias após a liquidação.
A operação controladora também não sobreviveu: em 18 de março, o BC converteu o regime especial do Banco Master Múltiplo em liquidação extrajudicial, encerrando formalmente o conglomerado. Em abril, o Fundo Garantidor de Créditos liberou R$ 6,06 bilhões à segunda fase de cerca de 312 mil credores, com valores entre R$ 1 mil e R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
O que observar
A normalização é alívio para credenciadoras e sub-adquirentes expostas ao descasamento de fluxo, mas o episódio deixa um precedente. Liquidações de emissores digitais com bases grandes têm uma camada a mais de complexidade em relação a liquidações bancárias tradicionais: o liquidante precisa reconciliar o passivo de cartões em aberto, o comprometimento futuro de faturas e o direito de credores no FGC, tudo em paralelo.
Vale acompanhar duas coisas. A primeira é o prazo total entre decreto de liquidação e restabelecimento pleno do fluxo para a cadeia de adquirência, que nesse caso levou quase três meses. A segunda é se o regulador vai revisar exigências de capital ou colateral para emissores digitais com alta concentração de receita em arranjos de cartão, já que a trava virou sintoma estrutural de fintechs monolinha quando o emissor quebra.
Fontes: Valor • Let’s Money sobre o FGC • Let’s Money sobre a liquidação