A Anthropic vai liberar o Mythos a bancos britânicos nos próximos dias, nova escala do rollout após o Tesouro dos EUA e o Fed convocarem CEOs de Wall Street para testar o modelo. Bancos brasileiros rodam nos mesmos sistemas operacionais e navegadores em que o Mythos encontrou vulnerabilidades de dia zero, mas o BC ainda não se manifestou sobre o caso.
Escalada do rollout do Mythos a bancos
| Região |
Status |
| Estados Unidos |
Código liberado a Wall Street após intervenções do Tesouro e do Fed |
| Reino Unido |
Acesso previsto para esta semana após conversas com FCA, Tesouro britânico e Centro Nacional de Segurança Cibernética |
| Zona do Euro |
BCE prepara conversas com bancos do bloco |
Escalada do rollout. Fonte: Finextra
O que o Mythos da Anthropic faz em bancos
Lançado em preview no dia 7 de abril, o Mythos é apresentado pela Anthropic como um modelo de uso geral focado em engenharia de software e cibersegurança, capaz de identificar vulnerabilidades críticas e montar exploits. A empresa afirma ter encontrado milhares de falhas de dia zero em todos os principais sistemas operacionais e navegadores da web, a maioria ainda sem correção no dia do anúncio.
O acesso chega aos bancos por meio do Project Glasswing, iniciativa que libera o modelo para mais de 50 organizações de tecnologia antes de uma distribuição mais ampla. Segundo a Fortune, JPMorgan, Goldman Sachs, Citigroup, Bank of America e Morgan Stanley estão entre os bancos americanos que já testam o Mythos internamente, depois que o Fed convocou cinco bancos sistêmicos para a pilotagem.
Britânicos entram depois dos americanos
No Reino Unido, a FCA, o Tesouro de Sua Majestade e o Centro Nacional de Segurança Cibernética realizaram conversas com bancos sobre o potencial perigo do Mythos à infraestrutura crítica. “O engajamento que tive com CEOs na última semana no Reino Unido foi significativo”, disse Pip White, chefe da Anthropic para EMEA, em entrevista à Bloomberg, confirmando que bancos britânicos devem ter acesso controlado na próxima semana.
A Europa continental é o próximo front: o Bundesbank, a BaFin e a Associação Bancária Alemã expressaram preocupação, e o BCE se prepara para conversar com bancos da Zona do Euro. No Brasil, os incidentes cibernéticos no sistema financeiro cresceram 29% em 2025, segundo levantamento de Marsh Risk e Oliver Wyman, contexto em que qualquer assimetria de acesso a ferramentas ofensivas de IA importa.
O que observar
O movimento desloca o centro de gravidade da cibersegurança bancária. Por uma década, a vantagem operacional esteve com quem tinha processos maduros de patching e um SOC robusto. Agora, a dianteira passa para quem entra primeiro no acesso controlado a modelos ofensivos de IA: instituições financeiras que rodam em sistemas operacionais e navegadores comerciais dependem de que as provedoras de software fechem falhas no ritmo em que o modelo as encontra, e os bancos que entram na primeira onda ganham uma janela para blindar suas cadeias internas antes de qualquer liberação ampla.
Vale acompanhar como reguladores bancários de mercados emergentes reagem à assimetria regional. A sequência Estados Unidos, Reino Unido e Zona do Euro cria um diferencial de semanas entre quem recebe acesso a IA ofensiva e quem depende de patches de terceiros. Se a janela se estender, vai exigir redesenho de protocolos de resposta a incidentes e inventário explícito de software em uso em cada instituição.
Fontes: Finextra • Bloomberg • Anthropic Project Glasswing • Fortune • Let’s Money: Fed convoca bancos para testar IA da Anthropic