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Aon fecha acordo de US$ 17 bi pela corretora USI nos EUA

Aon assinou acordo de US$ 17 bilhões pela USI, décima maior corretora de seguros dos EUA. Fechamento previsto para o quarto trimestre de 2026.

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A Aon assinou acordo definitivo para comprar a USI, décima maior corretora de seguros dos EUA, por US$ 17 bilhões. O anúncio saiu em 31 de agosto de 2026, e o fechamento está previsto para o quarto trimestre de 2026, sujeito a aprovações regulatórias. Até lá, as duas empresas seguem operando de forma independente.

Os números do acordo entre Aon e USI

Item Valor
Preço total de compra US$ 17 bilhões
Preço líquido US$ 16,7 bilhões, refletindo cerca de US$ 278 milhões em créditos fiscais
Múltiplo sobre o preço líquido Cerca de 14,5 vezes o EBITDA ajustado sinergizado dos últimos 12 meses
Sinergias projetadas Cerca de US$ 395 milhões por ano em EBITDA líquido ajustado
Receita anual da USI Cerca de US$ 3 bilhões
Fechamento previsto Quarto trimestre de 2026, sujeito a aprovações regulatórias

Termos do acordo anunciado em 31 de agosto de 2026. Fonte: Aon

O que a USI leva para a Aon

Sediada em Valhalla, Nova York, a USI atende empresas de médio porte em quatro frentes: seguros de danos e responsabilidade (property and casualty), benefícios para funcionários, riscos pessoais e previdência. Reúne cerca de US$ 3 bilhões de receita anual, mais de 10.500 profissionais e quase 200 escritórios no país, apoiados na plataforma proprietária USI ONE, de análise de dados e planejamento. Quem vende é a gestora KKR, ao lado dos demais acionistas.

A justificativa da compradora é de alcance. A Aon dimensiona o segmento de médio porte americano em mais de US$ 40 bilhões e diz que ele responde por mais de um terço do prêmio direto emitido de seguros comerciais de danos e responsabilidade nos Estados Unidos. O acordo também amplia o acesso da corretora ao chamado excess and surplus (E&S), a faixa de riscos fora do apetite padrão das seguradoras licenciadas, distribuída por agentes gerais, subscritores gerais e atacadistas. Pela conta da própria empresa, esse nicho equivale a 26% dos prêmios comerciais de danos e responsabilidade no país.

“A combinação com a USI vai estabelecer a principal plataforma de middle market dos Estados Unidos, aprofundar nossa vantagem de contexto e posicionar a Aon para acelerar o crescimento orgânico”, disse Greg Case, presidente e CEO da Aon. Depois do fechamento, Mike Sicard, presidente do conselho e CEO da USI, passa a presidente da Aon plc e CEO global de middle market, com reporte direto a Case.

A segunda grande aposta em corretagem de médio porte

É o segundo movimento de porte da Aon nesse segmento em pouco mais de dois anos. Em abril de 2024, a corretora concluiu a aquisição da NFP por um valor de empresa de US$ 13 bilhões, sendo US$ 7 bilhões em caixa e passivos assumidos e US$ 6 bilhões em ações. Desta vez o cheque deve ser financiado com dívida nova, captada em prazos variados. A companhia afirma que espera preservar as notas Baa2, da Moody’s, e A-, da S&P, e que não pretende recomprar ações no curto prazo enquanto prioriza o pagamento dessa dívida. O efeito da compra no lucro por ação ajustado, segundo a projeção divulgada, só aparece a partir de 2028.

A disputa por esse cliente convive com um mercado americano de seguros que tem atraído capital para distribuição digital, caso da Corgi, insurtech que vende seguros comerciais com inteligência artificial. A Aon, que diz atender clientes em mais de 120 países, também vem testando frentes fora da corretagem tradicional, como o pagamento de prêmio de seguro com stablecoins.

O que observar

Quando uma corretora global absorve uma casa independente de médio porte, muda quem negocia preço e cobertura com as seguradoras em nome de empresas sem área de risco própria. Vale acompanhar se o ganho de escala aparece como condição melhor para o cliente final ou apenas como poder de barganha na distribuição, e se as corretoras independentes que restam no segmento conseguem sustentar carteira sem uma base de dados do mesmo tamanho.

O outro ponto é execução. Operações desse porte dependem de aprovação regulatória e de integrar plataformas de dados e equipes comerciais de donos diferentes, e a tese só se sustenta se as sinergias projetadas aparecerem no prazo. A pergunta é quanta paciência o mercado costuma dar a uma integração dessas quando a conta é paga com dívida nova e o efeito prometido só chega em 2028.

Fontes: AonSEC

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