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BB fecha 1T26 com lucro de R$ 3,4 bi e agro pesando

BB registra lucro de R$ 3,4 bi no 1T26, queda de 53,5%. Provisões sobem 86% em 12 meses e banco reduz projeção anual de lucro para R$ 18-22 bi.

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Atualizado em

Foto: Shutterstock

O Banco do Brasil cortou a projeção de lucro para 2026, de R$ 22-26 bilhões para R$ 18-22 bilhões, e reportou queda de 53,5% no resultado do primeiro trimestre, para R$ 3,4 bilhões. A pressão vem do agronegócio: provisões dispararam 85,8% em 12 meses, para R$ 18,9 bilhões.

BB no 1T26: resultado e projeção revisada

Indicador 1T26 Var. 12m
Lucro ajustado R$ 3,4 bi -53,5%
Provisões (PDD) R$ 18,9 bi +85,8%
Inadimplência total 5,05% +1,42 pp
Inadimplência agro 6,22% +3,5 pp
ROE 7,3% -9,4 pp
Guidance de lucro 2026 R$ 18-22 bi Antes: R$ 22-26 bi

Resultado 1T26 do Banco do Brasil. Fonte: Agência Brasil

Por que o guidance não sobreviveu ao 1T26

Só no primeiro trimestre, as despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) somaram R$ 18,9 bilhões. O teto do guidance anual anterior era R$ 58 bilhões em custo de crédito, o que exigiria PDD de R$ 13 bilhões por trimestre nos próximos três períodos. “O aumento do custo do crédito afeta diretamente no ‘bottom line'”, disse Geovanne Tobias, vice-presidente financeiro do BB. O banco cortou a projeção de lucro de R$ 22-26 bilhões para R$ 18-22 bilhões: o topo da estimativa anterior virou o novo teto.

A crise tem endereço claro. A inadimplência no agronegócio avançou para 6,22% em março, salto de 3,5 pontos percentuais em 12 meses, com a carteira de crédito rural do banco em R$ 418,4 bilhões. Tobias destacou que foram 162 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre, período que costuma ser mais tranquilo por causa do recesso do Judiciário. “Isso meio que acendeu um alerta. […] Mas olhando já os números de abril, por exemplo, já tivemos 61 processos novos, totalizando R$ 650 milhões”, disse o executivo.

No fim de fevereiro, o BB já havia renegociado R$ 4,1 bilhões com o Tesouro para preservar capital, sinal de que a pressão financeira antecedera o balanço. A inadimplência geral ficou em 5,05%, leve recuo frente a 5,17% de dezembro, sustentado pela reestruturação de um caso específico na carteira de atacado. Na pessoa jurídica, o índice caiu de 3,75% para 2,87%; na pessoa física, subiu de 6,56% para 6,82%. A expansão do crédito privado no agronegócio já vinha mudando a composição do risco do setor.

A presidente do BB, Tarciana Medeiros, afirmou em nota que o resultado “reflete um ambiente mais desafiador para o risco de crédito, com maior pressão especialmente na carteira de agronegócios”.

O que observar

A questão central é saber se o piso da inadimplência no agronegócio já foi atingido. O ritmo de pedidos de recuperação judicial em abril, 61 em apenas um mês ante 162 em todo o primeiro trimestre de recesso judicial, sugere aceleração, não estabilização. Instituições com concentração elevada em crédito rural enfrentam um dilema operacional: reduzir exposição significa perder mercado num segmento historicamente estratégico; manter significa absorver custo crescente de provisionamento enquanto a rentabilidade deteriora. O ROE de 7,3% já opera abaixo do custo de capital típico de grandes bancos brasileiros.

Vale acompanhar se o novo teto do guidance, R$ 22 bilhões, comporta mais uma revisão. O ritmo de R$ 18,9 bilhões de PDD no primeiro trimestre, se mantido, consumiria todo o orçamento anual de provisões em dois trimestres. A variável-chave é o comportamento das recuperações judiciais ao longo do segundo semestre, quando o Judiciário opera em regime pleno e os efeitos das renegociações do setor devem ficar mais visíveis.

Fontes: Valor EconômicoAgência BrasilLet’s Money

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