Os líderes de prevenção a fraude no Brasil já enxergam a IA agêntica como a próxima arma do crime organizado. Em pesquisa da BioCatch com 100 executivos do setor, 90% acreditam que a tecnologia pode ser a principal vulnerabilidade explorada por criminosos nos próximos 12 meses. Enquanto isso, metade dos bancos do país já perde mais de US$ 10 milhões por ano com golpes.
Fraude no sistema bancário brasileiro em 2026
| Indicador |
% dos líderes |
| Perdas anuais acima de US$ 10 mi |
51% |
| Aumento de tentativas de golpe em 2026 |
89% |
| Ocorrências com deepfake (12 meses) |
63% |
| Veem IA agêntica como maior vulnerabilidade |
90% |
Pesquisa BioCatch com 100 líderes de prevenção a fraude no Brasil, 2026. Fonte: IT Forum
A virada da IA agêntica
A preocupação central não é com qualquer automação, e sim com a autonomia. “A grande virada de chave tecnológica que estamos presenciando reside na evolução dos agentes de IA tradicionais para a chamada IA Agêntica. Enquanto um agente comum executa de forma rígida uma única tarefa programada, a IA Agêntica possui autonomia para traçar caminhos alternativos e contornar barreiras até atingir seu objetivo”, afirma Diego Baldin, diretor de Global Advisory da BioCatch para a América Latina.
Para 83% dos entrevistados, separar uma atividade legítima assistida por IA de uma ação maliciosa é extremamente desafiador. O receio se soma ao avanço dos deepfakes: 63% dos executivos brasileiros identificaram golpes com áudio ou vídeo manipulados nos últimos 12 meses, índice acima da média global de 50%. A tecnologia tem sido usada para simular emergências familiares com vozes clonadas e para forjar gerentes e equipes de suporte, num ambiente moldado pela popularização do Pix e do WhatsApp. Não por acaso, as tentativas de fraude de identidade crescem no país.
O tamanho do prejuízo
Os números dimensionam o estrago. Além dos 51% que perdem acima de US$ 10 milhões por ano, 19% relatam danos acima de US$ 25 milhões e 3% superam US$ 100 milhões anuais. O impacto chega ao cliente: 74% dos executivos dizem que seus consumidores acumulam perdas acima de US$ 5 milhões por ano com fraudes autorizadas e golpes. O percentual de líderes que relatam aumento das tentativas saltou de 77% para 89% em um ano, acima da média global de 81%.
Diante disso, o setor aponta a cooperação como saída. Segundo o estudo, 88% acreditam que a troca de inteligência entre bancos teria impacto relevante na redução de fraudes, e 89% defendem o acesso a informações em tempo real sobre contas destinatárias para interromper golpes antes da dispersão do dinheiro. É a lógica que bancos da Espanha já adotam em rede, e que no Brasil aparece no movimento do Banco Central para rastrear a cadeia de um golpe no Pix. Iniciativas como a do Reino Unido com a Microsoft contra deepfakes seguem a mesma direção.
O que observar
A pesquisa expõe um descompasso: enquanto o crime testa autonomia de máquina para escalar engenharia social, boa parte da defesa ainda depende de checagens estáticas de identidade. Vale acompanhar se a aposta declarada no compartilhamento de inteligência entre instituições sai do discurso, porque a eficácia de uma rede interbancária depende de padronização de dados e de um arranjo regulatório que autorize a troca de informações sobre contas destinatárias sem esbarrar no sigilo bancário. A infraestrutura do Pix, com liquidação instantânea, é o que dá velocidade ao golpe e o que torna o rastreamento em tempo real o ponto decisivo.
Se a IA agêntica cumprir o papel que os líderes de fraude temem, o gargalo deixa de ser detectar o golpe e passa a ser a velocidade da resposta: bloquear a conta de laranja antes da dispersão do dinheiro. O segmento que apostar só na verificação de identidade no onboarding, e não no monitoramento contínuo de comportamento e intenção, tende a ficar um passo atrás de quem ataca.
Fontes: IT Forum • BioCatch • Biometric Update