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SegurançaIA · Deepfake

Bancos do Brasil veem IA agêntica como nova arma do crime

Pesquisa BioCatch mostra que 90% dos líderes de fraude no Brasil veem a IA agêntica como a maior vulnerabilidade, e metade já perde US$ 10 mi/ano.

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· 3 min

Atualizado em

Foto de Max Bender na Unsplash

Os líderes de prevenção a fraude no Brasil já enxergam a IA agêntica como a próxima arma do crime organizado. Em pesquisa da BioCatch com 100 executivos do setor, 90% acreditam que a tecnologia pode ser a principal vulnerabilidade explorada por criminosos nos próximos 12 meses. Enquanto isso, metade dos bancos do país já perde mais de US$ 10 milhões por ano com golpes.

Fraude no sistema bancário brasileiro em 2026

Indicador % dos líderes
Perdas anuais acima de US$ 10 mi 51%
Aumento de tentativas de golpe em 2026 89%
Ocorrências com deepfake (12 meses) 63%
Veem IA agêntica como maior vulnerabilidade 90%

Pesquisa BioCatch com 100 líderes de prevenção a fraude no Brasil, 2026. Fonte: IT Forum

A virada da IA agêntica

A preocupação central não é com qualquer automação, e sim com a autonomia. “A grande virada de chave tecnológica que estamos presenciando reside na evolução dos agentes de IA tradicionais para a chamada IA Agêntica. Enquanto um agente comum executa de forma rígida uma única tarefa programada, a IA Agêntica possui autonomia para traçar caminhos alternativos e contornar barreiras até atingir seu objetivo”, afirma Diego Baldin, diretor de Global Advisory da BioCatch para a América Latina.

Para 83% dos entrevistados, separar uma atividade legítima assistida por IA de uma ação maliciosa é extremamente desafiador. O receio se soma ao avanço dos deepfakes: 63% dos executivos brasileiros identificaram golpes com áudio ou vídeo manipulados nos últimos 12 meses, índice acima da média global de 50%. A tecnologia tem sido usada para simular emergências familiares com vozes clonadas e para forjar gerentes e equipes de suporte, num ambiente moldado pela popularização do Pix e do WhatsApp. Não por acaso, as tentativas de fraude de identidade crescem no país.

O tamanho do prejuízo

Os números dimensionam o estrago. Além dos 51% que perdem acima de US$ 10 milhões por ano, 19% relatam danos acima de US$ 25 milhões e 3% superam US$ 100 milhões anuais. O impacto chega ao cliente: 74% dos executivos dizem que seus consumidores acumulam perdas acima de US$ 5 milhões por ano com fraudes autorizadas e golpes. O percentual de líderes que relatam aumento das tentativas saltou de 77% para 89% em um ano, acima da média global de 81%.

Diante disso, o setor aponta a cooperação como saída. Segundo o estudo, 88% acreditam que a troca de inteligência entre bancos teria impacto relevante na redução de fraudes, e 89% defendem o acesso a informações em tempo real sobre contas destinatárias para interromper golpes antes da dispersão do dinheiro. É a lógica que bancos da Espanha já adotam em rede, e que no Brasil aparece no movimento do Banco Central para rastrear a cadeia de um golpe no Pix. Iniciativas como a do Reino Unido com a Microsoft contra deepfakes seguem a mesma direção.

O que observar

A pesquisa expõe um descompasso: enquanto o crime testa autonomia de máquina para escalar engenharia social, boa parte da defesa ainda depende de checagens estáticas de identidade. Vale acompanhar se a aposta declarada no compartilhamento de inteligência entre instituições sai do discurso, porque a eficácia de uma rede interbancária depende de padronização de dados e de um arranjo regulatório que autorize a troca de informações sobre contas destinatárias sem esbarrar no sigilo bancário. A infraestrutura do Pix, com liquidação instantânea, é o que dá velocidade ao golpe e o que torna o rastreamento em tempo real o ponto decisivo.

Se a IA agêntica cumprir o papel que os líderes de fraude temem, o gargalo deixa de ser detectar o golpe e passa a ser a velocidade da resposta: bloquear a conta de laranja antes da dispersão do dinheiro. O segmento que apostar só na verificação de identidade no onboarding, e não no monitoramento contínuo de comportamento e intenção, tende a ficar um passo atrás de quem ataca.

Fontes: IT ForumBioCatchBiometric Update

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