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Bancos digitais viram principal de 46% dos brasileiros

Ranking Okiar mostra os bancos digitais como principal de 46% dos brasileiros. Nubank chega a 24,4% e Bradesco cai para 7,4%, a maior retracao.

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Atualizado em

Foto: Shutterstock

Os bancos digitais já são a instituição principal de 46% dos brasileiros, contra 40% um ano antes, enquanto os tradicionais recuaram de 58% para 52%. O dado é da 2ª onda do Ranking de Principalidade da consultoria Okiar e mostra a disputa pelo banco do dia a dia mudando de mãos.

Quem é o banco principal dos brasileiros

Instituição 2026 2025
Nubank 24,4% 21,7%
Itaú 12,7% n/d
Caixa 11% n/d
Mercado Pago 10% n/d
Banco do Brasil 7,8% n/d
Bradesco 7,4% 12%

Ranking de Principalidade 2026 (2ª onda), consultoria Okiar. Fonte: Startups.com.br

Nubank amplia a frente em todas as classes

No ranking geral, o Nubank reforçou a liderança e passou de 21,7% da principalidade em 2025 para 24,4% em 2026. O estudo aponta que a fintech lidera a principalidade em todas as classes sociais, da A à DE, e também encabeça a lembrança espontânea de marca, superando nomes como BB, Caixa e Bradesco quando o consumidor é questionado sobre instituições financeiras.

O segundo lugar ficou com o Itaú (12,7%), seguido por Caixa (11%), Mercado Pago (10%) e Banco do Brasil (7,8%). O Bradesco foi a instituição com a maior retração: caiu de 12% para 7,4% entre as duas ondas, ficando atrás do BB. A mesma disputa pela conta principal já aparece no segmento de empresas, tema que o Let’s Money detalhou ao tratar do papel da estratégia e da conveniência na principalidade PJ.

O mapa regional da virada

O avanço dos digitais não é uniforme no país. No Norte, eles já concentram 53% da principalidade, contra 47% dos tradicionais. No Nordeste e no Centro-Oeste, a disputa está empatada, com 50% para cada lado. Sul e Sudeste ainda têm predominância dos bancos tradicionais, mas a distância encolhe rápido: no Sudeste, a principalidade dos tradicionais caiu de 63% na primeira onda para 55% na segunda; no Sul, recuou de 62% para 52%.

O recorte por perfil reforça o movimento. Entre empreendedores, donos de negócios e profissionais liberais, 56% apontam uma instituição digital como banco principal. Já entre trabalhadores formais, os tradicionais seguem à frente, com 60% da preferência. A migração acompanha pesquisas anteriores que mostram brasileiros dispostos a levar até a conta salário para bancos digitais e a preferência crescente por carteiras digitais no dia a dia.

“A principalidade continua existindo, mas os fatores que definem o banco principal mudaram”, disse Rafael Delgado, diretor da Okiar. Para ele, a posição de banco principal está cada vez menos associada à permanência histórica das instituições e mais sujeita à dinâmica competitiva do mercado.

O que observar

O dado que chama atenção é a desconexão entre tamanho de base e principalidade. Instituições de grande porte com dezenas de milhões de contas aparecem atrás de bancos digitais na disputa pelo uso efetivo, o que sugere que abrir conta deixou de garantir relevância no bolso do cliente. A pergunta que fica é se os bancos tradicionais conseguem converter base instalada em frequência de uso antes que o hábito migre de vez, sobretudo nas regiões onde a vantagem ainda é deles.

Vale acompanhar dois vetores. O primeiro é geográfico: Norte, Nordeste e Centro-Oeste já viraram fronteira disputada, e o ritmo de queda no Sul e no Sudeste indica se a virada é nacional ou regionalmente contida. O segundo é o perfil de cliente: a liderança digital entre autônomos e empreendedores, contra a resistência dos tradicionais junto a assalariados, mostra que folha de pagamento e crédito consignado seguem sendo as âncoras mais fortes da principalidade. Quem perde terreno nesses dois produtos tende a sentir o impacto antes no ranking.

Fontes: Startups.com.brMeio & MensagemCartaCapital

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