Os bancos digitais já são a instituição principal de 46% dos brasileiros, contra 40% um ano antes, enquanto os tradicionais recuaram de 58% para 52%. O dado é da 2ª onda do Ranking de Principalidade da consultoria Okiar e mostra a disputa pelo banco do dia a dia mudando de mãos.
Quem é o banco principal dos brasileiros
| Instituição |
2026 |
2025 |
| Nubank |
24,4% |
21,7% |
| Itaú |
12,7% |
n/d |
| Caixa |
11% |
n/d |
| Mercado Pago |
10% |
n/d |
| Banco do Brasil |
7,8% |
n/d |
| Bradesco |
7,4% |
12% |
Ranking de Principalidade 2026 (2ª onda), consultoria Okiar. Fonte: Startups.com.br
Nubank amplia a frente em todas as classes
No ranking geral, o Nubank reforçou a liderança e passou de 21,7% da principalidade em 2025 para 24,4% em 2026. O estudo aponta que a fintech lidera a principalidade em todas as classes sociais, da A à DE, e também encabeça a lembrança espontânea de marca, superando nomes como BB, Caixa e Bradesco quando o consumidor é questionado sobre instituições financeiras.
O segundo lugar ficou com o Itaú (12,7%), seguido por Caixa (11%), Mercado Pago (10%) e Banco do Brasil (7,8%). O Bradesco foi a instituição com a maior retração: caiu de 12% para 7,4% entre as duas ondas, ficando atrás do BB. A mesma disputa pela conta principal já aparece no segmento de empresas, tema que o Let’s Money detalhou ao tratar do papel da estratégia e da conveniência na principalidade PJ.
O mapa regional da virada
O avanço dos digitais não é uniforme no país. No Norte, eles já concentram 53% da principalidade, contra 47% dos tradicionais. No Nordeste e no Centro-Oeste, a disputa está empatada, com 50% para cada lado. Sul e Sudeste ainda têm predominância dos bancos tradicionais, mas a distância encolhe rápido: no Sudeste, a principalidade dos tradicionais caiu de 63% na primeira onda para 55% na segunda; no Sul, recuou de 62% para 52%.
O recorte por perfil reforça o movimento. Entre empreendedores, donos de negócios e profissionais liberais, 56% apontam uma instituição digital como banco principal. Já entre trabalhadores formais, os tradicionais seguem à frente, com 60% da preferência. A migração acompanha pesquisas anteriores que mostram brasileiros dispostos a levar até a conta salário para bancos digitais e a preferência crescente por carteiras digitais no dia a dia.
“A principalidade continua existindo, mas os fatores que definem o banco principal mudaram”, disse Rafael Delgado, diretor da Okiar. Para ele, a posição de banco principal está cada vez menos associada à permanência histórica das instituições e mais sujeita à dinâmica competitiva do mercado.
O que observar
O dado que chama atenção é a desconexão entre tamanho de base e principalidade. Instituições de grande porte com dezenas de milhões de contas aparecem atrás de bancos digitais na disputa pelo uso efetivo, o que sugere que abrir conta deixou de garantir relevância no bolso do cliente. A pergunta que fica é se os bancos tradicionais conseguem converter base instalada em frequência de uso antes que o hábito migre de vez, sobretudo nas regiões onde a vantagem ainda é deles.
Vale acompanhar dois vetores. O primeiro é geográfico: Norte, Nordeste e Centro-Oeste já viraram fronteira disputada, e o ritmo de queda no Sul e no Sudeste indica se a virada é nacional ou regionalmente contida. O segundo é o perfil de cliente: a liderança digital entre autônomos e empreendedores, contra a resistência dos tradicionais junto a assalariados, mostra que folha de pagamento e crédito consignado seguem sendo as âncoras mais fortes da principalidade. Quem perde terreno nesses dois produtos tende a sentir o impacto antes no ranking.
Fontes: Startups.com.br • Meio & Mensagem • CartaCapital