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Lavagem de DinheiroIA · compliance

Bancos correm com IA para barrar dinheiro de facções

Bancos, cooperativas e fintechs passam a usar IA que cruza dados transacionais e geolocalização para rastrear o dinheiro das facções, além das listas de CPF.

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· 3 min

Atualizado em

O sistema financeiro brasileiro começou a aplicar inteligência artificial para rastrear o dinheiro das facções criminosas, indo além das consultas tradicionais a listas de CPFs e CNPJs suspeitos. O movimento ganha urgência diante de uma discussão jurídica em curso: o enquadramento das principais facções do país como organizações terroristas, que, caso se concretize, elevaria de forma drástica as exigências de conformidade para bancos, cooperativas de crédito e fintechs.

Da lista estática à análise comportamental

Abordagem Como funciona
Listas estáticas (tradicional) Consulta a CPFs e CNPJs já marcados como suspeitos
IA comportamental (em desenvolvimento) Cruza dados transacionais com geolocalização para detectar microfluxos atípicos em áreas de influência das facções

Mudança na prevenção à lavagem descrita pela Dimensa. Fonte: ITForum

Por que a lista de suspeitos não basta mais

A resposta tecnológica em desenvolvimento busca superar a consulta a CPFs e CNPJs já sinalizados. As ferramentas cruzam dados transacionais com informações de geolocalização para detectar microfluxos atípicos em áreas de forte influência das facções. Algoritmos de machine learning identificam em tempo real padrões de movimentações fracionadas em pequenos comércios, postos de combustíveis e empresas de fachada, um nível de detecção que as listas fixas não alcançam. O esforço acompanha um movimento mais amplo de modernização, com reguladores recorrendo a IA para treinar sistemas anti-lavagem.

O principal obstáculo é a sofisticação operacional já alcançada pelo crime organizado. “A sofisticação do crime organizado exige que o mercado financeiro mude a forma como enxerga o risco de PLD. Não estamos mais lidando apenas com a validação de documentos, mas com a análise comportamental e contextual do fluxo do dinheiro”, afirmou Ubiratan Lima, diretor da unidade de riscos da Dimensa.

O prazo implícito para bancos e fintechs

A classificação potencial impõe um prazo implícito ao setor. Instituições que não adaptarem seus sistemas de compliance antes de uma eventual regulamentação ficariam sujeitas a sanções severas, como o bloqueio de operações no exterior e a perda de correspondentes bancários internacionais. A pressão recai sobre toda a cadeia, de grandes bancos a cooperativas e fintechs, num momento em que o setor já vinha estreitando a régua de combate a crimes financeiros.

No Brasil, o aperto vinha sendo construído por etapas: a Receita Federal igualou as exigências de fintechs às de bancos no combate a crimes, e entidades do setor firmaram acordos para modernizar o combate à lavagem de dinheiro. Uma eventual equiparação das facções a organizações terroristas adicionaria uma camada de exigência sobre essa base já em movimento.

O que observar

A migração das listas fixas para a análise comportamental muda o custo operacional da prevenção à lavagem. Vale acompanhar se a detecção baseada em geolocalização e microfluxos consegue separar movimentação ilícita de atividade econômica legítima em regiões de baixa renda, sob risco de gerar falsos positivos que travam contas de pequenos comerciantes. Instituições que adotarem análise contextual em tempo real vão precisar calibrar o limiar entre rastrear o crime e penalizar quem só vive na mesma área.

Há também a questão do prazo. Se a discussão jurídica avançar, a régua de conformidade sobe para toda a cadeia ao mesmo tempo, e o custo de adequação tende a pesar mais sobre instituições de médio porte e fintechs com times de compliance enxutos. O teste será se a inteligência artificial reduz a exposição a sanções sem transformar a prevenção num gargalo que encarece o serviço para o cliente final.

Fontes: ITForumLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s Money

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