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IAIA · Fraude

Bancos lançam IA atrás de fraude após pagamento instantâneo

Bancos globais lançam IA agêntica para investigar fraude depois que o pagamento instantâneo compensa. Nasdaq Verafin, MuleHunter e Kinexys mostram o pivô.

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A irreversibilidade dos pagamentos instantâneos virou o motor de uma virada de paradigma na engenharia antifraude dos bancos globais. Reportagem publicada pela PYMNTS no dia 29 de junho organiza três movimentos paralelos como evidência do mesmo deslocamento: nos Estados Unidos, a Nasdaq Verafin amplia sua força de trabalho de IA agêntica; na Índia, o MuleHunter.AI já opera dentro de dezenas de bancos; e a parceria entre Kinexys Liink (JPMorgan) e ACI Worldwide leva verificação de conta pré-transação para o estrangeiro.

O paradigma muda de fase

A pergunta clássica da IA antifraude era “esta transação deve ser aprovada?”. O eixo apontado pelo PYMNTS migra para outra: “Given that a transaction cleared, what does it connect to and where did the money go?” (algo como: já que esta transação compensou, com o que ela se conecta e para onde o dinheiro foi?). O que sustenta esse pivô são os números. Pesquisa do PYMNTS Intelligence aponta que 40% das instituições financeiras tiveram prejuízos maiores com fraude no ano passado e 38% viram volumes mais altos. A fatia de golpes (scams) chegou a 23% das transações fraudulentas, depois de alta de 56% no volume na comparação ano contra ano, e a perda em dólares com esse tipo de fraude saltou 121% no mesmo intervalo. No Reino Unido, golpes de pagamento autorizado (APP fraud) custaram £576,4 milhões em 2025, ou cerca de US$ 774 milhões, 19% acima do ano anterior, segundo relatório de 15 de junho publicado pela PYMNTS.

Três movimentos do mesmo deslocamento

Player O que faz Onde Status
Nasdaq Verafin Agentic Fraud Analyst + Agentic AML Analyst (triagem ACH + estruturação de saques) EUA, com 650+ instituições no consórcio Disponibilidade geral prevista para o 3T26
MuleHunter.AI (RBIH) Detecção de contas-laranja por padrões de comportamento Índia, em torno de 26 bancos Operacional, com ~20 mil contas/mês identificadas
Kinexys Liink + ACI Worldwide Verificação de conta antes do envio do pagamento Global, em mais de 70 países Parceria anunciada em abril de 2026

Três movimentos paralelos reportados pela PYMNTS em 29 de junho de 2026. Fonte: PYMNTS

O que o Let’s Money já viu nesta onda

A safra do Verafin não é nova por aqui. No início do mês, o Let’s Money cobriu o anúncio dessa expansão, em que a unidade Verafin trouxe um analista de PLD e um de fraude para complementar os agentes já em produção, de sanções e de due diligence reforçada (com ganhos relatados de até 90% e 50% no tempo de revisão, respectivamente). Outro paralelo do mesmo eixo veio do regulador britânico em abril: a Financial Conduct Authority lançou um ambiente de dados sintéticos para treinar modelos antilavagem sem expor informações reais. A série histórica do Let’s Money mostra um movimento contínuo de quem distribui IA contra crime financeiro: regulador, infraestrutura, banco e fornecedor agindo cada um em sua camada.

A escala do problema

Os números explicam por que o tema chegou à mesa do CFO antes de chegar à mesa do CTO. Na Índia, dados do Indian Cyber Crime Coordination Centre reportados pela PYMNTS apontam 2,65 milhões de contas-laranja de primeira camada identificadas, com estimativa de cerca de 200 bilhões de rupias (US$ 2,4 bilhões) movimentados por essas redes; aproximadamente 81,9 bilhões de rupias (US$ 980 milhões) foram recuperados. No Reino Unido, 66% dos casos de APP fraud começaram em plataformas online em 2025, segundo o levantamento da PYMNTS.

O Brasil entra na conta

O Pix tem irreversibilidade por desenho e conta com o Mecanismo Especial de Devolução (MED) como rede de segurança, mas a régua de IA contra crime ainda é minoria entre instituições brasileiras: apenas uma em cada três usa inteligência artificial no combate ao crime financeiro, segundo dado da Verafin retomado pelo Let’s Money. No campo regulatório, o desenho está sendo redesenhado em paralelo: a Susep encerrou nesta terça-feira (30) consulta pública que atualiza as regras de prevenção à lavagem do setor segurador, alinhando-as ao referencial bancário do BC.

O que observar

Três fios para acompanhar. Primeiro, a chegada efetiva dos novos agentes de IA ao mercado no segundo semestre, com métricas comparáveis às já reportadas para os agentes anteriores (redução de carga de revisão), o que vai redefinir a baseline de produtividade em compliance. Segundo, a difusão das duas pontas, verificação pré-transação e investigação pós-clearing, para fora dos grandes provedores globais, com chegada às plataformas de pagamento locais. Terceiro, a relação entre régua normativa e capacidade de execução: bancos centrais e supervisores que ampliam o perímetro de PLD/FT precisam encontrar contrapartida em infraestrutura tecnológica para que regramento mais fino não vire só letra.

Fontes: PYMNTSNasdaq VerafinReserve Bank Innovation HubACI Worldwide / KinexysLet’s Money: Nasdaq amplia agentes de IA contra fraude e lavagemLet’s Money: FCA lança dados sintéticos para treinar IA anti-lavagem

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