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Bancos pedem mais um ano para novo crédito imobiliário

Bancos vão pedir ao BC um ano a mais para o novo modelo de crédito imobiliário e revisão do teto de 12%, difícil de operar com a Selic em 14%.

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Os bancos que atuam no financiamento de imóveis devem pedir ao Banco Central (BC) a postergação em um ano do início do novo modelo de crédito imobiliário, hoje previsto para entrar em vigor em janeiro de 2027, segundo o Valor Econômico. As instituições também defendem a revisão do teto de juros de 12% ao ano previsto nas novas regras. Os pedidos serão formalizados em breve, e o BC pediu um prazo de dois meses para avaliação.

Por que os bancos pedem mais prazo no crédito imobiliário

O argumento central é a taxa de juros. Quando as regras foram desenhadas, em 2025, as previsões apontavam cortes acelerados da Selic, o que não se confirmou. Com a taxa básica em 14%, oferecer crédito a 12% seria difícil, dizem executivos ouvidos pelo Valor, sobretudo num contexto em que os bancos devem usar cada vez menos recursos da poupança e mais captações no mercado de capitais. Em cobertura recente do Let’s Money, o Bradesco já apontava que a poupança fraca aperta o crédito imobiliário.

O novo modelo, anunciado pelo governo e pelo BC em outubro de 2025, muda o uso da poupança no setor. Pela norma antiga, 65% dos recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) precisavam ser direcionados ao crédito imobiliário, 20% ficavam recolhidos no BC como compulsório e 15% eram de uso livre. Com a mudança, o direcionamento obrigatório de 65% deixará de existir e o volume aplicado em operações imobiliárias será elevado gradualmente. Na fase de testes deste ano, o compulsório caiu de 20% para 15%. Pelo cronograma original, a partir de 2027 ele será reduzido em 1,5 ponto percentual por ano.

Como muda o uso da poupança no crédito imobiliário

Regra Norma antiga Novo modelo
Direcionamento ao crédito imobiliário 65% do SBPE Elevação gradual do volume aplicado
Compulsório no BC 20% 15% na fase de testes; corte de 1,5 ponto ao ano a partir de 2027
Alocação em financiamentos habitacionais (SFH) Não se aplica 80% dos recursos, com custo efetivo limitado a 12% ao ano

Regras de uso da poupança no crédito imobiliário. Fonte: Valor Econômico

Quando o modelo estiver plenamente implementado, a instituição que captar R$ 1 milhão no mercado e direcionar todo o montante para financiamento imobiliário poderá usar a mesma quantia captada na poupança, de custo mais baixo, em aplicações livres por um período predeterminado. A contrapartida é que 80% do volume deverá ir para financiamentos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), cujo custo efetivo está limitado a 12% ao ano.

BC vê testes animadores, mas sinaliza ajustes

No Abecip Summit 2026, realizado nesta semana, o diretor de regulação do BC, Gilneu Vivan, classificou os primeiros resultados da fase de testes como animadores e sinalizou possíveis ajustes no desenho, incluindo a obrigação de alocar 80% dos recursos em operações do SFH. “Não há dúvida de que houve uma reversão na queda das concessões que vinha ocorrendo desde o início de 2025. Observou-se, já nos primeiros meses do período de testes, um incremento das concessões, tanto para imóveis até 1 milhão como para a faixa de R$ 1 milhão a R$ 2,25 milhões”, afirmou Vivan no evento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Os números ajudam o argumento do regulador. No primeiro semestre de 2026, o financiamento imobiliário cresceu 23% na comparação anual, para R$ 180,9 bilhões, segundo a Abecip. Com o resultado, a entidade deve revisar para cima a projeção do ano, que na estimativa divulgada em janeiro de 2026 indicava alta de 16% e volume aproximado de R$ 375 bilhões. Sobre a proposta dos bancos, a Abecip não quis comentar, mas disse, por meio de nota, que “mantém um diálogo permanente e construtivo com o regulador, contribuindo tecnicamente para a análise dos diferentes cenários”.

O que observar

A avaliação do BC, prevista para os próximos dois meses, define o calendário de transição de todo o setor. Se o adiamento for aceito, bancos com carteira imobiliária ganham mais tempo para montar estruturas de captação no mercado de capitais, mas a mudança estrutural apenas muda de data: a pergunta que fica é se o custo de emissão de instrumentos como letras imobiliárias converge, nesse intervalo, para um patamar compatível com o teto de 12% ao ano. Vale acompanhar também como incorporadoras e compradores reagem a uma eventual revisão do teto, que mexe diretamente no custo final do financiamento habitacional.

Fontes: Valor EconômicoInfoMoneyPoder360

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